Corporativismo ianque

Embora o mercado norte-americano, depois da quebra da Argentina, tenha voltado a ser o principal destino das exportações brasileiras, o peso relativo das nossas vendas externas para os Estados Unido é praticamente residual. Levantamento do embaixador brasileiro nos EUA, Rubens Barbosa, mostra que, enquanto há cerca de 15 a  20 anos, o Brasil respondia por 1% das importações norte-americana, hoje esse percentual beira a 0,9%, com vendas perto de US$ 15 bilhões. Esse percentual reafirma como protecionismo norte-americano também tem fortes raízes

Os terroristas
A retirada, por enquanto provisória, de organismos da Organização das Nações Unidas (ONU), como a Cruz Vermelha, do Iraque levou os aliados de Bush na mídia brasileira a uma breve emersão para eleger causas para essa decisão que justificariam a invasão norte-americana.
Para os bushistas tupiniquins, a retirada comprovaria a justeza da cruzada sem fim dos Estados Unidos contra o terrorismo. Segundo essa visão, as ações de grupos armados que se transferiram para o Iraque pós-invasão comprovariam a aliança do governo Saddam Hussein com essas facções.
Esse contorcionismo retórico, ironicamente, também permite afirmar o seu contrário: como esses grupos somente passaram a atuar no Iraque após a invasão, Bush é, na verdade, seu maior estimulador. Logo, trata-se de um terrorista dissimulado, cujo resultado final é o oposto do objetivo anunciado.
Tais maniqueísmos não dão conta da complexa realidade do Iraque, país que tem justificadas razões para alimentar ressentimentos contra a ONU, que apoiou o boicote promovido pelos EUA que provocou a morte de 500 mil crianças, o que apenas cínicos mais deslavados podem classificar de efeitos colaterais.
A mesma organização, porém, num surto de sobrevivência, jogou papel decisivo na resistência à invasão. Tudo somado, sua retirada do país hoje favorece, principalmente, os que desejam um banho de sangue “cirúrgico” e sem testemunhas e aos que apostam no quanto pior melhor. Ou seja, mais uma vez os extremos se tocam.

Resolve
Independentemente de erros e acertos, já está na hora de o Planalto desligar a frigideira em que frita a ministra Benedita da Silva. Ou o presidente Lula considera o episódio e o desempenho da ministra inaceitáveis e demite Benedita ou deixa de expor uma colaboradora de primeira hora, que, além de vitimada pela falta de verba, foi transformada em emblema do desperdício público pelo mau uso de pouco menos de R$ 5 mil. Para um partido que faz corpo mole na CPI do Banestado, que envolve cerca de R$ 30 bilhões, francamente!

Abrindo o jogo
Imaginem o presidente Lula declarando durante a campanha eleitoral que, em seu governo, tudo faria para que os trabalhadores não tivessem reajustes que sequer recompusessem a inflação. Aumentos reais, nem pensar, porque, afinal, o principal instrumento de controle da inflação do PT no governo seria o arrocho salarial.
Embora ninguém tenha ouvido isso na campanha, é exatamente essa a plataforma apresentada para os próximos anos pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na ata da sua última reunião. A diferença apenas se dá apenas na retórica tecnocrática. Mas ninguém espera que a nomenclatura que, sem votos, governa de fato o país, vá se preocupar em falar a linguagem dos súditos, ainda que estes se creiam também eleitores.

Vem!
Está pesado o clima nas agências da Caixa Econômica Federal após a greve. É que para garantir a aprovação do fim da paralisação, a direção da Caixa mobilizou os gerentes, que compareceram em peso à assembléia final, enquanto grande parte dos funcionários não comissionados permaneceu em casa. Aliada à articulação com a parte da diretoria do Sindicato dos Bancários do Rio, a ação dos gerentes, decisiva para suspender a greve, gerou forte ressentimento entre os demais funcionários.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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