Corrida de recuperação

Mais de 100 mil empregos serão gerados nos próximos anos no Rio, aposta Aldo Gonçalves, presidente do Conselho Empresarial da ACRJ, que debate nesta quarta-feira as oportunidades para o comércio fluminense com os mega eventos esportivos – Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016. É uma aposta na recuperação: tanto a Capital quanto o estado apresentaram nesta década um crescimento econômico abaixo da média nacional. Entre 2000 e 2009, o volume de vendas do comércio varejista na cidade aumentou 32,3%, enquanto o crescimento no Brasil foi de 45,1%.
Participam do debate o secretário especial da Copa 2014 e da Rio 2016 da Prefeitura, Ruy Cezar, e o economista Mauro Osório, doutor em planejamento urbano e regional. Além dos dois eventos principais, acontecerão ainda no Rio os jogos mundiais militares (2011); a Rio + 20 (2012); e a Copa das Confederações (2013).

Presente grego
A crise da Grécia que sacode os mercados financeiros mundiais, na verdade, é uma manifestação retardatária dos problemas que vinham atingindo outras economias da Zona do Euro. Depois de ficar estagnado em 2008, o país entrou em recessão em 2009. O setor industrial (mineral-extrativo, manufatura, fornecimento de eletricidade e água) já estava no negativo em 2005, tendo recuado 4% entre 2007 e 2008. Neste mesmo ano, todos os setores industriais caíram na recessão, exceto o alimentar, que cresceu 1,2%. A crise na indústria resultou num derretimento de cerca de 7% na produção, tombo que na construção civil atingiu 9,4%.
Entre 2002 e 2008, a Grécia também sofreu forte recuo no setor agrícola, principalmente de alimentos básicos, como trigo, milho e pêssego. Segundo a Eurostat – agência de dados européia – o rendimento real agrícola desabou 7,1% em 2008, devido à estagnação dos preços dos produtores e à grande alta dos preços industriais. Ainda segundo a Eurostat, o rendimento agrícola líquido caiu 19,9 pontos, entre 2000 e 2008.
O mercado financeiro também acusou a quebra da economia grega. Em dezembro de 2008, o valor de mercado das ações negociadas na Bolsa de Atenas desabou para 28% do PIB do país, contra 86% do PIB, no mesmo mês de 2007. Grande parte da queda foi provocada pela sangria provocada pela fuga em massa de investidores estrangeiros, iniciada em outubro de 2008, no auge da crise global.
Independentemente do ciclo atual da crise do país, a economia da Grécia tem sido marcada por sua grave situação financeira e fiscal, com a desregulamentação dos mercados e os gastos para garantir os ganhos dos rentistas pressionando fortemente as finanças do Estado grego. Ao optar por cortar gastos públicos, em lugar de cobrar a conta dos bancos que sangraram as finanças do país, o atual governo apenas repete, numa situação particularmente delicada, mais do mesmo. Um autêntico presente grego para os gregos.

Falta o topo
Metade dos 18.142 empregos nas 25 “Melhores Empresas para Trabalhar no Rio de Janeiro” são ocupados por mulheres. Na análise dos cargos de chefia, a pesquisa revela que as mulheres correspondem a 41% do total (1.236 funcionárias). No total do Brasil, as mulheres ocupam 43% dos postos de trabalho. Apenas duas companhias cariocas – rede de supermercados Prezunic e a Cultura Inglesa – são presididas por mulheres: Andrea Dias da Cunha e Maria Lucia Willemsens, respectivamente.

A melhor
A Mantecorp (remédios) foi considerada pelo Great Place to Work, a consultoria que faz a pesquisa, como a melhor empresa para a mulher trabalhar no Rio de Janeiro. A companhia mantém políticas de contratação com igualdade de condições e capacitação e programas de saúde especiais como prevenção ao câncer de mama e programas de gestantes, entre outros.

Pedra sobre pedra
A solidariedade ao povo chileno não autoriza o atropelo dos manuais de economia. Ao compararem os efeitos do terremoto no Chile aos sofridos pelo Haiti, comentaristas mais apressados atribuíram o menor estrago provocado ao primeiro ao fato de tratar-se do “único país desenvolvido da América Latina”. Noves fora o Chile encontrar-se na desconfortável posição de quinta nação mais desigual da região, elevar à categoria de desenvolvido um país pendurado numa commodity de variação tão instável como o cobre está mais para auto-ajuda do que para análise econômica. Sem contar, claro, o forte déficit desse tipo de comentarista em geopolítica e ocupações de espaços urbanos.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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