Corte nas aposentadorias mal dá para 3 meses de juros

A opção por ceifar a Previdência é uma posição política de se desmontar a Seguridade Social.

Só no primeiro semestre, o Governo Bolsonaro já pagou R$ 162 bilhões em juros da dívida pública. Até o final de 2019, serão mais de R$ 320 bilhões. Ou quatro vezes o que o ministro Paulo Guedes espera cortar dos aposentados por ano. Dito de outra forma: o que se pretende tirar da Previdência anualmente mal dá para pagar três meses de juros de uma dívida que cresceu – e ainda cresce – ceifada a taxas abusivas.

Não fica só nisso. Conforme Maria Lucia Fattorelli, da Auditoria Cidadã, o Banco Central pagou, de 2009 a 2018, R$ 754 bilhões aos bancos, para remunerar diariamente a sua sobra de caixa, ou seja, todo o volume de recursos que os bancos não conseguem emprestar e, portanto, sobra em seu caixa. Atualizando estes valores, temos R$ 1 trilhão. Em dez anos.

A opção pelo corte na Previdência não é uma escolha econômica. Até os economistas do mercado financeiro admitem que nada solucionará. É uma posição política de se desmontar a Seguridade Social, ao mesmo tempo em que se aumenta a desigualdade e transfere renda para os setores que vivem de colher o que nunca plantaram.

 

Falsa crise

O livro A política fiscal e a falsa crise da seguridade social brasileira, da professora e economista Denise Gentil, será lançado em 7 de agosto, às 19h, na Biblioteca Daniel Aarão Reis, do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), no Centro do Rio.

Uma hora antes do lançamento, Denise Gentil fará palestra sobre o tema no plenário do IAB. As inscrições para o evento, que será aberto pela presidente nacional do Instituto, Rita Cortez, podem ser feitas em iabnacional.org.br

Estarão presentes na palestra os presidentes do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Wellington Leonardo da Silva, e do Conselho Regional de Economia (Corecon), João Manoel Gonçalves Barbosa.

 

Putin e Evo

Pouco repercutiu no Brasil o encontro entre os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da Bolívia, Evo Morales, 11 de julho, em Moscou. Um dos temas da reunião foi o início da industrialização do lítio boliviano. O mineral é estratégico por estar presente na produção de bens de alta tecnologia, desde baterias para telefones celulares e carros híbridos, até com a colaboração para aplicações nas indústrias marítimas e offshore. Cerca de 50% das jazidas mundiais de lítio estão localizadas no país andino, no Salar de Uyuni, a maior salina do mundo.

João Felipe Ferraz (UFRJ), pesquisador do Núcleo de Avaliação da Conjuntura, vinculado à Superintendência de Pesquisa e Pós-Graduação (SPP) da Escola de Guerra Naval (EGN), analisou o encontro em artigo para o Boletim Geocorrente, publicação quinzenal da EGN:

No âmbito da Defesa, Morales enfatizou o interesse boliviano em adquirir equipamento militar russo, em especial helicópteros, bem como em coordenar a doutrina militar com o Estado parceiro. Visto isso, essa segunda intenção tem sentido de fazer frente à influência dos Estados Unidos na América do Sul, verificada na tendência dos posicionamentos tomados em relação à questão da Venezuela, intensamente discutida na reunião.”

Em termos materiais da cooperação energética, Putin destacou o investimento de US$ 500 milhões da petrolífera Gazprom na indústria de petróleo e gás da Bolívia, além do projeto, de 2016, de construção de um centro de pesquisa nuclear na cidade de El Alto, liderada pela empresa estatal russa de energia atômica Rosatom.

 

Protagonista

Tão interessado em encontrar os responsáveis pelos vazamentos das comprometedoras conversas dos próceres da Lava Jato, por que Moro não busca descobrir quem vazou para o site Antagonista as informações sobre as iminentes prisões dos hackers de Taubaté, digo, de Araraquara?

 

Rápidas

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo realizará, entre 10 e 12 de setembro, na Capital, o 17º Cicam – Congresso de Iniciação Científica em Ciências Agrárias, Biológicas e Ambientais. Detalhes em eventos.fundepag.br/pagina.php?link=58664226003c057701310b37576c0236 *** O presidente do Instituto Carlos Chagas e chefe da Divisão de Cirurgia Plástica do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, Ricardo Cavalcanti Ribeiro, participará de mesa redonda sobre reconstrução de mama durante a 38ª Jornada Carioca de Cirurgia Plástica. Entre os convidados estão o norte-americano James Stuzin, o colombiano Alfredo Hoyos e o brasileiro Volney Pitombo. Será no Hotel Windsor Oceânico (RJ), de 31 de julho a 3 de agosto.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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