Corte

O senador Roberto Saturnino (PSB-RJ) apontou uma ligação do acidente na plataforma P-36 com o processo de desmonte da Petrobras. “Em razão do corte de 50% do número de funcionários, a Petrobras perdeu em eficácia e segurança, mesmo tendo aumentado sua produção”, alerta o senador. O senador afirmou, porém, não ter críticas em relação à gestão Reichstul, já que essa política de enfraquecimento da estatal é anterior ao atual governo. “Fernando Henrique dá continuidade a esse processo”, critica Saturnino. Ele aprovou requerimento no Senado de pesar às vítimas e seus familiares.
Prenúncio?
A plataforma P-36 da Petrobras foi encomendada à empresa Marítima, adquirida na Itália e levada para obras de adaptação no Canadá. A plataforma operava em águas rasas e por isso a necessidade de adaptar. Durante a reforma, o engenheiro que lá estava não tinha poder para decidir. Quando algum problema surgia era preciso esperar que resoluções fossem tomadas no Brasil. Como às vezes a resposta demorava e havia prazos a cumprir, o estaleiro canadense – que faliu em 1998 – decidia e executava por conta própria. Em tempo: existem mais três plataformas encomendadas à mesma Marítima.
Made in Canada
Fontes diplomáticas canadenses ouvidas ontem por esta coluna repeliram com veemência a informação de que a P-36 seja conhecida no Canadá como “plataforma louca”.

Armadilha tucana
A confirmarem-se as previsões dos analistas financeiros de que a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), semana que vem, vai manter a taxa de juros básica (Selic) engessada em 15,25% ao ano, o país estará caminhando para fortes emoções em relação à rolagem da sua monumental dívida pública, superior a R$ 500 bilhões.
Além da pressão oriunda da manutenção de juros estratosféricos – responsáveis pela correção de 60% da dívida – a capacidade do governo de continuar honrando o pagamento de seus débitos sofrerá a influência da alta no câmbio, a cuja variação estão vinculados cerca de 20% dos títulos públicos.
Como a manutenção dos juros em níveis absurdos não é meramente conjuntural, sendo a manifestação mais emblemática do modelo dependente do capital externo imposto ao país,  mais cedo ou mais tarde o governo verá secar suas fontes de financiamento ou será obrigado a arcar com prêmios tão elevados que tornarão a rolagem inviável, o que, na prática, dá no mesmo.
Para evitar a repetição da versão tucana do sucesso de Vianinha “Se ficar o bicho come, se correr o bicho pega”, o primeiro passo é romper o círculo vicioso que obriga o país a se endividar interna e externamente para manter um modelo cujos estertores são ouvidos estrondosamente em todo o mundo.

Viúva
Por que o banco fundado pelo escocês John Law em Paris em 1716 fez um sucesso tão grande a ponto de suas ações serem disputadas na rua em frente à sede da instituição? Como nenhum leitor errou, claro que houve participação da veuve. Após a morte de Luís XIV, a dívida da França equivalia a 80% do PIB do país. O governo não tinha como pagar o serviço do débito. O banco fundado por Law vendeu 12 mil ações e os investidores podiam pagar 75% do valor com billets d”état. Em seguida, o regente da França, duque de Orleães, decretou que as notas bancárias de Law poderiam ser usadas para pagar impostos. Com o lançamento de ações da Companhia do Mississipi e novas chamadas para compra de ações do banco, houve maciça monetarização da dívida pública. O conglomerado de Law recebeu sucessivas benesses governamentais – inclusive o monopólio do tabaco. Em 1718, Orleães baniu a posse pessoal de moeda; apenas as notas bancárias de Law teriam valor legal. Resultado: o governo se endividando cada vez mais e quanto mais subia a dívida mais ações eram vendidas, a preços crescentes. O estouro da bolha é assunto para amanhã.

Balinha
A Asep, agência que cuida dos serviços públicos, encaminhou ofício às concessionárias Barcas S.A e SuperVia determinando a suspensão da prática do vale-troco. Devido à falta de moedas em circulação, as duas concessionárias criaram um nova moeda, o vale-troco. No caso das Barcas, o trajeto Rio-Niterói custa R$ 1,18, logo a empresa é abrigada a dar R$ 0,02 ao passageiro. Caso não tenha o troco, a empresa é obrigada a arredondar o preço do bilhete para baixo. As duas empresas se comprometeram a suspender o vale-troco.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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