Covid-19 ainda pesando sobre mercados

Aqui, não devemos perder inicialmente a faixa dos 93 mil pontos do Ibovespa e depois, principalmente, o patamar de 90 mil pontos.

Opinião do Analista / 10:20 - 8 de jul de 2020

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Ontem, os mercados que já vinham operando no campo negativo ao longo do dia aceleraram tendência no final da sessão, a Bovespa encerrou com perda de 1,19% e índice em 97.761 pontos, enquanto o Dow Jones perdeu 1,51% e o Nasdaq com -0,86, depois de ter batido novo recorde de pontuação histórica.

Hoje mercados asiáticos encerraram com comportamento misto e novo destaque de alta para a Bolsa de Xangai com +1,74% e fundada na recuperação da economia chinesa. Mercados da Europa operando no campo negativo no início de manhã e futuros do mercado americano agora com comportamento misto, depois de terem começado em queda.

Aqui, não deveríamos perder inicialmente a faixa dos 93 mil pontos do Ibovespa e depois, principalmente, o patamar de 90 mil pontos, sob pena de atrasar a recuperação. Do lado positivo marcamos ser fundamental superar a faixa de 99 mil pontos (já arranhada), para adquirir maior consistência de recuperação.

Investidores seguem preocupados com possível nova onda de contágio da Covid-19 atrasando a recuperação econômica global e exigindo ainda maiores esforços de bancos centrais e governos. O vice-presidente do Fed, Richard Clarida, declarou que o caminho da recuperação será guiado pela Covid-19, e Loretta Mester, presidente do Fed de Cleveland, disse haver um longo caminho até o retorno ao patamar pré-crise.

Assessores de Donald Trump avaliam proposta para enfraquecer o dólar de Hong Kong e evitar pressões de compra sobre a moeda americana ao mesmo tempo em que estudam eventuais novas punições contra a China, por conta da implantação da Lei de Segurança Nacional em Hong Kong. Já no Banco Central Europeu (BCE), a presidente Christine Lagarde sugere que não adotar novas medidas de flexibilização na próxima reunião marcada para dia 16.

A expectativa de estoques de petróleo em alta sinalizada ontem pela API e que pode ser confirmada hoje pelo Departamento de Energia dos EUA, força os preços no mercado internacional no sentido da queda. O petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava queda no início da manhã, mas agora opera praticamente estável, com queda de 0,02% e com o barril cotado a US$ 40,61.

O euro era transacionado em alta para US$ 1,128 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 0,65%. O ouro e a prata mostravam altas na Comex e commodities agrícolas com quedas na Bolsa de Chicago.

Aqui, os 17 setores prejudicados pelo veto do presidente sobre desoneração da folha de pagamentos tentam fazer coalizão para forçar derrubar e o segmento de call centers diz que pode demitir cerca de 25% da mão de obra. A FGV anunciou o IGP-DI de junho com expansão de 1,60% (anterior em 1,07%) deixando a inflação de 2020 em 4,54% e em 12 meses com +7,84%.

O secretário americano Mike Pompeo conversou com o chanceler brasileiro Ernesto Araújo sobre o combate a Covid-19, e também sobre os laços econômicos entre os dois países. Há interesse contra a gigante chinesa Huawei no fornecimento de tecnologia 5G ao Brasil. Já o presidente Jair Bolsonaro foi contaminado pela Covid-19 e é objeto de noticiário internacional, mas passa bem.

No mercado, a expectativa é de Bovespa fraca, dólar mais comportado e com menor volatilidade e juros em queda no curto prazo. Na agenda teremos as vendas no varejo de maio pelo IBGE e expectativa de expansão da ordem de 7,7%; além do fluxo cambial da semana anterior. Nos EUA teremos o crédito ao consumidor de maio e estoques de petróleo e derivados.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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