Covid-19 ataca a economia

Isolamento da China é mais eficiente do que a barreira alfandegária levantada pelos EUA.

Empresa Cidadã / 19:45 - 18 de fev de 2020

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O Covid-19 (coronavírus) sucede a pandemia da Gripe Suína (2009; mais de 200 mil mortos em diferentes países) e a Síndrome Respiratória Grave (Sars, na sigla em inglês; 2002/2003; cerca de 1.000 óbitos). Até o fechamento desta coluna, cerca de 1.900 pessoas tinham morrido por ação do coronavírus. Apenas cinco dos óbitos foram verificados fora do território continental da China que, cotejado com o número de infectados e com os números de outras epidemias severas, confere ao Covid-19 características de “baixa letalidade” (2,4%).

Problema é que para o ilusionismo estatístico a letalidade pode parecer baixa, comparada com os 35% já verificados em casos anteriores, mas para quem morre a letalidade é de 100%.

Na economia, a letalidade será maior. Entre as consequências da epidemia estão as derivadas do isolamento relativo da China (mais eficiente do que a barreira alfandegária levantada pelos EUA contra os chineses), uma das maiores economias do mundo e particularmente, maior parceiro comercial do Brasil. Desaceleração dos fluxos de importação e exportação de bens e de serviços, queda nos preços das commodities, maior aversão empresarial ao risco, entre outras consequências. Turistas chineses que saltaram de 30 para 300 milhões, entre 2003 e 2019, não serão tão frequentes, até que alguma coisa aconteça, como por exemplo, a viabilização de uma vacina.

Enquanto isto, no Brasil, ainda são registrados 15 novos casos de sífilis, a cada dia. Até outubro de 2019, foram contabilizados 700 óbitos por dengue e somos o segundo maior contingente mundial de portadores de hanseníase, com 33.955 casos notificados em 2011. No período de 2000 até 2007, ocorreram 1.846 óbitos.

 

PIB

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, anunciou o crescimento de 0,89% do PIB, em 2019 (Pibinho?).

 

Airbags mortais

Em nota oficial, a Honda anunciou, na sexta-feira (14 de fevereiro), que teve conhecimento de um caso de acidente com morte, envolvendo um veículo da marca equipado com os airbags defeituosos da Takata. O acidente, segundo a Honda, ocorreu no Rio de Janeiro, em 27 de janeiro, envolvendo um Civic 2008. A perícia, de acordo com a nota da empresa, disse que houve a ruptura anormal do insuflador do airbag Takata, causando ferimentos que levaram à morte do condutor.

A Honda acrescentou que tem registros de 39 casos de ruptura do insuflador no Brasil e que este é o primeiro caso com morte, envolvendo veículo equipado com os chamados “airbags mortais” no Brasil. Em setembro de 2018, a Honda informou que havia 28 ocorrências de rupturas das bolsas no Brasil, com 11 feridos, que já comunicou às autoridades e que seguirá colaborando com informações sobre a ocorrência. Segundo a Honda, o Civic acidentado foi convocado para o recall em 2015, para a troca do insuflador do airbag do lado do motorista, mas o proprietário não levou o carro para a realização do reparo.

Curioso no posicionamento da empresa é que o proprietário compra um veículo da marca Honda. mas o airbag mortal é do fornecedor Tanaka, que deveria ter maior controle de segurança e qualidade pela Honda (ninguém adquire um veículo por partes), e a responsabilidade é da vítima que não compareceu ao recall. Na próxima nota, aguardemos, não surpreenderá se disserem que foi suicídio do proprietário do veículo Honda ou que a letalidade é baixa (menos para o morto).

 

Paulo Márcio de Mello é professor, servidor público, aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

paulomm@paulomm.pro.br

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