Covid-19 domina preocupação de investidores

Agenda do dia é fraca, restando praticamente pedidos de auxílio-desemprego da semana anterior nos EUA e discurso de dirigentes do Fed.

Opinião do Analista / 10:25 - 9 de jul de 2020

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Ontem tivemos mais um dia positivo para os mercados acionários americanos e também para a Bovespa, com direito a recorde de pontuação do Nasdaq (ações de tecnologia garantiram) e a Bovespa beirando os 100 mil pontos. O Ibovespa encerrou com alta de 2,05% e índice em 99.769 pontos, situação que não ocorria desde o dia 5. Dólar registrou queda de 0,62%, com a moeda americana cotada a R$ 5,347.

Hoje mercados da Ásia terminaram o dia com boa alta, capturando valorização nos EUA e novo dia de rali na Bolsa de Xangai que subiu 1,39%. Europa começando no campo positivo mais já tendendo para o negativo e futuros dos EUA com comportamento misto, mas com o Nasdaq em nova alta.

Aqui, precisamos consolidar a ultrapassagem do patamar de 100 mil pontos do índice para buscar objetivo ao redor de 105 mil pontos. Lembramos que esse patamar foi perdido em março e que o índice já atingiu em 2020 muito próximo de 120 mil pontos.

Mas os investidores hoje estão novamente atentos à explosão da Covid-19, em possível segunda onda de contágio, principalmente depois que os EUA sinalizaram mais de 3 milhões de casos e recorde ontem, de 60 mil casos. Os investidores também avaliam a necessidade de governos e bancos centrais proverem novos estímulos fiscais e monetários.

Durante a madrugada na China, foi anunciada a inflação medida pelo CPI de junho (consumidor) que atingiu anualizada 2,5%, de previsão de ficar em 2,6%. Lá, a moeda iuane atingiu o maior nível, repercutindo a recuperação da economia. Em compensação no Japão, o BoJ (o BC japonês) rebaixou a perspectiva de todas as regiões, e o presidente da instituição, Haruhiko Kuroda, fala da gravidade da situação com a pandemia.

Na Alemanha, o superávit da balança comercial em maio foi de 7,6 bilhões de euros, fruto de exportações em alta de 9% (previsão era +13,5%), contra queda no mês de abril de 24%, e importações crescendo somente 3,5%. O secretário de Donald Trump, Mike Pompeo, descartou status especial para o Brasil e disse que o trânsito de viajantes para os EUA será determinado pela ciência.

A União Europeia vai começar a integração progressiva da Croácia e Bulgária ao euro e a Austrália suspende o tratado de extradição com Hong Kong, por força da Lei de Segurança Nacional implantada para a região pela China.

No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava queda de 0,44%, com o barril cotado a US$ 40,72. O euro era transacionado estável em US$ 1,13 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 0,65%. O ouro e a prata tinham alta na Comex e commodities agrícolas também em alta na Bolsa de Chicago.

No segmento doméstico, o Facebook barrou a rede teoricamente ligada ao que foi apelidado de "Gabinete do Ódio" do planalto e o Senado aprovou em votação a MP 930 que alterou a tributação sobre variação cambial que permite reduzir proteção (hedge) cambial. Ontem, o BC anunciou que o Brasil perdeu investimentos externos no montante de US$ 38,1 bilhões ao longo do primeiro semestre, por conta da pandemia e da crise política.

A agenda do dia é bastante fraca, restando praticamente os pedidos de auxílio-desemprego da semana anterior nos EUA e discurso de dirigentes do Fed. Assim, vamos ficar ao sabor do noticiário do dia sobre a Covid-19 e declarações de formadores de opinião. A expectativa é que a Bovespa possa seguir o curso da recuperação, mas para tal, vai precisar contar com a melhora externa. Dólar com variações mais suaves e juros longos ainda pressionado pela expectativa de recrudescimento inflacionário.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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