Covid-19 e pré-eleições americanas no radar externo

Mercados esperavam elevação do PIB de 7,3%, contra a retração de 9,7% no segundo trimestre.

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Ontem foi um dia de recuperação para as Bolsas das Américas. Os dados positivos de conjuntura econômica nos estados e no Brasil, aliados com os bons números dos balanços das empresas, impulsionaram os agentes a tomarem risco. Na Europa, o avanço da Covid-19 ainda foi o principal gatilho para o desempenho do mercado de ações.

As principais praças do Velho Mundo, em sua grande maioria, tiveram mais um dia de queda. Apesar dos números acima do esperado quanto ao desemprego alemão, dos indicadores de confiança e de expectativa da Zona do Euro, o avanço do coronavírus, aliado à falta de acordo para o Brexit, afetou os mercados. Além disso, o discurso dovish do Banco Central Europeu (BCE) contribuiu para que os agentes vissem que a autoridade monetária considera o momento atual muito delicado para a economia do continente.

Superando os seus pares, Frankfurt teve aumento de 0,32%. Londres caiu próxima da estabilidade, perdendo 0,02%. Paris perdeu 0,03% e Milão teve desvalorização de 0,14%. As principais quedas ficaram na península ibérica, com Lisboa e Madri perdendo 0,66% e 0,97%, respectivamente.

Em mais um dia de disparada do dólar, como proteção para muitos investidores, os preços dos contratos de ouro ficaram pressionados, com baixa de 0,59%, fechando o dia cotado a US$ 1.868 a onça-troy.

O petróleo também fechou em baixa devido ao forte aumento do coronavírus em todo o Hemisfério Norte, colocando em xeque a retomada da demanda pela commodity no ano.

O WTI teve retração de 3,26%, a US$ 36,17, e o Brent teve queda de 3,48%, a US$ 38,26.

Em Nova Iorque, após a maior alta anualizada do PIB, em 33,1%, acima das expectativas de 31,0%, houve alta generalizada. Além disso, as expectativas de bons balanços de companhias de tecnologia como Amazon e Facebook também contribuíram para o apetite ao risco.

A Nasdaq teve alta de 1,64%. O S&P 500 e o Dow Jones ganharam 1,19% e 0,52%, respectivamente.

No Brasil, o mercado foi puxado pela força compradora nos EUA. Além disso, os dados econômicos brasileiros também foram positivos, afastando, ainda mais, a possibilidade de cortes na taxa de juros. O Caged evidenciou a criação de vagas 47,30% superior às expectativas e o déficit primário do governo central foi de R$ 76,2 bilhões em setembro, contra expectativas de R$ 77,4 bilhões. Os números corporativos de Vale (VALE3), Usiminas (USIM3), Petrobras (PETR4) e Bradesco (BBDC4) foram positivos, contribuindo para o bom humor do mercado.

O Ibovespa avançou 1,27%, a 96.582,16 pontos, e o dólar teve alta de 0,09%, a R$ 5,77.

As Bolsas asiáticas fecharam no vermelho, em virtude dos avanços do coronavírus e com a cautela dos investidores em relação às eleições americanas na próxima terça-feira.

Na China continental, os líderes do Partido Comunista Chinês aprovaram o plano econômico para 2021 a 2025, com a meta ambiciosa de elevar a renda per capta do país e focar, como já foi dito em outros planos, na ciência, tecnologia e consumo. Todavia, os receios advindos do Ocidente fizeram os mercados cederem. O Xangai Composto perdeu 1,47% e o Shenzhen teve recuo de 2,29%. Hong Kong e Taiwan tiveram decréscimo de 1,95% e 0,92% respectivamente. Na Coreia do Sul, o Kospi teve queda de 2,56%. Em Tóquio, o Nikkei caiu 1,52%.

Na Europa, os dados do PIB do terceiro trimestre superaram as expectativas., mas o perigo de deflação e as vendas no varejo da Alemanha continuaram a apresentar números fracos. O coronavírus continua sendo um problema a ser enfrentado pelo país, levando os principais índices do continente a abrirem sem direção única.

Nos EUA, as preocupações eleitorais e as preocupações em relação ao avanço da Covid-19 fazem os futuros abrirem majoritariamente em queda. Ao longo do dia, os dados de inflação também serão destaques da agenda.

No Brasil, os números fiscais e dados de desemprego contribuem como gatilhos, mas os movimentos externos e as eleições americanas tendem a impactar fortemente o Ibovespa. No varejo, o balanço da B2W (BTOW3) superou as expectativas, enquanto os resultados das Lojas Americanas (LAME4) vieram dentro do esperado.

No Reino Unido, a Sociedade Nacional da Construção divulgará a variação do índice de preços dos imóveis. Ao ano, o indicador teve avanço de 5,8%, contra 5,0% no mês imediatamente anterior, enquanto ao mês, o avanço foi de 0,8%, contra 0,9%. Os preços do setor mostram que as condições da demanda por imóveis ao longo do período superaram as expectativas do mercado. Ainda, o Tesouro Britânico apresentará A Declaração de Outono. O documento se trata de um "mini-Orçamento" do Tesouro do Reino Unido.

Na Alemanha, após dados acima do esperado no mercado de trabalho divulgados ontem, a agência Destatis trará a púbico os números do varejo e do PIB alemães.

Começando pelas vendas no varejo, devido ao início das discussões sobre possíveis aumentos de restrições sociais, as projeções do mercado contavam com uma queda de 0,8%, ante elevação de 3,1% em agosto. O indicador alcançou 6,5%, próximo do esperado pelo mercado. Ao mês, houve forte queda de 2,2%, contra expectativas de retração de 0,8%.

Quanto ao PIB, os mercados esperavam elevação de 7,3%, contra a retração de 9,7% no segundo trimestre. Mas o relatório apresentado pela Destatis evidenciou avanço de 8,2%, superando as expectativas do mercado. Na perspectiva anualizada, houve queda de 4,1%.

Para a Zona do Euro, a expectativa do IPC ainda era de deflação, repetindo os números do setembro, com queda de 0,3% nos preços. A Eurostat mostrou que a inflação do bloco alcançou 0,2% ao mês, enquanto ao ano,ainda há deflação de 0,3%.

Já o PIB trimestral apresentou avanço considerável, crescendo 12,7% no terceiro trimestre, contra expectativas de 9,4%. Ao ano, a queda foi mais suave do que se esperava, com retração de 4,3%, contra a expectativa de retração de 7,0%.

Quanto à taxa de desemprego de outubro, o avanço da Covid-19 na Europa, levando os governos a tomarem medidas de isolamento social para evitar o aumento do contágio, fez com que o índice permanecesse em 8,3%, em linha com as expectativas do mercado.

Nos EUA, após dados do PIB acima do esperado, a agenda econômica novamente terá muitos dados importantes de conjuntura econômica. Começando pelos números do índice de preços das despesas pessoais (PCE), os agentes fizeram projeções cautelosas para o mês de setembro, com o indicador saindo de 1,6% em agosto e alcançando 1,7% na perspectiva anual. Na comparação mensal, casos as expectativas do mercado se materializem, o índice alcançará 0,2% em setembro, ante 0,3% no mês anterior.

Apesar do avanço na economia americana em setembro, o crescimento econômico ocorre de forma heterogênea, sendo que em algumas regiões há avanço moderado da atividade econômica, enquanto em outras a economia avança de forma mais suave.

Tais perspectivas afetam indicadores relacionados aos gastos e à renda pessoal. A renda depende do emprego e da demanda por trabalho, que sobem de acordo com o avanço da atividade econômica. Assim, após a renda pessoal retroceder 2,7% em agosto, os agentes esperam avanço de 0,4%. Quanto aos gastos, há expectativa de nova aceleração, em 1,0%, mesma intensidade apresentada em setembro.

Em Chicago, importante região dos EUA, a agência de pesquisa ISM Inc. publicará o PMI, mostrando a força da atividade econômica com base nos pedidos dos gerentes de compras das companhias da cidade. Haja vista a retomada no avanço do número de infectados no Estado de Illinois, os agentes esperam que o indicador tenha retração de 7%, saindo de 62,4 pontos em setembro e alcançando 58 em outubro.

Por fim, haverá a contagem das sondas de petróleo da companhia Baker Hughes, contribuindo para formar as expectativas em torno da produção de petróleo em solo americano.

Por aqui, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicará a taxa de desemprego e o índice de preços ao produtor (IPP).

Apesar dos números positivos do Caged, apresentando dados acima do esperado pelo mercado com a criação de 313,56 mil vagas, o número de pessoas que está procurando emprego por conta da reabertura da economia faz a taxa de desemprego subir. A expectativa dos agentes é de que o indicador saia de 13,8% e alcance 14,1%.

Para o índice de preços ao produtor (IPP), a queda nos preços das commodities ao longo do mês faz surgir a esperança por uma aceleração mais suave, saindo de 3,28% em agosto para 1,74% em setembro. Ao ano, o indicador pode chegar a 16,65%.

Quanto aos dados fiscais, após o resultado primário do governo central apresentar déficit melhor que o esperado, o Tesouro divulgará os números da relação dívida/PIB, com expectativas de avanço de 61,8% em setembro, contra 60,7% em agosto.

No entanto, com base nos números divulgados ontem, há expectativa de melhora no balanço orçamentário de setembro, saindo de um prejuízo de - R$ 232,880 bilhões para - R$ 96 bilhões. Já o superávit orçamentário tem expectativas de retração de 15,29%, alcançando - R$ 74,2 bilhões.

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