Covid-19 presente

Vamos ficar na dependência dos ruídos da CPMF e do comportamento dos mercados no exterior.

Opinião do Analista / 13:29 - 14 de jul de 2020

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Ontem as Bolsas americanas reverteram altas de quase todo o dia e perderam tração fortemente no final da tarde arrastando também a Bovespa. Aqui, fechamos em queda de 1,33%, índice em 98.697 pontos, com variação entre máxima e mínima de algo como 2.200 pontos. O Dow Jones engoliu toda alta e fechou com +0,04% e Nasdaq cedeu 2,13%. O dólar aqui fechou com alta de 1,31%, cotado a R$ 5,39.

Motivo da reversão foi novamente o aumento da contaminação pela Covid-19 assustando os investidores, com relatos de fechamento de estabelecimentos na Califórnia, Flórida batendo recorde de contágio, Hong Kong impondo restrições de contato, Bulgária também e outros países. Portanto, medo com a segunda onda atrasando a recuperação das economias.

Junto com isso, novos lances pesados na diplomacia internacional entre os EUA e a China, mas ainda sem afetar (segundo dizem), os acordos firmados na primeira fase das negociações comerciais. Hoje, mercados da Ásia terminaram o dia com quedas e destaque para Hong Kong com -1,14%, Europa operando com quedas e absorvendo reversão americana durante a tarde, e futuros do mercado americano em recuperação, mas já saindo das máximas.

Aqui, o vice-presidente Hamilton Mourão trouxe de volta a discussão da CPMF que tanto mau-humor causa e assusta os investidores. É um imposto cruel (fácil de arrecadar), mas que retira a competitividade de nossos produtos. Um imposto em cascata. Com isso, a Bovespa não deveria perder o patamar ao redor de 95 mil pontos, e vamos ficar na dependência dos ruídos da CPMF e do comportamento dos mercados no exterior.

Na China, durante a madrugada, tivemos o anúncio do saldo da balança comercial em junho que surpreendeu. Exportações crescendo 0,5% e importações recuperando com +2,7%, depois de caírem 16,7% em maio. Com isso, o superávit comercial de junho foi de US$ 46,4 bilhões, quando o esperado era US$ 59 bilhões. No Reino Unido, a produção industrial de maio cresceu 6%, mas o previsto era expansão de 7,5%.

Na Alemanha, a inflação medida pelo CPI (consumidor) subiu para 0,9% em junho e o índice Zew de expectativas econômicas de julho caiu para 59,3 pontos, de esperado 60 pontos. Já na zona do euro, a produção industrial expandiu 12,4%, também com projeção maior em 13,2%. Nos EUA, a safra de balanço mexe pontualmente com os mercados. O JP Morgan teve lucro comparativamente menor, mas veio melhor que o previsto (ação sobre 2,3% no pré-mercado) e a Delta teve prejuízo maior de US$ 5,72.

No mercado internacional, o petróleo WTI em Nova Iorque mostra nova queda de 0,95%, com o barril cotado a US$ 39,72. O euro sobre para US$ 1,136 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 0,63%. O ouro e a prata em queda na Comex e commodities agrícolas com comportamento misto. O minério de ferro é que teve mais um dia de alta na China, subindo 1,25% e cotado no fechamento em US$ 112,48%.

No segmento local, o presidente Jair Bolsonaro deu entrevista dizendo estar bem da Covid-19. Mas os gestores dos fundos Nordea (entre os 10 maiores do mundo) pararam de comprar ativos do Brasil por conta dos desmatamentos. Mas também, na Noruega, fundo reconheceu a novamente a governança em Petrobras.

Expectativa para o dia é uma tentativa de recuperação da Bovespa, mas vai precisar de fluxo e ajuda externa com notícias melhores. O dólar pode ficar mais fraco e juros mais longos podem seguir pressionados.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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