Covid não é primeira, nem a mais letal

Peste Negra, Aids, Gripe Espanhola, doenças que afetaram e afetam a humanidade.

A Covid-19 não é a primeira nem a mais letal peste que devastou o mundo. Outras piores vieram e outras muito piores virão. A primeira peste terrível ficou conhecida como a “Praga de Atenas”. Atenas, na Grécia, era o berço da civilização. No verão de 430 a.C. foi abalada por uma doença letal e misteriosa que até hoje desafia a argúcia dos cientistas. A praga surgiu no meio da Guerra do Peloponeso, quando Atenas digladiava contra Esparta pela supremacia na Grécia, e matou milhares de pessoas entre 430-429 a.C. Acredita-se que a grande movimentação de soldados, fugitivos e escravos tenha disseminado o sarampo, varíola, o tifo ou a peste bubônica.

Outra peste devastadora foi a “Antonina”, um surto de varíola iniciado entre as tropas romanas baseadas em Pártia, na Mesopotâmia. Ao alastrar-se para Roma, trazida pelos legionários de Pártia, a peste matou duas mil pessoas por dia e cinco milhões no total (cerca de 10% da população).

Outra pandemia letal foi a Peste Negra, um surto macabro na Idade Média que se estendeu de 1347 a 1353 e matou mais de 50 milhões de pessoas. Estudiosos afirmam que a doença chegou à Europa por meio de navegantes e comerciantes genoveses que fugiam da Crimeia. Caffa, uma colônia genovesa, estava em guerra com o Canato da Horda Dourada. Cercada, a cidade foi atacada com cadáveres infectados de peste bubônica. Quando a doença alastrou-se por Caffa, os genoveses fugiram e a levaram consigo para Constantinopla, Marselha e Gênova. A doença era causada pela bactéria yersinia pestis, encontrada nas pulgas dos ratos. A peste negra teria matado 2/3 da população da Europa.

A “Gripe Espanhola” foi uma epidemia causada pela mutação do vírus influenza entre 1918 e 1919. Tem esse nome porque a Espanha era neutra na Primeira Guerra e sua imprensa podia falar livremente sobre a peste, contar os mortos e apontar os culpados. Não se sabe ao certo onde começou o surto. Estima-se que tenha sido na China ou nos EUA porque o primeiro caso foi o do soldado Albert Gitchell, sediado em Fort Riley, Kansas. A “Gripe Espanhola” matou mais de 50 milhões de pessoas. A deflagração da Primeira Guerra Mundial ajudou a disseminar o vírus. Nos EUA morreram cerca de 675 mil pessoas. A “Gripe Espanhola” chegou ao Brasil em setembro de 1918 e matou cerca de 35 mil pessoas.

A Aids é outra pandemia moderna transmitida pela relação sexual, pelo uso de agulhas compartilhadas ou transfusão de sangue. Até o final de 2018 quase 75 milhões de pessoas haviam sido contaminadas com Aids e cerca de 32 milhões haviam morrido. São também consideradas epidemias de grande letalidade o Ebola, a “gripe suína”, a Chicungunha e a Zika.

O primeiro caso de Covid-19 (um chinês de 61 anos de idade) ocorreu em Wuhan, na China, e a origem da sua doença provavelmente tenha sido algum animal (supõe-se que morcego) comprado num dos muitos mercados de frutos do mar da cidade. O mercado de Wuhan foi imediatamente fechado para desinfecção. Inicialmente, pensava-se que o coronavírus fosse um vírus sintético desenvolvido como arma química e que escapara do controle das autoridades militares chinesas.

Depois, chegou-se à conclusão de que fora transmitida naturalmente aos humanos pela ingestão da carne de um tipo de morcego muito comum na região e que habitualmente faz parte da alimentação das populações rurais da China, e vendidos livremente, ainda vivos, nos mercados populares.

Após o primeiro caso de Covid em Wuhan, outro surgiu na Tailândia, que também tem hábitos alimentares semelhantes aos dos chineses. A mulher morta tinha voltado de Wuhan. Depois desses, casos foram aparecendo em Taiwan, no Japão e na Coreia do Sul. Em 15 de janeiro, um infectado em Wuhan chegou a Seatle (EUA) e a doença se alastrou pelo país. Em 31 de dezembro, a Organização Mundial de Saúde emitiu o primeiro alerta sobre a doença.

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Mônica Gusmão
Professora de Direito Empresarial, do Consumidor e do Trabalho.

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