Covid: sem formação específica no uso de TI para gestores culturais

Falta de infraestrutura de acesso na região foi mencionada por 15% dos responsáveis pelas bibliotecas.

A 3ª edição da TIC Cultura, pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) conduzida, entre fevereiro e agosto de 2020, pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) trouxe indicadores inéditos relacionados à formação dos gestores culturais. A pesquisa mostrou que a maioria dos responsáveis pelas instituições ouvidas possuía pós-graduação ou Ensino Superior completo. Apesar do alto grau de escolaridade, grande parte não tinha formação específica em gestão cultural e relacionada ao uso de tecnologias na área.

Aproximadamente metade dos gestores dos pontos de cultura (55%), teatros (50%) e museus (47%) relatou ter formação específica em gestão cultural. A porcentagem caiu sensivelmente quando o foco foi direcionado para a formação sobre o uso de tecnologia no setor: menos de um terço dos responsáveis pelos diversos tipos de equipamentos culturais disseram ter esse tipo de capacitação, com proporção um pouco maior apenas entre pontos de cultura (41%).

Da mesma forma, a capacitação das equipes para desenvolver ou melhorar as habilidades no uso de computador e Internet também era baixa: a oferta de treinamento interno atingia pouco mais de um terço dos arquivos (35%) e cinemas (37%), e o pagamento de cursos externos cerca de um quinto deles (22% e 19%, respectivamente), sendo ainda menos comum entre os demais tipos de equipamentos culturais.

Entre as dificuldades mais mencionadas pelos gestores das instituições para o uso das TIC estavam a falta de recursos financeiros para investimento em tecnologia e a pouca capacitação da equipe no uso de computador e Internet. Essas são barreiras a serem consideradas para a oferta de bens e serviços e o desenvolvimento de atividades no ambiente digital, demandas amplificadas em decorrência da pandemia.

O estudo revelou ainda fragilidades ligadas ao acesso às TIC nas instituições culturais, evidenciando a necessidade de investimentos em infraestrutura tecnológica e conectividade. A proporção dos que não utilizaram computador e Internet nos 12 meses anteriores à pesquisa era maior entre bens tombados, bibliotecas e museus. Em 2020, cerca de um quarto das bibliotecas (25%) e museus (23%) e dois quintos dos bens tombados (40%) não faziam uso da rede.

A falta de infraestrutura de acesso na região foi mencionada por 15% dos responsáveis pelas bibliotecas e 11% dos responsáveis pelos bens tombados e pelos museus como motivos para explicar o problema. Já o alto custo da conexão, por 14% dos gestores de bens tombados, 10% de museus e 9% de bibliotecas.

A disponibilização de computadores e Internet para uso do público se destacava entre arquivos, bibliotecas e pontos de cultura: cerca de metade dessas instituições possuía infraestrutura que possibilitava o acesso às tecnologias digitais por parte da população. Embora a presença do público tenha ficado comprometida, diante do fechamento das instituições em um cenário de pandemia, essa é uma dimensão reveladora do papel dos equipamentos culturais na inclusão digital de parcela da população, que se torna ainda mais relevante com a intensificação do uso das TIC em diferentes dimensões da vida – não apenas cultural, mas escolar e profissional, de acesso à informação e a serviços públicos.

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