Covid, SUS e desemprego são as maiores preocupações do brasileiro

Estudo também mensurou satisfação com o rumo do país; 57% acham que Brasil vai na direção errada.

Conjuntura / 14:33 - 22 de mai de 2020

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A crise do coronavírus, o acesso ao sistema de saúde e o desemprego foram os temas que mais preocuparam a população brasileira durante o mês de março. É o que aponta a pesquisa "What Worries the World" realizada entre 20 de março de 3 de abril com entrevistados do Brasil e de outros 27 países. Covid-19 ficou em primeiro lugar no ranking, com 52%. A segunda posição, acesso ao sistema de saúde, teve 46%. Para completar o pódio, o desemprego foi citado por 39% dos ouvidos brasileiros. Em quarto e quinto lugar, respectivamente, ficaram pobreza e desigualdade social (32%) e crime e violência (28%).

Ao considerarmos todas as pessoas que responderam à pesquisa nas 28 nações participantes, os temas de maior preocupação se mantêm os mesmos, mas em ordem distinta: Covid-19, com 61%, permanece na primeira posição. Desemprego vem em segundo, com 35%. Em terceiro lugar, acesso ao sistema de saúde teve 28%. Pobreza e desigualdade social (27%) e corrupção (22%) fecham o chamado "top-5" global. Entre todos os 28 países pesquisados, somente quatro (China, Rússia, África do Sul e México) não citaram a pandemia como sua principal preocupação.

A pesquisa também mensurou o quanto os entrevistados estão satisfeitos com o rumo de suas nações. Neste quesito, o Brasil parece estar relativamente dividido. Enquanto 57% dos brasileiros acreditam que o país está no caminho errado, 43% acham que está na direção certa. A percepção global é um pouco menos negativa: 54% das pessoas ouvidas ao redor do mundo ponderam que seus países estão no rumo errado. Para 46%, seus países estão na direção certa. Analisando as 28 nações, quem desponta no ranking dos mais otimistas é a China, com 99% dos entrevistados locais acreditando que estão no caminho certo. Arábia Saudita (90%) e Peru (75%) seguem a liderança asiática. Na outra ponta, o país que conquistou o título de mais pessimista é o Chile, já que apenas 20% creem que o país vai na direção correta. França (26%) e África do Sul (29%) completam o fim da lista.

A pesquisa foi realizada virtualmente com 19,5 mil pessoas com idade entre 16 e 74 anos em 28 países, incluindo o Brasil. A margem de erro para o Brasil é de 3,1 p.p..

Outro levantamento, realizado pela Ticket, traz um retrato do comportamento do trabalhador do Sudeste e foi realizada com mais de 4 mil usuários de seus benefícios, como o Ticket Restaurante e o Ticket Alimentação, em todo o Brasil, entre os dias 24 e 27 de abril. O estudo também permite comparar informações com outras coletas de dados, implementadas de 20 a 22 de março e de 3 a 5 de abril, e que permitiram verificar as mudanças na adoção do teletrabalho.

De acordo com o levantamento, o número de profissionais do Sudeste que declararam estar em trabalho remoto diminuiu 14 pontos percentuais no comparativo com o levantamento realizado no início de abril. Naquela ocasião, 73% dos trabalhadores indicaram estar operando de maneira remota; hoje, são 59%.

Já no comparativo com os dados de março, a diferença é de apenas 6 pontos percentuais, passando de 65% no primeiro levantamento para 59% no momento atual. Isso mostra que as políticas de home office passaram por uma curva com pico de atividade remota no início de abril.

A possibilidade de encontrar com amigos da empresa (21%) ou pessoais (16%) na hora do almoço foram os destaques em relação ao que os trabalhadores sentem falta com relação à alimentação fora de casa. Também foram ressaltados a maior diversidade de pratos disponíveis (20%) e a praticidade e rapidez na pausa para se alimentar (19%), além da maior facilidade de manter uma refeição mais equilibrada proporcionada pelos restaurantes (18%). Oportunidades de networking (3%) e a chance de conhecer pessoas novas (3%) foram outros aspectos indicados.

O levantamento ainda indica uma mudança de perfil nos hábitos de consumo: 67% dos respondentes disseram que pretendem manter a prática de realizar compras por meio de delivery em supermercados, restaurantes e outros estabelecimentos, depois de passada a pandemia do coronavírus.

A maioria dos respondentes (46%) atua no segmento de serviços. Também participaram profissionais da indústria (19%), do comércio (13%), da saúde (12%), da área pública (7%) e empresários ou profissionais autônomos (2%).

O estudo também permite inferir a percepção emocional do trabalhador brasileiro em meio a quarentena. Aos serem questionados sobre os sentimentos mais presentes nesse momento, as emoções mais relatadas foram preocupação (17%), que podem desfrutar mais a companhia das pessoas com quem moram (10%), medo (9%), esperança (9%), confiança (8%), saudosismo (8%), estresse (6%), tédio (6%), insegurança (6%), otimismo (5%), calma (4%), depressão (3%), solidão (3%), organização (3%), criatividade (2%), coragem (2%).

O maior sentimento de perda durante a quarentena é justamente aquele relacionado com o convívio com outras pessoas: a primeira coisa que os trabalhadores desejam fazer assim que o período de isolamento social acabar é visitar amigos e familiares (26%), recebê-los em casa (17%) ou marcar encontros fora de casa (10%). Os trabalhadores também sentem falta da liberdade para visitar lugares que lhes proporcionem contato com a natureza (como parques, trilhas e cachoeiras), fator destacado por 12% dos entrevistados; ir à academia ou praticar atividades físicas fora de casa (10%), passear no shopping (9%), viajar (9%) ou participar de festas e eventos (5%).

A pesquisa também apurou os principais receios dos trabalhadores em relação ao momento atual. Para 25% dos respondentes, a preocupação premente é com relação à possibilidade de agravamento da crise financeira no País, ou ficar afastado do trabalho e ver a renda familiar ser reduzida (11%). O medo de ver a família atingida pela doença também preocupa a 25% dos entrevistados, assim como a possibilidade de enfrentar a morte ou o luto (20%), ou não conseguir atendimento médico (12%).

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