Cozinhar com água de cisterna no fogão a lenha

Bolsonaro corta investimentos do programa de cisternas.

A ausência de políticas sociais destinadas a cobrir as necessidades da população mais atingida pela crise, está levando muita gente a regredir no tempo a ter que se valer de métodos de sobrevivência ultrapassados e prejudiciais à saúde. Após o retorno ao uso de lenha para substituir, devido ao alto custo, o gás engarrafado, o brasileiro, para enfrentar a crise hídrica que o país enfrenta, a pior dos últimos 90 anos, tem como opção o uso de cisternas.

Com tecnologia simples e baixo custo, o programa de construção de cisternas levou água para consumo humano e para produção de alimentos a mais de 1,2 milhão de lares, em especial famílias da zona rural do semiárido brasileiro. Na área urbana a opção fica mais complicada diante das exigências de empresas que operam com o abastecimento de água e das agências reguladoras.

O drama de abastecimento de muitos brasileiros é resultado de decisões políticas do presidente Jair Bolsonaro, que está exterminando políticas públicas que deram certo como o Programa Nacional de Apoio à Captação de Água de Chuva e Outras Tecnologias Sociais (Cisternas), criado em 2003.

Em 2020, segundo ano do governo Bolsonaro, com a falta de investimentos na construção de cisternas, o programa recebeu o menor volume de recursos desde a criação. Foram construídas apenas 8.310 cisternas. Desde 2014, quando foram construídas quase 150 mil cisternas, o programa já sofreu uma redução de 94% nos investimentos.

Em reais, em 2014, o total de investimentos no programa de construção de cisternas foi de R$ 845,1 milhões. Em 2019, foram R$ 75 milhões, ou seja, menos de 10%. Já em 2020, praticamente não há investimentos, mesmo tendo sido um ano de pandemia em que o acesso água é mais do que necessário para manter a higienização e evitar a proliferação da Covid-19.

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