Crédito para empresas afetadas por tarifaço

Exportações brasileiras do agronegócio para os Estados Unidos registram queda de 31,3%

1232
Plantação de café
Plantação de café (foto divulgação)

A ampliação do acesso às linhas emergenciais de crédito aos setores afetados pelo tarifaço nos Estados Unidos, anunciada na quarta-feira, poderá sair do papel. Em reunião extraordinária nesta quinta-feira, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou as mudanças nos financiamentos do Plano Brasil Soberano.

As novas regras ampliam o acesso ao crédito, reforçam critérios de elegibilidade (para ter direito às linhas) e incluem fornecedores das empresas exportadoras entre os beneficiários.

No total de R$ 30 bilhões, as linhas emergenciais foram criadas pelo CMN em agosto, com base na Medida Provisória 1.309. O Plano Brasil Soberano tem como objetivo preservar liquidez, sustentar a produção e proteger empregos nos setores mais afetados pelo choque tarifário.

Exportações

As exportações brasileiras do agronegócio para os Estados Unidos registram queda de 31,3%, o que representa US$ 973,1 milhões a menos na economia dos Municípios, quando comparado com o acumulado dos meses de agosto, setembro e outubro de 2024. Os dados são resultados de três meses de aplicação das sobretaxas pelos Estados Unidos.

Espaço Publicitáriocnseg

Entre os setores mais afetados estão a cana-de-açúcar, produtos florestais, carne bovina e cafeicultura. O açúcar de cana em bruto praticamente deixou de ser exportado para os Estados Unidos. Nos três meses, o Brasil embarcou 231 milhões de toneladas a menos, resultando em perda econômica de US$ 111,3 milhões no período. A carne bovina in natura acentuou as perdas em outubro, passando a ser o setor mais impactado com o tarifaço, chegando a uma redução total de US$ 169,6 milhões em relação ao mesmo período do ano anterior.

Na produção florestal, a exportação de celulose para os Estados Unidos apresentou forte retração em outubro de US$ 68 milhões, o que resultou em aumento das perdas no trimestre para US$ 137 milhões nas exportações. A venda de papel teve uma queda de US$ 36,7 milhões e o café verde exportou 36,9 milhões de toneladas a menos que no mesmo período anterior, o que representa uma perda de US$ 71 milhões para a economia dos Municípios.

Entre os Municípios mais afetados estão Imperatriz (MA), que apresentou uma queda de US$ 50 milhões, e Santa Cruz do Sul (SC), que registrou uma perda de US$ 44 milhões. Outros Municípios que apresentaram queda significativa nas exportações em comparação ao mesmo trimestre do ano anterior foram Três Lagoas (MG), com redução de US$ 42 milhões; Campo Grande (MS), com perda de US$ 36 milhões; e Ituiutaba (MG), com queda de US$ 34 milhões.

A Confederação Nacional de Municípios (CNM) realizou um levantamento com Municípios exportadores e identificou que algumas prefeituras foram procuradas por produtores afetados pelas novas tarifas. “Os Municípios têm atuado para apoiar os produtores na busca por novos mercados. Para esses gestores, a principal preocupação está relacionada às possíveis perdas de empregos e à redução da arrecadação municipal. Qualquer redução de arrecadação significa menos dinheiro no Município e quem sofre não é só o gestor, mas principalmente a comunidade”, destaca o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski.

Com informações da Agência Brasil

Siga o canal \"Monitor Mercantil\" no WhatsApp:cnseg