Cresce número de alunos de faculdades privadas que estão desempregados

Levantamento apontou aumento de 2% no desemprego ante abril; instituições investem em matrículas de inverno, que já são 40% da receita.

Conjuntura / 14:27 - 14 de jul de 2020

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Cresceu o número de estudantes de instituições de ensino privadas que ficaram desempregados em meio a pandemia, é o que aponta a nova pesquisa realizada pela plataforma Quero Educação, que ouviu mais de 1.200 alunos em todo o Brasil. No primeiro levantamento, em abril, 29% dos estudantes ouvidos afirmaram ter pedido o emprego. Em junho, esse número aumentou para 31%. Apesar da elevação da taxa de desemprego, 8% afirmaram que conseguiram se realocar.

A confiança do estudante melhorou entre as duas pesquisas. Em junho, 31,71% indicaram que podem ficar inadimplentes, queda de 12 pontos percentuais comparado ao número apurado em abril (43,92%).

"Menos estudantes indicando o risco de não poder pagar as mensalidades, mesmo com o desemprego crescente, indica que o primeiro impacto provocado pela crise se dissipou e os alunos agora conseguem ter uma perspectiva mais clara sobre as dificuldades impostas pelo momento. Ao mesmo tempo, as instituições de ensino estão em busca de soluções para evitar atrasos nos pagamentos das mensalidades e evasão", afirma Marcelo Lima, diretor de Relações Institucionais da Quero Educação.

A chance de abandonar o curso também diminuiu entre os respondentes, passou de 36% em abril para 26% em junho. Segundo Marcelo, isso se deve à flexibilidade de pagamento oferecida pelas faculdades, que incluem parcelamento e prorrogação de prazo para o pagamento das mensalidades. Para elas, é preferível receber pouco e manter os alunos, do que não receber e ver alunos evadirem.

Nesse cenário, as faculdades estão investindo nas matrículas de inverno, que representam 40% da receita anual, para conseguir se manter, motivo pelo qual elas estão se adaptando para matricular alunos em meio a pandemia. Uma das alternativas é a adoção de vestibulares e matrículas digitais e o oferecimento de descontos de até 80% nos cursos.

Em abril, estudo do Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior Privado (Semesp) já apontava que a suspensão das aulas presenciais e a expectativa de aumento do desemprego, em decorrência do isolamento social poderiam resultar no aumento dos índices de inadimplência e evasão das Instituições de Ensino Superior privado.

Na ocasião, levantamento apresentado pelo diretor-executivo do Semesp, Rodrigo Capelato, previa que a taxa de inadimplência das mensalidades de universidades privadas deve subir de 9,5%, em 2019, para até 11,2% neste ano, em um cenário classificado como "pessimista" pela entidade. Em uma projeção de cenário “realista”, o índice deve ficar em 10,6%. Já no cenário "otimista", ficaria em 10,1%.

Para ser considerado como inadimplência, o pagamento da mensalidade tem que estar atrasado há pelo menos 90 dias. No entanto, como o isolamento social teve início há menos tempo, o Semesp fez uma projeção, considerando a inadimplência pelo prazo de apenas um mês. Nesse recorte, ao comparar a taxa de inadimplência referente apenas ao mês de abril, ela aumentou de 14,9% (abril de 2019) para 25,5% (abril de 2020). Outra preocupação manifestada pela entidade é a taxa de evasão de alunos. De 2016 a 2019, o índice variou entre 30,3% (2017) e 31,8% (2018). Em 2019, ficou em 31%. Na projeção apresentada pela Semesp, em um cenário "realista", o índice deverá ficar em 33,1% em 2020. Já em cenários pessimista e otimista, a inadimplência pode ficar em 34,4% e 32,4%, respectivamente.

Tendo como base o mês de abril, a variação ficou em 11,5%, considerando que estava em 3,8% em 2019; e em 4,3% em abril de 2020, informou Capelato. Segundo o diretor, "o desemprego prejudicará o setor porque os alunos trancarão as matrículas".

 

Com informações da Agência Brasil

 

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