Crescem vendas de brinquedos falsificados

Já segundo associação de shoppings, lojistas esperam aumento de até 30% nas vendas no Dia das Crianças.

Com o Dia das Crianças, a procura por brinquedos infantis deve aumentar muito nas próximas semanas, o que pede um cuidado redobrado para os consumidores. A falsificação de produtos, um dos crimes mais recorrentes pelo país, é uma das grandes preocupações do comércio nacional – não apenas para quem os fabrica e vende – mas principalmente para a saúde de quem os compra.

De acordo com um levantamento do Fórum Nacional Contra a Pirataria e Ilegalidade (FNCP), o Brasil perdeu cerca de R$ 287,9 bilhões apenas para o mercado ilegal em mais de 2,6 bilhões de produtos falsos apreendidos em todo o país em 2020. Os brinquedos falsificados, em grande parte produzidos na China, ingressam em território nacional de forma clandestina – seja pela via terrestre, através das fronteiras com outros países sul-americanos, ou pelos portos e aeroportos, que dificilmente possuem recursos para fiscalizar o alto volume de pacotes que aqui desembarcam.

Sem passar por qualquer fiscalização ou controle de qualidade em relação ao seu material, os produtos falsificados podem representar riscos para as crianças pela presença de materiais tóxicos ou defeitos, por exemplo. “Brinquedos falsificados podem apresentar peças pequenas, pontiagudas que facilmente se destacam e materiais tóxicos ou inflamáveis em sua composição”, explica Mariana Benfati, sócia da Daniel Advogados. “Não são raros os casos de crianças que foram hospitalizadas em virtude de engasgamentos e intoxicação causados por brinquedos fora dos padrões de qualidade do Inmetro. O barato pode sair muito caro.”

Segundo Natalia Gigante, sócia da Daniel Advogados, com a pandemia, a situação se agravou com o crescimento da pirataria online, dificultando ainda mais a fiscalização dos produtos. “Se, por um lado, a compra online oferece diversas vantagens aos consumidores como maior comodidade na compra, maior possibilidade de comparação entre preços e acesso à maior variedade de produtos, a mesma deve ser realizada com atenção para que seja evitada a compra de produtos contrafeitos”, alerta Gigante.

“A sociedade como um todo sofre com a problemática da pirataria, uma vez que tais produtos e suas cadeias de produção e distribuição se desenvolvem sem a devida observância ao pagamento de impostos, que poderiam ser usados em benefícios para a população”, afirma Benfati. “Sendo assim, seja no ambiente online ou nas gondolas e prateleiras das lojas, é importante que os pais tenham cautela na hora de escolher bem o presente de Dia das Crianças para não cair em golpes e colocar a vida dos pequenos em risco”.

Todo brinquedo vendido no Brasil deve ser certificado pelo Inmetro, independentemente de ser fabricado no país ou não, para garantir ao consumidor que o produto não é impróprio para consumo.Já pesquisa da Associação Brasileira de Lojistas

de Shopping (Alshop) com lojistas associados que representam 1.200 pontos de venda sobre a expectativa com o Dia das Crianças apontou que 87,5% dos lojistas esperam aumento nas vendas de até 31% até a próxima terça-feira, 12 de outubro. Neste universo, 50% esperam aumento de até 20% nas vendas e 37,5% esperam incremento entre maior, entre 21 e 30% nas vendas. Os otimistas que esperam um aumento superior a 31% representam 6,3%, assim como os comerciantes que esperam apenas a estabilidade nas vendas por ocasião desta data.

Eletroeletrônicos como tablets e smartphones, que se destacaram nas vendas em anos anteriores, definitivamente não tem sido os itens mais procurados no comércio, segundo os associados da Alshop. A maioria dos consumidores está procurando presentes mais baratos: 18,8% dos consumidores procuram itens de até R$ 80 e outros 75% procuram itens de R$ 81 a R$ 150. Os eletrônicos, itens de valor agregado mais alto, têm sido procurados por apenas 6% dos clientes nas lojas e sites.

Em meio a alta generalizada de custos como o aluguel, combustíveis, energia e de insumos, além da elevação de preços de itens importados por conta do dólar, os preços estão mais caros também na vitrine das lojas. E com a renda reduzida, inflação e ainda incertezas quanto à retomada da economia, os associados da Alshop já perceberam que o comportamento do consumidor mudou, mas apesar do cenário atual, o lojista está otimista com a atividade comercial no final deste ano.

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