Crescimento da economia chinesa aumentará exportações brasileiras

Vendas cresceram 14,6% no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2019.

Negócios Internacionais / 15:14 - 20 de jul de 2020

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O aumento de 3,2% do Produto Interno Bruto (PIB) da China no segundo trimestre de 2020 em comparação com o mesmo período do ano anterior, divulgado na noite desta quarta-feira, 15, deve ampliar a vantagem do Brasil na balança comercial com o país asiático. Para analistas, a recuperação ante a queda de 6,8% das atividades econômicas nos três primeiros meses do ano reforçará as exportações brasileiras, que neste ano já apresentam resultados melhores do que no ano passado.

A China é o principal parceiro comercial brasileiro e foi destino de 28,1% das exportações em 2019, segundo dados do Ministério da Economia. O país asiático foi responsável pela compra de US$ 65,389 bilhões de produtos do Brasil no último ano, principalmente soja, minério de ferro e proteína animal. Em contrapartida, os chineses venderam US$ 35,881 bilhões ao país.

Segundo a diretora-executiva do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), Claudia Trevisan, mesmo com o recuo histórico do PIB chinês nos três primeiros meses deste ano, e a consequente crise econômica mundial causada pelo novo coronavírus, as exportações brasileiras cresceram 14,6% no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2019.

A tendência é manter esse crescimento ao longo do ano, principalmente se a economia chinesa continuar se recuperando”, afirma. A alta, segundo a entidade, foi puxada pelo aumento de 165% das exportações de carne bovina e 167% de carne suína após uma crise sanitária que forçou a redução da produção de proteína animal no país asiático no ano passado. Além disso, a soja teve aumento de 31% e o minério de ferro cresceu 27% no último semestre. “A China tem uma política de crescimento pautada no investimento em infraestrutura, com muito uso do aço. Então a previsão é que a venda do minério de ferro também cresça nos próximos meses.”

 

O crescimento das exportações do agronegócio

As exportações do agronegócio brasileiro devem bater recorde em 2020, totalizando US$ 106,1 bilhões, projeta a consultoria Cogo – Inteligência em Agronegócio. Com importações estimadas em US$ 12,3 bilhões, o saldo da balança comercial do setor também deve ser o maior da história: US$ 93,8 bilhões. No primeiro semestre, a participação do agronegócio nas exportações brasileiras chegou a 50,8%. No mesmo período do ano passado, respondia por 43,2% dos embarques.

Os embarques tiveram o melhor junho da série histórica, iniciada em 1997, com as vendas externas somando US$ 10,17 bilhões. Em relação a junho de 2019, isso representa crescimento de 24,5%. O principal responsável pelo crescimento das exportações no mês passado foi o complexo soja.

Os cinco principais setores exportadores do agronegócio em junho de 2020 foram: complexo soja (com alta de 53,3% em relação ao ano anterior); carnes (com acréscimo de 13,9%); produtos florestais (com crescimento de 9,5%); açúcar (com aumento de 9,2%) e café (com avanço de 3,2%). Esses setores responderam por 89% do valor total exportado pelo Brasil no mês. A China aumentou a participação nas exportações brasileiras do agronegócio, atingindo uma participação de 39,6% no valor total exportado pelo agronegócio brasileiro em junho de 2020.

 

Queda de 15% nas exportações do Rio

O Estado do Rio de Janeiro registrou, de janeiro a maio deste ano, recuo de 15% nas exportações, com saldo negativo de US$ 2,4 bilhões, de acordo com a edição de junho do Boletim Rio Exporta, da Firjan. No período, o estado somou US$ 10,3 bilhões em exportações e US$ 12,8 bilhões em importações.

O principal responsável pelo resultado das exportações foi o recuo de 7% nas vendas de petróleo, aliado aos efeitos da pandemia da Covid-19 na atividade econômica. Essa queda deve-se, sobretudo, aos menores embarques de óleos brutos para a China (-27%) e para os Estados Unidos (-47%), no acumulado anual. O resultado negativo no mercado pode ser explicado pelo lockdown nesses países nos meses de março, abril e maio, quando houve sensível redução no consumo de combustíveis.

No cenário atual da pandemia, o contágio, os lockdowns e as eventuais interrupções nas cadeias de produção acontecem por ‘ondas’. Os estágios da crise não ocorrem em todos os países e em todos os continentes ao mesmo tempo, o que é altamente prejudicial para a indústria. Isso dificulta o planejamento logístico das empresas, a capacidade de fazer previsões econômicas e de prospectar negócios internacionais”, explica Giorgio Rossi, coordenador da Firjan Internacional, lembrando que o foco principal da pandemia já esteve localizado na China, Itália, Espanha, Inglaterra, EUA e, agora, encontra-se na América Latina.

A redução das exportações foi, ainda, consequência da diminuição nos embarques de produtos industrializados (-33%), no acumulado anual. As exportações para a União Europeia foram as que mais diminuíram (-48%), puxadas pela queda de 54% nas vendas para o mercado holandês, principalmente de tubos flexíveis de ferro ou aço.

 

Contato com o colunista: pietrobelliantonio0@gmail.com

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