O Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todos os bens e serviços produzidos no país – caiu 0,2% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com o último trimestre de 2018. Dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a economia brasileira cresceu 0,5% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado e 0,9% no acumulado de 12 meses.
Diante dos números apresentados pelo IBGE, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia afirmou em nota que o país precisa superar o desequilíbrio fiscal e aumentar a produtividade para voltar a crescer. De acordo com a secretaria, o governo está elaborando e implementando uma série de medidas para melhorar a produtividade. O texto destaca a reforma tributária, a abertura comercial, o aperfeiçoamento do mercado financeiro e de capitais, os programas de concessão e de privatização na área de infraestrutura, medidas para liberar o mercado de petróleo e gás, reduzindo o custo da energia, o combate à corrupção e aos desperdícios no setor público, e a eliminação de desonerações tributárias e de subsídios ineficientes.
Na nota, o órgão ressaltou ainda que a reforma da Previdência representa o primeiro desafio a ser superado, por estabilizar as contas públicas e reduzir as incertezas macroeconômicas, abrindo caminho para novos investimentos.
“O país não deixará de crescer nos próximos anos, e não há a expectativa de outra crise no curto prazo. Porém, esse crescimento continuará sendo lento, na faixa de 1,5% a 2% nos anos que estão por vir”, disse ao MONITOR MERCANTIL Felipe Medeiros, economista e sócio fundador da Mais Retorno, startup de assessoria em investimentos. Na opinião dele, algumas declarações do governo que poderiam ser mais pensadas acabam gerando uma repercussão negativa, e que nada contribuí, sobretudo com a relação com o Congresso
Qual o impacto desta queda do PIB no mercado financeiro?
– Não é obviamente um resultado bom, mas o impacto no mercado financeiro é quase zero. Primeiro porque já era esperado pelos agentes do mercado. Uma série de indicadores antecipavam o crescimento fraco, e muitos analistas já consideravam esse resultado. Então o impacto dessa queda no mercado financeiro nós vamos presenciar no curtíssimo prazo.
O IBGE afirma que o resultado foi impactado sobretudo pelo setor industrial. Qual a perspectiva a médio prazo de o país retomar o crescimento?
– De fato, o setor industrial foi o principal responsável por puxar a queda, também somado ao setor de agropecuária, que normalmente segura o resultado do PIB e desta vez contribuiu para o resultado mais fraco. O setor de serviço, e o consumo, pela ótica da demanda, tiveram resultados que ajudaram a manter esse crescimento. Olhando em perspectiva, há algumas coisas que podem melhorar. A despeito da reforma da previdência, que é extremamente importante do ponto de vista fiscal, muitos outros ajustes vêm sendo implementados desde os últimos anos que ajudam a pavimentar um melhor ambiente de negócios. Essas práticas devem continuar, embora os resultados só vão surgir ao longo do tempo. O país não deixará de crescer nos próximos anos, e não há a expectativa de outra crise no curto prazo. Porém, esse crescimento continuará sendo lento, na faixa de 1,5% a 2% nos anos que estão por vir.
Cinco meses após ter assumido, o governo já demonstra sinais de desgaste. Qual a sua análise sobre isso e sobre a condução da economia em especial?
– O principal problema do desgaste do governo não vem especificamente da parte econômica. A questão é que o Palácio do Planalto tem perdido tempo com questões que são polêmicas, que não agregam muito para o país, e geram, sobretudo, o embate com o Congresso. Se por um lado há o discurso de uma política diferente, por outro essa postura de não querer negociar com ninguém acaba travando tudo, jogando os congressistas contra o Executivo. E isso gera um impacto muito ruim, levando a uma demora maior para aprovar projetos prioritários para o país. Mesmo que haja a perspectiva que a Reforma da Previdência seja aprovada – até porque não há alternativa -, ficar entrando em polêmicas que não são relevantes para a nação torna esse desgaste algo muito ruim.
O Ministro Paulo Guedes declarou que se a reforma da Previdência não passar ele pode até deixar o posto. Esse tipo de declaração não causa mais desgaste em um ambiente já contaminado?
– Certamente não é uma declaração que ajuda a acalmar os ânimos, muito pelo contrário. O que se percebe é que ele quer dar um tom mais pesado de que se a reforma não passar o país vai quebrar. Algumas declarações que poderiam ser mais pensadas acabam gerando uma repercussão negativa, e que nada contribuí, sobretudo com a relação com o Congresso. O cenário econômico já não é positivo, e esse tipo de declaração com tom caótico e desesperador acaba por desagregar ainda mais.
Como esperar a retomada dos investimentos em um ambiente político e econômico conturbado como esse que temos?
– A gente imagina que o ambiente político deva continuar conturbado, até por ser uma característica bem forte dessa gestão. Mas, ao mesmo tempo, é esperado que reformas importantes ocorram e sejam implementadas. Ou seja, tanto do ponto de vista fiscal, como tributárias e outras medidas microeconômicas que contribuam para melhorar a captação de recursos externos, entre outras questões. Então muita coisa vem sendo discutida no plano econômico que podem repercutir de maneira positiva no médio prazo. Então se as reformas e as medidas forem mesmo executadas, a perspectiva é que ao longo do tempo o cenário econômico encontre um fôlego maior para atingir um crescimento mais robusto e sustentável.
















