Crescimento e desafios da desigualdade na China

A China planeja acabar com a pobreza extrema nos próximos dois anos. Um feito do qual poucos duvidam, haja vista o espetacular crescimento...

A China planeja acabar com a pobreza extrema nos próximos dois anos. Um feito do qual poucos duvidam, haja vista o espetacular crescimento econômico e social do país nas últimas três décadas, que surpreendeu até economistas consagrados. Mas se o salto possibilitou aumentar a renda e tirar milhões de pessoas da pobreza, não beneficiou todos os segmentos da população de forma igualitária. “De fato, a China passou de moderadamente desigual em 1990 a ser um dos países mais desiguais do mundo”, sustenta a pesquisadora do Fundo Monetário Internacional (FMI) Sonali Jain-Chandra, no artigo “Inequality in China”

O coeficiente de Gini, uma medida amplamente usada de desigualdade de renda, subiu 15 pontos desde 1990, para 50 (uma leitura de zero indicaria que todos têm a mesma renda, enquanto uma leitura de 100 significaria que a pessoa mais rica fica com toda a renda.) Essa é uma grande mudança, apesar de que um aumento na desigualdade poderia ter sido esperado à medida que o nível de desenvolvimento melhorasse. O que explica o salto?”

A pesquisadora lista: “Diferenças na educação são um importante fator de desigualdade, de acordo com um recente documento do FMI. A rápida mudança tecnológica e a industrialização impulsionaram a demanda e, portanto, a renda de trabalhadores altamente qualificados. Diferenças nos rendimentos entre áreas urbanas e rurais é outro fator importante. O nível de escolaridade é menor nas áreas rurais, e o sistema hukou de registro domiciliar da China limita a migração para áreas urbanas, onde os salários são mais altos.”

A China implementou políticas para limitar a desigualdade, o que ajuda a explicar por que se estabilizou e até diminuiu ligeiramente desde 2008. O salário mínimo foi elevado, assim como o limite mínimo para pagamento de imposto de renda. Impostos agrícolas foram abolidos. A pesquisadora alerta que a desigualdade provavelmente aumentará sem mudanças adicionais na política. “Por exemplo, a China poderia confiar mais no Imposto de Renda pessoa física e menos nos impostos de consumo regressivos. O desenho dos impostos de Renda e da Previdência poderia ser mais progressivo. E também há espaço para aumentar ainda mais os gastos com serviços sociais, especialmente nas áreas rurais, reduzindo ainda mais a desigualdade.”

JC Cardoso, de Beijing

Boca da terra

Uma das coisas mais difíceis em mandarim é o tom nas vogais (ascendente; descendente; ascendente e descendente; e reto). Mudou um e você fala outra palavra que eles não entendem. Outra coisa difícil é a unidade. Você não compra uma cerveja, se falar assim eles não entendem. Você tem que pedir uma LATA, uma GARRAFA ou um COPO de cerveja. Idem para o café. Idem para tudo.

No meu grupo não há “dois brasileiros” (baxiren, literalmente “pessoa do Brasil”). Você tem que falar que há duas pessoas brasileiras (Er REN baxiren). Pior é que a unidade muda dependendo do que for. O “macetão” é usar GE (ser vivo) para tudo. É meio um curinga. É considerado um mandarim pobre, que a geração de internet usa, mas para quem não domina a língua ajuda mais do que saber o castiço.

Aí veio a palavra poço. Não se cava um poço. Ou você usa kou (boca) como unidade para o poço (como é falado na maior parte), ou você usa, em algumas regiões, a palavra relativa a olho, como unidade. Aí o professor fala em espanhol: “Porque nós, chineses, temos a metáfora de entender o poço como a boca da terra ou como o olho da terra. Teria mais algum jeito de fazer analogia?

Teria, né?

 

Soja

Tofu (aliás dôfu, como pronunciam) não é considerado queijo por aqui. É considerado… tofu.

 

Proteção

O carro da polícia chinesa traz as palavras “Segurança Pública” (na verdade, Pública + Segurança, a ordem é inversa). O ideograma de segurança soma as palavras “mulher” () e teto. A ideia é que proteger a mulher (sob o teto) é segurança.

 

Rápidas

Os auditores-fiscais federais agropecuários, em assembleia nesta quinta-feira, optam por não entrar em greve agora, pois avaliaram que poderia prejudicar a economia *** Neste sábado, o Center Shopping Rio recebe show do grupo Toca Rita, a partir das 19h30, com canções de Rita Lee *** O Partage Shopping São Gonçalo preparou uma série de atrações em comemoração aos 128 anos de emancipação do município fluminense, em 22 de setembro. Exposições, desfile de moda e feira de adoção de animais fazem parte da programação que será realizada durante todo o mês *** 22 de setembro é o Dia do Contador.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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