Estudo da Chainalysis, empresa de análise de Blockchain, intitulado “Crypto Crime Report 2024” expõe as descobertas e tendências das atividades criminosas relacionadas a criptomoedas na darknet, sanções, terrorismo e golpes. Segundo o estudo, a darknet foi um dos ambientes do crime envolvendo cripto que registraram um aumento em suas receitas no ano passado, recebendo pelo menos US$ 1,7 bilhão proveniente de diversas atividades criminosas, como o tráfico de drogas ilícitas, lavagem de dinheiro, desvio de dinheiro fiduciário e produtos que permitem atividades de crimes cibernéticos, como ataques de ransomware e malware. Esse cenário representou um aumento em relação a 2022, quando o Hydra foi fechado pelas autoridades policiais. Até o momento, nenhum mercado preencheu o vazio do Hydra, enquanto vários mercados relativamente menores estão prosperando e muitos deles atendendo a nichos específicos.
Em termos de sanções, o estudo indica que os fluxos de criptomoedas para entidades e jurisdições sancionadas foram responsáveis por 61,5% de todo o volume de transações ilícitas no ano passado, totalizando US$ 14,9 bilhões. Dois serviços são os principais responsáveis por esse volume: Garantex, que foi sancionado em 5 de abril de 2022 por sua afiliação a agentes ilícitos, incluindo grupos de ransomware-as-a-service (RaaS); e Tornado Cash, que foi sancionado em 8 de agosto de 2022, por atuar na lavagem de criptomoedas roubadas pela organização de hackers Lazarus Group, ligada à Coreia do Norte.
Como a crise do fentanil nos EUA persiste, as sanções relacionadas a drogas pareceram ser uma prioridade em 2023. O Office of Foreign Assets Control (OFAC), Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros, impôs nove sanções relacionadas ao fentanil que incluíam cripto endereços identificados como suas designações, em quatro eventos de sanção diferentes.
O uso de criptomoedas por organizações terroristas representa uma pequena parte das transações ilícitas no ecossistema de cripto, mas é uma preocupação constante. Ao mesmo tempo, a transparência e a rastreabilidade da tecnologia blockchain tornam as criptomoedas um veículo menos favorável para o financiamento do terrorismo.
De acordo com os dados da Chainalysis, os golpes foram mais uma vez um dos maiores impulsionadores das atividades criminosas com cripto, com carteiras que geraram pelo menos US$ 4,6 bilhões em receita em 2023.
Além disso, enquanto os EUA preparam-se para o seu pleito presidencial e o Brasil para a realização de suas eleições municipais, neste ano, um novo risco cibernético coloca em jogo a integridade desses processos democráticos. Os avanços tecnológicos trazem métodos sofisticados de engano e falsidade, como a tecnologia deepfake, uma ferramenta que facilita a fraude eleitoral.
A Check Point Software analisou o funcionamento da tecnologia deepfake e as extensas camadas deste submundo digital, e alerta sobre o aumento da disponibilidade desses serviços na Darknet e no Telegram. A tecnologia deepfake permite criar conteúdo audiovisual “hiper-realista” falso e manipulado para confundir a opinião pública ou desacreditar políticos.
Em plataformas como o GitHub existem mais de 3 mil repositórios relacionados à tecnologia deepfake, o que indica seu amplo desenvolvimento e o potencial para sua distribuição. O Telegram hospeda mais de 400 canais e grupos que oferecem serviços deepfake, desde bots automatizados que orientam os usuários durante o processo, até alguns customizados.
Os preços são bem acessíveis, já que você pode criar um vídeo de US$ 2 a US$ 100, dependendo da complexidade. A facilidade de acesso e utilização desses serviços evidencia uma ameaça crescente não só à transparência das eleições, mas também à confiança fundamental sobre a qual as instituições democráticas devem ser construídas.
Uma das técnicas mais utilizadas com a tecnologia deepfake é a clonagem de voz, que permite replicá-la com grande precisão. Esta é uma técnica mais fácil de produzir e compartilhar que deepfakes de vídeo e é realmente eficaz na disseminação de desinformação.
Em janeiro deste ano foi distribuída uma chamada automática na qual se ouvia a voz falsa de Joe Biden, atual presidente dos EUA e novamente candidato às eleições, incitando os moradores de New Hampshire a não votarem. Os EUA proibiram as chamadas automáticas geradas por IA, refletindo as preocupações crescentes sobre a manipulação digital e o seu impacto nas eleições.
Para combater a tecnologia deepfake e conseguir preservar a confiança da população nos processos democráticos, é essencial que sejam promovidas medidas legislativas, soluções tecnológicas e a sensibilização pública. Os cidadãos devem estar atentos aos conteúdos com os quais interagem e confiar exclusivamente em informações provenientes de fontes fidedignas e oficiais, bem como procurar não compartilhar notícias desatualizadas ou pouco confiáveis.
“O desenvolvimento da Inteligência Artificial e de tecnologias como o deepfake nos tornou mais céticos que nunca, e é lógico quando até a democracia, pilar fundamental sobre a qual se estrutura a nossa sociedade, faz parte desta realidade”, afirma Fernando de Falchi, gerente de Engenharia de Segurança da Check Point Software Brasil.
A IA deve interferir muito nas eleições municipais de 2024 no Brasil, mesmo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tendo aprovado no último dia 27 de fevereiro a regra que proíbe uso de IA para criar e propagar deepfakes e conteúdos falsos.
Como comentado anteriormente em relação ao pleito nos EUA, Falchi acredita que uma forma que será bem utilizada por aqui é a maneira de distribuição de vídeos, áudios, de mensagens falsas e deepfakes encaminhados essencialmente por e-mail, por mensagens, por WhatsApp, SMS, de modo a atingir o maior número de pessoas.
“Além disto, tanto voz como vídeo poderão ser disseminados por trás das técnicas de phishing e engenharia social para poder atingir o maior número de pessoas. Nas redes sociais também será preciso prestar atenção com posts que aparecem em seu perfil” alerta ele.
Outro problema apontado é que as pessoas já postam o que recebem sem antes fazer uma avaliação do que está vendo, lendo ou ouvindo. É sabido que, depois de algo ser publicado, é praticamente impossível apagar esses vídeos e outras mensagens na internet.
“Esse prejuízo à imagem de uma pessoa pode ser muito danoso e bem complexo para a pessoa alvo se desvencilhar”, diz Falchi.

















