Crise anunciada

Não foram necessárias nem duas semanas para provar, aos ainda crédulos, de que a elevação da Selic para 18,25% ao ano tinha tanta condição de conter a avalanche do dólar quanto o Felipão de transformar a equipe da CBF num time de futebol. Removida a cortina ideológica, cada vez mais esmaecida, defronta-se com o problema tal como ele é: o país marcha para uma crise cambial de proporções gigantescas. Deixando de lado a conversa fiada, vamos aos números. Todas as projeções apontam para um déficit nas transações correntes (comércio + serviços) de cerca de US$ 28 bilhões este ano. Para cobrir esse buraco, o governo contava com o recursos da conta de capital, na qual são contabilizados os investimentos diretos, que, em 2000, somaram US$ 30 bilhões, e, este ano, segundo as últimas projeções do Banco Central, devem se limitar a US$ 16 bilhões, se as preces de Malan ao São Mercado forem ouvidas.
Disso resulta, uma cratera de US$ 12 bilhões, a ser coberta pelas reservas cambiais do país, que estão, oficialmente, em US$ 36 bilhões, e, se forem torradas, ficarão abaixo dos US$ 25 bilhões impostos pelo acordo com o FMI. E, como costuma alertar o ex-presidente BC Afonso Celso Pastore, se inflação aleija, crise cambial mata.
Crise anunciada II
Pressionando o câmbio num momento de escassez de dólares, o país enfrentará despesas externas de US$ 20,242 bilhões neste segundo semestre, entre vencimentos de dívidas (US$ 11,620 bilhões) e encargos com juros (US$ 8,622 bilhões). Do total da dívida a vencer, a maior parte (US$ 9,877 bilhões) caberá ao setor privado, o que pode refletir-se na saúde financeira das empresas, que já enfrentam a retração econômica forjada pelo racionamento produzido pelos gênios tucanos. A dívida do setor público a ser rolada ou paga até dezembro é bem mais suave: US$ 1,743 bilhão. O setor privado também arcará com a maior parcela dos juros (US$ 5,862 bilhões), contra US$ 2,760 bilhões do setor público.
Diante dos números, a elevação de juros não tem efeito prático para nenhum dos atores envolvidos. Para empresas desesperadas por hedge, juro alto não enche a barriga que precisa rolar ou honrar a dívida a vencer e, para os especuladores enquistados, principalmente, no setor financeiro, só cria uma nova fonte de transferência do setor produtivo para rentistas parasitários.

Para FMI ver
A bandeira da estabilidade monetária como argumento econômico absoluto está cada vez mais rota. O último gol contra vem da Colômbia. Com inflação anual pouco acima de 10% ao ano, o país, pela ótica da plutocracia neoliberal, deveria ser exibido como sinônimo de estabilidade. Na vida real, no entanto, tal estabilidade transforma a simples realização da Copa América no país numa comédia bufa.

Imposto
O vereador Ricardo Maranhão (PSB-RJ) está reforçando a campanha para que os senadores aprovem projeto de lei de autoria do senador Arlindo Porto que reajusta em 51,11% os valores da dedução para cada dependente do contribuinte pessoa física do Imposto de Renda. Pelo projeto, a dedução mensal do dependente passa de R$ 90,00 para R$ 136,00 mensais enquanto o valor da dedução anual passa dos atuais R$ 1.080,00 para R$ 1.632,00. Maranhão sugere que se ligue para o serviço do Senado “A Voz do Cidadão”, através do telefone 0800 612211 (ligação gratuita) ou então que se acesse o endereço http://www.senado.gov.br/web/spo/sugestao.cfm na Internet, manifestando o apoio à aprovação desse projeto.

Piratas
A última dos camelôs do Rio de Janeiro: estão chamando os CDs piratas que vendem (três por R$ 10) de “genéricos”.

Sucata
O governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, afirmou ontem, durante visita à exposição “13 anos sem o Velho Guerreiro – Abelardo Barbosa, o Chacrinha”, na Gare D. Pedro II (Central), que não vai aceitar a devolução do Banerj podre. E garantiu que ainda vai se reunir com sua equipe econômica para decidir os rumos que irá tomar. “Querem me transformar na rainha da sucata. Não vou aceitar a devolução do Banerj podre”.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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