Crise do euro?

Na contramão da maioria dos analistas, o economista Reinaldo Gonçalves argumenta não existir “uma crise do euro”, mas, sim, “uma crise localizada na Zona do Euro”. Em artigo intitulado “Crise do euro”, publicado no Jornal dos Economistas, Gonçalves defende que a crise é, essencialmente, financeira e não econômica, estando localizada nos Piigs (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha, na sigla em inglês). Ele acrescenta, no entanto, que, como bancos de França e Alemanha – os carros-chefe da Zona do Euro – fizeram operações de grande risco na periferia da Europa, essa pode ser uma porta para o contágio da crise.
Não por acaso, os dois países concentram suas propostas em medidas que garantam os interesses dos seus bancos. E, acrescente-se, as populações vítimas das especulações financeiras pagam, via cavalares ajustes fiscais, a conta das aventuras acobertadas por dirigentes lenientes e cúmplices do cassino europeu.

O outro desastre chileno
Em tom jocoso, os chilenos costumam referir-se a seu próprio país, brincando que Deus o construiu com a sobra de tudo de ruim. É uma referência à impressionante soma de desastres naturais que vitimam o país, como terremotos e enchentes. No entanto, não é apenas a natureza que castiga o Chile. Também na economia, é uma nação dominada pela forte concentração nos principais setores, dominados por um reduzido número de monopólios.
Levantamento da revista chilena Punto Final, publicado no site da Agência Carta Maior, mostra que apenas seis companhias privadas controlam as AFPs – fundos de pensão privados – do Chile, detendo cerca de US$ 100 bilhões em fundos de seus afiliados. Três empresas dão as cartas em quase todo o setor farmacêutico, impondo preços abusivos aos medicamentos. A imprensa escrita é dominada por somente duas cadeias de jornais. E apenas 16 grupos econômicos respondem por 80% do total das riquezas produzidas no Chile.

Tão poucos
A revista acrescenta que, no setor de supermercados, as redes Cencosud e Wal Mart (D&S) controlam 70% das vendas. A telefonia tem uma única empresa, a CTC, como dona de 75% dos negócios. Além disso, duas empresas, Endesa e Colbún, respondem por 79% da geração de energia elétrica e impulsionam a construção de mega-represas em Aysén, colocando em risco o meio ambiente e aumentando seu cacife sobre o conjunto da economia do país. No setor de minérios, um dos principais da economia chilena, Punto Final observa que as multinacionais faturaram, entre 2006 e 2007, cerca de US$ 40 bilhões.

Contraponto
Para a revista, a forte concentração da economia chilena põe em risco a estabilidade social. E acrescenta que a crise deflagrada no fim de 2008 recolocou na ordem do dia o papel do Estado. Citando o documento da Cepal Brechas para fechar, caminhos para abrir, lembra que a comissão é categórica em relação à importância de revitalizar o poder estatal: “O documento é claro em suas propostas. Nele se ressalta a necessidade de um forte papel do Estado e a importância da política é um marco de revitalização e recriação da democracia em tempos de globalização.”
“O Estado é o principal ator na conciliação de políticas de estabilidade e crescimento econômico, de desenvolvimento produtivo com convergência e harmonização territorial, promoção do emprego de qualidade e maior igualdade social”, conclui Punto Final.

Investimento
Com a presença, entre outras autoridades, do presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann; do ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) Carlos Lessa; do secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Antônio Henrique Pinheiro Silveira; será realizado, dia 9, o Seminário Nacional sobre Investimento Público, em Curitiba. O objetivo é debater a situação econômica do Brasil. As inscrições devem ser feitas pelo endereço www.senge-pr.org.br/seminario

Farra
A Lei 12.249 (antiga 472/2009), publicada no dia 12 de junho deste ano, instituiu um novo parcelamento de taxas e multas aplicadas pelas autarquias e fundações públicas federais, como as agências reguladoras, o Banco Central e o Ibama – ficaram de fora da benesse Cade e Inmetro.
Como o TCU, este mês, divulgou que apenas 3,7% das multas aplicadas - que somaram mais de R$ 25 bilhões nos últimos cinco anos – são pagas, pode-se ter uma idéia do tamanho do benefício.
Os débitos de qualquer natureza, tributários ou não tributários, inscritos ou não na dívida ativa, com vencimento até 30 de novembro de 2008, poderão ser pagos ou parcelados em até 180 meses, com as mesmas vantagens concedidas pelo Refis da Crise, explica Ronaldo Pavanelli Galvão, da Gaiofato Advogados Associados.

Pau que dá em Chico
Quando a seleção brasileira foi eliminada pela França, na Copa de 2006, naquele fatídico jogo do “meião” do Roberto Carlos, alguns coleguinhas de imprensa, que professam o futebol de resultados e se arvoram entendedores do velho esporte bretão, insinuaram que o time de Parreira  -que a população brasileira queria – teria perdido o jogo e a Copa por jogar um futebol mais bonito do que eficiente.
Com discurso de “mudança”, o técnico Dunga montou para a Copa de 2010 uma seleção mais comprometida com ele, “mais patriota”, retranqueira, com mais cabeças de área e sem jogadores técnicos, mas também acabou eliminada, perdendo para a Holanda. Agora, o que vão falar esses defensores do futebol mais defensivo e mais “feio” do Brasil? Não adianta: para ganhar qualquer Copa fica mais fácil com qualidade e técnica. Podem rir Ronaldinho Gaúcho, Ganso e Neymar…

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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