As fortes oscilações dos preços dos contratos futuros de barril de petróleo nos mercados internacionais – que atingiram uma máxima de US$ 120 no final de semana, cedendo para US$ 98 na segunda-feira e US$ 88 nesta terça-feira, podendo disparar novamente amanhã – deveriam ser motivo de reflexão para aqueles que, por inocência ou por desinformação, ainda acreditavam que o petróleo seria uma mera commodity.
“O que está acontecendo, diante da nova geopolítica global, refletindo no comportamento de preços e no risco desabastecimento de muitos países, joga por água abaixo, essa teoria tosca e manipulada que alguns ainda defendiam no Brasil”, critica Wagner Victer, ex-secretário de Energia e Petróleo do Estado do Rio de Janeiro.
“O que vemos fortalece, de forma inconteste, a importância de termos uma empresa de petróleo estatal, como a Petrobras, atuando no Brasil com uma forte produção de petróleo interna associada à capacidade de refino, evitando a volatilidade de preços e, principalmente, garantindo o abastecimento, enquanto alguns segmentos e refinarias que foram privatizadas não demonstram comprometimento com o abastecimento nacional e já estão explodindo os preços”, prossegue o especialista.
Para Victer, o momento reforça que as políticas públicas devem, cada vez mais, fortalecer nossa cadeia local de fornecedores de itens críticos associada à importância de produzir e refinar petróleo internamente, garantindo nossa segurança energética.
“Ao mesmo tempo, demonstrando, para o mundo, o Brasil como sendo uma fonte confiável de abastecimento de petróleo que estará presente, por muitas décadas, ainda dentro dessa interconexão internacional energética”, finaliza o ex-secretário.
Para subir, não depende?
Na coluna de ontem, comentamos sobre a pressão de importadores de combustíveis para forçar a Petrobras a aumentar os preços da gasolina e do diesel nas refinarias, embora a estatal faça a extração de petróleo no Brasil, a milhares de quilômetros do Estreito de Ormuz. Em janeiro, quando a Petrobras reduziu o preço da gasolina, a diferença foi apropriada pela distribuição/revenda e não chegou ao consumidor.
Nesta semana, alegando a alta dos preços do barril de petróleo no exterior, postos de São Paulo elevaram os preços dos combustíveis em até R$ 0,50. Frase dita em entrevista ao UOL pelo presidente do Sincopetro, entidade dos varejistas, sobre o motivo de os preços demorarem a cair ao consumidor, na baixa, é esclarecedora e confirma o que a coluna disse ontem: “Depende mais da concorrência.”
Gato de Trump
Donald Trump está em seu momento Gato de Alice (“Se você não sabe para onde quer ir, qualquer caminho serve.”) Se o presidente estadunidense não apresenta os objetivos do ataque ao Irã, poderá comemorar qualquer resultado como se vitória fosse.
Rápidas
Bangu Shopping realizará nova edição da campanha de doação de sangue, em parceria com o GSH Banco de Sangue, nestas quinta e sexta-feira, das 10h às 18h *** A advogada trabalhista Priscila Fichtner, sócia do Chalfin, Goldberg & Vainboim Advogados, foi, pelo 6º ano consecutivo, reconhecida como uma das “Advogadas Mais Admiradas do País” pelo ranking Análise Advocacia Mulher 2026 *** Nathaly Diniz, CRO da Lumx, participa de painel sobre stablecoins no Smart Summit 2026, nesta sexta-feira (13).

















