Crise econômica acua governo, que flerta com golpe

Em meio à pandemia, moradores de 76 favelas brasileiras fazem atualmente menos de 2 refeições por dia. O número exato, de 1,9 refeições, revelado por pesquisa do Instituto Locomotiva em parceria com a Central Única de Favelas (Cufa), significa que as famílias têm que optar pelo café da manhã e almoço ou jantar.

A situação vem se agravando tanto pela demora do Governo Federal em retomar o pagamento do auxílio emergencial – agora reduzido para menos de um terço da média do ano passado – quanto pela política econômica, que em situação de crise, deseja continuar com a tese de Estado Mínimo e de equilíbrio fiscal, condenando 40 milhões de brasileiros à pobreza extrema.

Desgastado por essa política e pelos resultados da estratégia adotada de (não) combate à pandemia, o Governo Bolsonaro flerta com atitudes golpistas, aparentemente abortadas pela não adesão das Forças Armadas. A elite, setor financeiro inclusive, também se distanciou da aventura. Sem mídia e sem empresários, o presidente se desgastou mais um pouco, mas não desistiu.

“Com o fim do auxílio emergencial, o recorde do desemprego e o caos na saúde, a fome voltou à mesa da favela. Nossa pesquisa mostrou que uma família faz hoje, em média, menos de duas refeições por dia. A situação ainda não chegou ao pior estado porque ONGs ainda fazem chegar auxílio às comunidades. Mas vivemos uma situação limite”, explicou à RBA o presidente do Instituto Locomotiva e fundador do Data Favela, Renato Meirelles.

Segundo a pesquisa do Locomotiva, 82% das famílias relataram que não conseguiriam se alimentar diariamente sem ajuda de doações. Além disso, 90% das pessoas disseram ter recebido ajuda em algum momento da pandemia.

Desde a suspensão do auxílio emergencial, em dezembro, pelo governo Bolsonaro, já são três meses sem praticamente nenhum apoio governamental. “O principal impacto é na geração de renda. Como tem um grupo grande de trabalhadores informais, e você teve uma dificuldade no período inicial de chegar o auxílio emergencial lá dentro, o impacto na renda foi gigantesco, e isso trouxe a fome. Mas a fome (em meio à pandemia) é consequência da ausência de renda”, destacou Meirelles à RBA.

Entre o risco de ser contaminado pelo vírus, que aumentou com o agravamento da pandemia, e passar fome, as famílias que vivem em favelas estão sem opções. E isso se reflete na conduta diária. Apenas 32% dos entrevistados disseram estar seguindo as medidas de prevenção contra a covid-19. Outros 33% afirmam estar tentando, mas que nem sempre conseguem. Os últimos 35% dizem não conseguir seguir as regras, por precisar, ao menos, fazer “bicos”.

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