Crise estável

A atual instabilidade do real frente ao dólar demonstra que o Brasil está retornando à esperada trajetória de “estabilidade de crise, descendo a ladeira”, ironiza o economista Reinaldo Gonçalves. Segundo ele, o ano de 1999 deve fechar com juros entre 30% a 35% ao ano, inflação de mais de 15% e dólar cotado acima de R$ 2,00. O histórico da atuação do presidente FH, nos últimos quatro anos, é que leva a essas conclusões, diz. Na análise de Gonçalves, no período os juros reais ficaram em 20% ao ano. Com a desvalorização cambial, não se pode considerar inflação menor que 15% (já está em mais de 10% pelo IGP), acrescentando-se os juros reais, constata-se que a taxa de juros chega a 35% no final do ano.

Quarentena
A Comissão de Economia da Câmara aprovou projeto do deputado Robson Tuma (PFL-SP) que cria a quarentena para quem participou de programas de privatização. Quem participar dos programas de privatização não poderá assumir emprego ligado ao setor que foi privatizado por um prazo de cinco anos. Se não evita a roubalheira, pelo menos instaura-se um pouco de moralidade.

Nefelibata
A voz rouca das ruas já ameaça despertar o tucanato da longa noite de alienação.

Sucesso verde e amarelo
O professor João Evagelista Fiorini, da Universidade de Alfenas (Unifenas), em Minas Gerais, foi escolhido pelo Centro Biográfico Internacional de Cambridge, da Inglaterra, como um dos 2 mil cientistas vivos mais importantes do século XX. Fiorini é chefe do laboratório de Biologia e Fisiologia de Microorganismos da Unifenas.

Explosivo
O jornalista Mino Carta, diretor da revista Carta Capital, advertiu que se a política econômica do ministro Pedro Malan não for mudada já, “corremos risco de convulsão social e o governo perderá o comando, com conseqüências impresíveis”. A advertência foi feita em entrevista ao programa do jornalista Giba Um que vai ao ar amanhã pela Rede Mulher.

Novo sotaque
São Paulo deixou de ser o maior produtor de café do país. A liderança agora é ocupada por Minas Gerais, que produz  1,6 trilhão de pés de café em 770 mil hectares.

Insones
Além dos parcos efeitos na tentativa de conter a cotação do dólar, o aumento da oferta de hedge em títulos atrelados à variação cambial ameaça provocar novo mega rombo nas contas nacionais. Os papéis com variação cambial já ultrapassam os R$ 100 bilhões, ou 24% da dívida mobiliária (títulos) total de R$ 434,115 bilhões. Segundo analistas, o custo do carregamento desses papéis deve ultrapassar os R$ 10 bilhões apenas durante os cinco meses que faltam para acabar o ano. Além disso, investidores escaldados com a moratória da Rússia não esquecem que, com governos insolventes, não há hedge cambial que garanta a aposentadoria do Lexotan.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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