Crise leva 65% dos brasileiros a comprarem marcas mais baratas

Inflação derruba poder de compra, mas é favorável a investimento; para Proteste, dificuldade em pagar contas também é consequência da crise.

Pesquisa da Proteste já apontaram que a percepção dos consumidores brasileiros é que o endividamento está aumentando, assim como o custo de vida e o empobrecimento. No levantamento divulgado hoje, realizado pelas cinco organizações membro do Grupo Euroconsumers localizadas na Bélgica, Portugal, Itália, Espanha e Brasil, os resultados apontam que a maioria dos entrevistados já mudou significativamente seu comportamento – principalmente nas áreas de energia, alimentação e mobilidade. E o futuro não parece promissor, pois um número preocupante de entrevistados indica que não tem margens ou economias para lidar com futuros aumentos de preços. O estudo entrevistou 1.038 participantes e considerou todas as regiões do país.

Devido ao aumento dos preços de bens e serviços, desde o início do ano, os brasileiros adaptaram seu comportamento nas principais áreas de consumo, especialmente energia elétrica, alimentação e mobilidade, incluindo também atividades sociais e até saúde:

Mais de 90% dos entrevistados alteraram os hábitos de consumo. Destes, 70% afirmaram ter desligado os aparelhos ou evitado usá-los com mais frequência para poupar eletricidade.

Além disso, 3/4 dos respondentes mudou o comportamento de consumo de mobilidade: 45% dos entrevistados declararam ter evitado usar o carro em função do aumento do preço do combustível, enquanto 28% passaram a dirigir de forma mais econômica.

A grande maioria mudou os hábitos alimentares: 65% dos consumidores começaram a comprar mais marcas de preço baixo no supermercado (por exemplo, marcas próprias), enquanto um em cada três cortou alimentos não essenciais. Um a cada dois entrevistados brasileiros afirmou, ainda, comprar menos peixe ou carne.

Os consumidores da amostra brasileira declararam ter renunciado/adiado a compra de roupas para si (53%), passado a cortar atividades sociais como a ida a restaurantes e bares (47%) e mudado os planos de férias (30%). Também cancelaram atendimento odontológico (29%), adiaram consultas médicas (26%) e a compra de óculos ou aparelhos auditivos (20%).

Embora as famílias de baixa renda tenham sido as mais atingidas, mesmo entre os consumidores financeiramente confortáveis, a maioria geral dos entrevistados apontou estar mudando o comportamento de consumo.

Apesar da piora em geral, o Brasil foi o país que apresentou o maior percentual de consumidores cujo padrão financeiro melhorou. Quando solicitados a comparar a situação financeira atual com a de um ano atrás, 16% dos brasileiros afirmaram ter havido progresso. Já em Portugal e Espanha esse dado foi 9%, na Bélgica 8% e na Itália 7%. Segundo Henrique Lian, Diretor de Relações Institucionais da Proteste, “sendo um país de renda média, o Brasil é fortemente impactado pela crise inflacionária. Mas, ao mesmo tempo, em função de sua concentração de renda e oportunidades, possui o maior percentual de pessoas entre os países pesquisados cujo nível de vida permaneceu igual ou está melhor do que um ano atrás”

Quase um quarto de todos os entrevistados descreveu a situação financeira de sua família como difícil: 39% declaram que sua situação financeira neste momento é pior em relação a um ano atrás. E mais da metade dos entrevistados (58%) indicou não ter margens ou economias para lidar com futuros aumentos de preços.

A inflação costuma ser vista como um vilão, seu impacto é sentido principalmente na hora do consumo. Ela está presente nas prateleiras dos supermercados e das farmácias, no menu dos restaurantes, nas mensalidades escolares e em qualquer outro estabelecimento que ofereça algum produto ou serviço.

O cálculo oficial da inflação no país é o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo IBGE, que monitora mensalmente os preços de diversas categorias de consumo, como alimentos e bebidas, despesas pessoais, habitação, saúde e educação. Em maio, por exemplo, o índice da inflação foi de 0,47%, resultando num acumulado de 4,78% desde o início do ano e de 11,73% entre junho de 2021 e maio de 2022.

“Esse percentual é o aumento médio dos preços brasileiros nos últimos 12 meses. Isso diminui o poder de compra do consumidor, mas esse é o lado ruim da história. A inflação alta pode também significar bons rendimentos”, explica Lucas Oliveira, da Atrio Investimentos.

Segundo ele, “há ativos disponíveis no mercado possuem valorização atrelada ao IPCA, acrescida de um percentual que garante ganho real sobre a inflação.”

Os principais investimentos atrelados ao IPCA são os títulos públicos, NTNB’s (o chamado Tesouro IPCA+), emitidos pelo governo federal. Basicamente, comprar esses papéis significa emprestar dinheiro à União, em troca de um rendimento previamente estabelecido, adicionado à variação do IPCA. Mas também há opções de títulos de renda fixa emitidos pelos bancos, que como CDB, LCI e LCA, papéis de empresas que são as Debêntures, inclusive existem as Debêntures Incentivadas que são isentas de imposto de renda para Pessoas Físicas e opções de fundos de investimentos atrelados a inflação e Debentures Incentivadas esse último também é isentos de IR para pessoa Física).

“Essas são algumas formas de alcançar um rendimento considerável num cenário mais inflacionário como atualmente o Brasil está passando. Isto não indica que a inflação alta é positiva, mas que é possível diminuir seus impactos e potencializar os retornos dos investimentos em um cenário de maior inflação. A elevação dos preços inibe o consumo e atinge a camada com menor renda da nossa população”, avalia Lucas Oliveira.

Leia também:

Para 49% dos brasileiros, dinheiro significa sustento da família

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigos Relacionados

Projeto de lei visa incentivar o bom pagador

Para conseguir os benefícios, o consumidor já deverá ter honrado mais de 75% da dívida total

Mercado reduz projeção da inflação de 7,15% para 7,11%

Para 2023, a estimativa de inflação ficou em 5,36%

Endividamento explode após fim de saques do FGTS e adiantamento do 13º

Quase 8 em cada 10 brasileiros têm dívidas; 29% em atraso.

Últimas Notícias

Armazém Cultural: Câmara debate veto do prefeito do Rio

.Comissão de Justiça e Redação recomenda rejeição ao veto

Plataformas da Bacia de Campos tem hotéis flutuantes

Petrobras estuda investir US$ 220 milhões até 2023

Ações do setor de saúde puxam Ibovespa

Destaque também para Petrobras, que celebrou novo aditivo ao contrato de compra de gás natural com a YPFB

Governo de MG conclui leilão de 627,4 km de rodovias

Investimentos de R$ 3,2 bi, sendo R$ 1,4 bi nos oito primeiros anos da concessão

Bancos chineses: mais empréstimos para empresas privadas

No final de junho aumento de 11,4% em relação ao ano anterior