Crise limpa

O setor de produtos de limpeza vive um momento positivo. No primeiro semestre, o segmento experimentou um crescimento de 3,2% em termos de volume e de 2,5% em valor financeiro, já descontada a inflação. “Foi um primeiro semestre positivo, apesar do momento. Houve uma série de mudanças nos hábitos das pessoas, que diante da crise passaram a ficar mais em casa e, portanto, a usar mais produtos de limpeza”, explica Maria Eugenia Proença Saldanha, diretora-executiva da Associação Brasileira da Indústria de Produtos de Limpeza e Afins (Abipla).

Ritmo
Maria Eugenia afirma que a expectativa para o segundo semestre é de que o crescimento do setor de produtos de limpeza seja mantido. A projeção para o ano de 2009 é que o setor repita o desempenho dos últimos anos, com um incremento de dois pontos percentuais acima do PIB. Na próxima quinta-feira começa mais um mandato de três anos da nova diretoria da entidade.

Fiel ou traidor
A crise financeira, que mudou a forma de o brasileiro consumir, representa uma oportunidade para as pequenas e médias empresas do setor de produtos de limpeza. Diante da busca por economia e o menor preço, os consumidores passaram a testar a chamada segunda marca, o que alavancou as vendas para as empresas de menor porte, as quais representam 95% do segmento.
Agora, com a retomada da economia, a dúvida fica se o consumidor será fidelizado pela segunda marca, ou voltará para a primeira linha. Tudo depende da qualidade do produto comprado. “Acredito que será um mix das duas coisas”, arrisca-se Maria Eugenia.

Gripe suína
O medo de contaminação pela gripe suína alavancou as vendas de álcool gel. “Percebemos o incremento das vendas devido à gripe A. Uma importante empresa do setor, por exemplo, está produzindo três vezes mais para atender à demanda”, diz Maria Eugenia. A recomendação da Abipla, no entanto, é de que o produto não deve ser usado para a limpeza das mãos, e sim de superfícies.

Crescer faz bem
País onde o Índice de Desenvolvimento Humano mais cresce no mundo, a China conseguiu, entre 1990 e 2005, que a proporção da população que vivia com menos de US$ 1 por dia caísse de 60% para 16%, segundo a Organização das Nações Unidas. No mesmo período, o índice brasileiro saiu de 15% para 7,8%. A estratégia social dos dois países será debatida nesta segunda, em Brasília, em seminário promovido pelo Ipea e por um órgão ligado ao Pnud, da ONU. A programação está em www.ipc-undp.org/events.do

Censura
Na mesma semana em que proprietários de jornais reafirmaram sua profissão de fé na liberdade de expressão, o ministro da Previdência, José Pimentel, e os leitores dos diários de maior circulação no país foram vítimas de veto a informação relevante. Quarta-feira, Pimentel divulgou, separadamente, os números relativos ao INSS e os das aposentadorias rurais, aqueles financiados pela Previdência e estes, pelo Tesouro Nacional.
Como a metodologia – amplamente anunciada pelo governo – contraria a tese do “déficit” da Previdência, que soa como música aos ouvidos dos planos de previdência privada, os jornalistas queriam exigir que Pimentel divulgasse apenas a soma dos dois números. No fim das contas, os jornais dos campeões da liberdade de expressão publicaram apenas a soma de alhos com bugalhos, sonegando o fato de que a Previdência urbana é superavitária.

Foi antes
Tem forte dose de hipocrisia as críticas de alguns setores, políticos e midiáticos, à postura do PT em relação ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Noves fora, o forte déficit de credibilidade daqueles que conviveram, sem problemas, com Sarney por largos períodos, a posição petista em relação ao senador não marca o início da “perda da autoridade moral” do partido.
Na verdade, ao negar, já no início do primeiro mandato do presidente Lula, o que pregara antes de chegar ao poder, para abraçar bandeiras que criticara tão duramente, era inevitável que o PT trocasse sua base de apoio política e social pelos novos aliados.
Afinal, Sarney, Collor e Renan estão onde sempre estiveram nos últimos 20 anos, situação que os permitiu conviver confortavelmente com os neoindignados de agora, e lhes garante a boa relação com o Governo Lula.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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