Crise política e Covid geram cautela aos agentes

Os mercados fecharam sem direção única na última terça-feira. Os receios em torno da Covid-19 e os ruídos políticos nos EUA fizeram os agentes terem cautela em meio à correção nas Bolsas de São Paulo e Nova Iorque.

Os mercados europeus, após abrirem com desempenho misto, encerraram o pregão majoritariamente em queda, devido aos receios em torno dos lockdowns (confinamento) que devem ser estendidos no Reino Unido. Na Itália, a possibilidade de Giuseppe Conte renunciar ao cargo de primeiro-ministro também foi um fator observado pelos investidores.

Londres perdeu 0,65%. Frankfurt teve perda de 0,08%. Paris caiu 0,20%. Milão recuou 0,33%. Na Península Ibérica, Madri e Lisboa tiveram desvalorização de 0,14% e 0,21%, respectivamente.

Não obstante ao aumento das restrições na Europa e os riscos políticos nos EUA, o petróleo fechou em alta devido ao movimento do dólar, indicando queda no mercado internacional.

O WTI teve alta de 1,84%, cotado em US$ 53,21. O Brent ganhou 1,65%, em US$ 56,58.

Em Nova Iorque, houve correção de perdas em relação aos pregões anteriores, quando as Bolsas sofreram com a instabilidade política e com o avanço da Covid-19 no país. Membros do partido democrata buscarão um projeto de direitos de pagamento dentro do pacote fiscal prometido pelo presidente eleito Joe Biden, saindo de US$ 600 para US$ 2.000, o que também animou os mercados.

O Dow Jones teve alta de 0,19%, o S&P 500 ganhou 0,04% e o Nasdaq teve valorização de 0,28%.

No Brasil, o principal indicador da B3 também resistiu aos efeitos das incertezas políticas e fiscais que ainda assolam o país. O fluxo contra o dólar e a favor do real chamou a atenção no pregão, devido ao espaço para a realização dos ganhos na moeda americana. Internamente, os agentes continuarão observando os movimentos relacionados às eleições na câmara dos deputados e, consequentemente, às possíveis aprovações de pacotes e reformas que poderão contribuir para o lado fiscal. A inflação fechou o ano acima do esperado, mas as expectativas são de que, caso o auxílio emergencial seja retirado, a inflação perderá força.

O Ibovespa revê alta de 0,60%, a 123.998,00 pontos, e o dólar caiu 3,29%, a R$ 5,32.

Na Ásia, os mercados fecharam sem direção única, influenciados pela alta em Wall Street, mas houve cautela com a retomada da Covid-19 em todo o mundo.

Na China continental, Xangai perdeu 0,27% e o Shenzhen teve perda de 1,08%.

No Japão, o Nikkei avançou 1,04%, Seul teve alta de 0,71% e Hong Kong ficou próximo da estabilidade, com ganhos de 0,02%.

Para hoje, os mercados globais começam a operar com cautela devido ao aumento dos casos de Covid-19 e aos ruídos políticos nos EUA.

No Brasil, serão feitos leilões de rolagem de swap cambial a partir das 11h30. A Conab divulgará a produção de grãos e o ministro da Saúde, Eduiardo Pazuello, fará discurso em Manas, cidade fortemente impactada pela Covid-19.

Na Europa, a Agência Eurostat publicou os números referentes à produção industrial para o mês de dezembro. Após a alta de novembro, o mercado esperava queda de -3,3% ao ano e, ao mês, o indicador saindo de -2,1% e alcançando -0,2% no último mês do ano – tendo em vista o cenário atual, com a ampliação de medidas mais severas em relação à contenção da Covid-19. Todavia, o indicador superou as expectativas, alcançando queda de -0,6% ao mês e de -2,5% ao ano. O destaque, segundo o relatório, foram os bens intermediários para que o resultado superasse as projeções.

Quanto ao discurso de Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), a banqueira ainda considera continuar com os estímulos da flexibilização quantitativa (quantitative easing – QE), caso seja necessário, e que os confinamentos dentro de alguns países do grupo devem continuar até o fim do primeiro trimestre do ano. Lagarde também considera necessário um euro digital e a regulação do bitcoin.

No Brasil, após o indicador de inflação divulgado ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicará o avanço do setor de serviços para novembro. Devido ao avanço no número de casos da Covid-19, alguns governos começaram a restringir o horário das atividades, fazendo com que as expectativas em relação ao setor de serviços sejam menores quando comparado com o mês anterior, saindo de 1,7% para 1,0%.

Nos EUA, o Bureau of Statistics divulgará os números referentes à inflação do mês de dezembro. O fato de a atividade econômica americana ser heterogênea faz com que os serviços tenham forte impacto para que o índice de inflação do país não suba, tendo em vista que boa parte da demanda não teve força para se recuperar ao longo do ano, corroborando para o argumento em torno da retomada em “K” e da necessidade de estímulos.

Os agentes, para o núcleo do indicador, esperam avanço de 0,1%, contra 0,2% no mês anterior, acumulando alta de 1,6% no ano. Para o indicador amplo, considerando todos os bens, o mercado projeta avanço de 0,4% em dezembro, ante 0,2% no mês anterior, além de acúmulo de 1,3% no ano.

Os agentes também aguardarão as notícias em torno do Livro Bege, que traz consigo as expectativas e pareceres dos formuladores de política monetária dos EUA.

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