Critério$

A mudança de governo permite conhecer mais uma faceta cruel do neoliberalismo que defensor do Estado mínimo. Nesta última semana o presidente da Eletrobrás, Luiz Pinguelli Rosa, revelou que algumas estatais de energia, como Eletronuclear e Eletronorte, estão vendendo eletricidade a preço abaixo do custo. Ao mesmo tempo, as que foram privatizadas, além dos generosos aumentos com que foram brindadas ao longo do governo anterior, ainda pedem apoio financeiro adicional.

Câmera lenta
“Não há, no horizonte visível, nenhum sinal mais firme de reativação econômica.” Este é o diagnóstico da situação norte-americana feito pelo economista-chefe do BicBanco, Luiz Rabi. Ele lembra que a taxa de expansão de 2,4% ano passado foi puxada basicamente pelos gastos militares e que no quarto trimestre a taxa foi de apenas 0,7% em termos anuais. “As ameaças de guerra contra o Iraque vêm minando a confiança do consumidor norte-americano, que, em janeiro, bateu níveis que não se viam há oito anos. Como o consumo privado representa 70% do PIB norte-americano, é difícil imaginar como se pode acelerar o crescimento dos EUA sem uma elevação consistente do consumo doméstico”, conclui Rabi.

Entrave
O escritor paquistanês Tariq Ali afirmou que “terrorismo não se combate com a disposição bélica do governo norte-americano”. O intelectual criticou o comportamento de Tony Blair. Segundo ele, o primeiro-ministro da Grã-Bretanha “está há tempos dentro do bolso de Bush”. Para Ali, a população norte-americana pode barrar a guerra de seu país contra o Iraque, se houver mobilização. A guerra seria evitada também “se o primeiro-ministro da Grã-Bretanha for destituído, pelo Parlamento, ou se houver uma grande Intifada, uma insurreição de massa em todo o Oriente Médio”. Para o paquistanês, essas as únicas opções possíveis para barrar a guerra. “Se nada disso acontecer, teremos o Iraque bombardeado nas próximas duas ou três semanas”, completou.

Calamidade pública
Umas das principais doenças do mundo, com 350 milhões de doentes crônicos, a hepatite do tipo B atinge cerca de 8% das gestantes brasileiras. Os dados são da regional do Rio da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim-RJ), que adverte ainda que a maioria das mães ignora ser portadora da doença. A presidente da Sbim-RJ, Isabella Ballalai, salienta a importância de os bebês das mães infectadas serem vacinados até as primeiras 12 horas de vida. Segundo ela, se isso não ocorrer, a chance de transmissão da doença chega a 90%.

Iceberg
A primeira ação da nova bancada tucana no Legislativo do Rio de Janeiro, visando à investigação do desvio de recursos do ICMS, acontecerá nesta segunda-feira. O líder do PSDB, deputado Otávio Leite, entra com projeto de emenda solicitando a suspensão de todos os benefícios fiscais referentes ao período que está sob investigação judicial, e, ao mesmo tempo, o reexame de todos os processos que originaram benefícios para terceiros. O deputado tucano fez questão de frisar que, sendo certo que cerca de US$ 30 milhões foram depositados na Suíça, é porque um valor muito maior que este deixou de entrar no Tesouro estadual.

César
Filial do museu Guggeinheim, peças de teatro no estilo Broadway e política de tolerância zero (com os camelôs): não resta dúvida, o prefeito César Maia quer transformar o Rio de Janeiro numa Nova York dos trópicos. Espera-se que sem World Trade Center.

Ah, César!
Aliás por falar em César, os contribuintes cariocas devem estar intrigados. Afinal, se a situação do caixa da prefeitura é tão pródiga como propagandeia a publicidade oficial, por que a cidade está às traças? Não se trata apenas dos efeitos mais visíveis provocados por qualquer chuva mais intensa. Um simples passeio pelo Rio revela as marcas do abandono na sujeira acumulada nas ruas, na falta de iluminação pública, nos buracos, nas crianças abandonadas, na mendigância endêmica e, até – inacreditável para uma cidade com vocação turística – na falta de iluminação. A única coisa não vista nas ruas do Rio é a presença do poder público.

Novo nome
Será que a Argentina também está em “default técnico”?

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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