CTI aérea

Incensada como exemplo da “privatização que deu certo”, a Embraer, vê-se agora, por conta do embate com a Bombardier, não se sustenta sobre as próprias asas sem o generoso subsídio da “viúva”. A gasolina azul paga pelo contribuinte chega a US$ 4,5 bilhões por ano, somente em subsídios no âmbito do Proex. Esses números não incluem  os generosos capilés do BNDES. A briga com a Bombardier na OMC pôs em evidência que a nova Embraer voa em céu de brigadeiro, sim, mas com combustível pago pela “viúva”, o que não impede que os lucros aterrissem exclusivamente nos bolsos dos novos e empreendedores donos privados.

Linha dura
A Prefeitura de Caxias contabiliza perdas de R$ 100 milhões com a inadimplência no pagamento de IPTU nos últimos cinco anos. A cobrança desses atrasados começa a ser feita pelo Banco do Brasil, que também vai tentar receber o ISS atrasado. Quem não pagar vai parar no Serasa e no SPC.

Locaute
A tentativa de uma parte da imprensa de qualificar, com desdém, a greve dos caminhoneiros como locaute – paralisação comandada pelas empresas e não pelos empregados – em nada reduz a importância do movimento que quase parou o país semana passada. Se liderada pelos próprios motoristas de caminhão a paralisação já seria um importante contraponto à política econômica que está sufocando o País, caso a participação dos empresários tenha sido preponderante o assunto assume dimensões ainda maiores. As empresas, até pouco tempo, por opção ou por total falta de opção, embarcavam na canoa neoliberal sem maiores contestações. O barco faz cada vez mais água e uma parte mais lúcida do empresariado começa a defender seus interesses e tenta evitar afundar junto com os comandantes. São nesse sentido alguns atos da Fiesp e do Iedi. Também foi nessa direção que o presidente da Fiemg (Federação das Indústrias de Minas Gerais), Stefan Salej, criticou a privatização de Furnas e chamou os industriais mineiros a se unir à Cemig e adquirir a geradora que garante energia para o desenvolvimento do estado. O vento mudou de direção.

Xerox
Por incrível coincidência, os argumentos utilizados pelo ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, em artigo publicado nesta página ontem, para defender a cobrança de pedágio nas rodovias são similares – para não dizer idênticos – aos utilizados pela ABCR (Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias). Aliás, o título do arrazoado com que o ministro pretendia negar que a tarifa fosse excessiva (“Justiça no pedágio”) é uma cópia pouco disfarçada do título de artigo publicado na mesma OPINIÃO, na edição do MM do final da semana, de autoria do presidente da ABCR, Moacyr Servilha Duarte (“A justiça e o pedágio”). Houve leitores que ligaram reclamando, acreditando que o jornal havia repetido a coluna.

Mentirinha
Ao contrário da greve dos caminhoneiros, a paralisação de 30 minutos dos operadores das bolsas ontem contra a CPMF foi meramente virtual. Na Bovespa, o sistema eletrônico continuou funcionando enquanto os operadores cruzavam os braços. No Rio, o movimento se restringiu às corretoras, já que há cerca de um mês a categoria foi extinga no pregão carioca sem que se visse a mesma mobilização de agora. A mesma omissão, aliás, já se dera quando dos primeiros lançamentos de ADRs que semearam o esvaziamento do mercado acionário brasileiro.

Pauta cheia
Mais de 400 projetos de lei devem ser votados pela Câmara Municipal do Rio neste segundo semestre. Deste total, 52 são prioritários, conforme determina o regimento interno da Casa, uma vez que foram vetados pelo prefeito Luiz Paulo Conde. O prefeito terá que negociar e muito com o Legislativo, uma vez que sua base de sustentação está enfraquecida. Dependendo da natureza do projeto a ser enviado à Câmara, ele terá que negociar com vários grupos políticos, como o grupo do Sami Jorge e Jorge Leite, o grupo do R-PFL e a bancada do PSBD. Isso sem falar no PDT, PT e PC do B. Essa divisão de forças dentro da Câmara dos Vereadores, na opinião do vereador Otávio Leite (líder do PSDB), faz com que haja maior debate sobre as matérias em pauta.

Simples
A partir de hoje, quem precisar tirar a segunda via da carteira de habilitação não precisa mais ligar para o serviço de tele-atendimento do Detran-RJ, uma vez que o órgão criou um novo procedimento. Basta o usuário ir à sobreloja do prédio-sede do Detran, na Avenida Presidente Vargas 817, levando os seguintes documentos: original e cópia da carteira de identidade, original e cópia do CPF, original e cópia do comprovante de residência, e uma foto três por quatro com fundo branco.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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