CÂMBIO

Quando volta a valorizar?
Mercado já espera que tendência de queda leve moeda para R$ 2,20
A ata do Copom, divulgada nesta sexta-feira, reforçou a expectativa de que há uma única tendência para o câmbio: ladeira abaixo. As previsões de que a moeda norte-americana possa chegar à casa de R$ 2,20 aumentam, e uma pergunta ressoa: será que o dólar pode subir de novo? Dois fatores vão motivar a resposta: o ambiente de liquidez internacional e os resultados da balança comercial.
“Vejo possibilidade de uma valorização do dólar só em outubro, quando o escoamento das safras agrícolas terminar”, afirma o ex-diretor do Banco Central Emilio Garofalo. No último trimestre do ano, afirma ele, poderia ficar mais visível o efeito do câmbio sobre as exportações, aí o real perderia parte da força.
Há riscos no caminho com as apostas crescentes sobre a moeda brasileira: a força do real está fazendo com que fundos tenham posições recordes vendidas em dólares, o que indica uma vulnerabilidade da economia brasileira.

Quando pode subir?

A LCA Consultores estima que a queda dos preços das commodities aliada à valorização do real, o que trará desaceleração à balança comercial, e o menor ambiente de liquidez internacional farão o dólar ganhar força a partir de setembro. A consultoria estima que no segundo semestre o Federal Reserve continue aumentando os juros, que atualmente estão em 3%.
Economistas estimam que os juros nos EUA possam chegar a 4% no fim deste ano. Com isso, investidores devem migrar para ativos em dólar, o que reduziria o fluxo de investimentos nos emergentes. A LCA estima taxa de câmbio média de R$ 2,73 para setembro e de R$ 2,80 para outubro. Em julho, a estimativa é de R$ 2,58, e, em agosto, de R$ 2,62. Mas a consultoria também alerta que existe risco de que o real possa ficar valorizado por mais tempo.

Riscos para o Brasil

Ricardo Amorim, diretor de mercados emergentes do WestLB, traçou um detalhado relatório sobre a economia brasileira neste ano e aponta dois sérios riscos para o Brasil. O primeiro, segundo ele, é de origem técnica. No dia 23 de maio, investidores institucionais estrangeiros mantinham US$ 8,6 bilhões em posições vendidas em dólares na BM&F, maior nível histórico.
Ao mesmo tempo, acredita-se que os fundos de hedge também mantenham alta posição comprada em reais. Se houver necessidade de uma realocação de recursos no curto prazo, por algum motivo interno ou externo (preocupações sobre a economia norte-americana), a vulnerabilidade brasileira seria alta.
As perdas motivadas com essa realocação seriam pesadas. No entanto, Amorim acredita que, se houver esses ajustes na taxa de câmbio, eles podem ser temporários, uma vez que os juros altos e os dólares das exportações devem continuar sustentando o otimismo com o real. O outro risco é de que um evento externo grave surja no cenário e reduza o fluxo de investimentos para o país.

Roberto Rockmann
Jornalista especializado da BrazilFX (www.brazilfx.com)

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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