Cunha aprovaria

A privatização da Cedae tem todos os elementos para um novo escândalo, se houver interesse em apurá-lo. Mas, nesse novo país da Lava Jato, as investigações são seletivas, e a corrupção continua, com nem tanta discrição. Mas, além do forte cheiro de negociata, a venda da estatal envolve também a mão forte da equipe econômica do Governo Temer, para não só enquadrar os estados ao modelo de cortes máximos e Estado mínimo, como também para impulsionar a alienação do setor de saneamento – leia-se, controle da água.

A venda da Cedae tem muito da proposta capitaneada em 2005 pelo então deputado estadual Eduardo Cunha (PMDB). E muito da indefinição que se mostrou desastrosa em outras privatizações. O deputado estadual Carlos Minc lista: “O projeto aprovado autoriza o empréstimo de R$ 3,5 bilhões, mas sem precisar o prazo, a carência e a taxa de juros, ao contrário do que é exigido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Não foram apresentados os valores dos ativos e passivos da Cedae, nem a modelagem de parceria ou de como fica a água bruta (Guandu) com o estado. Isto tudo será definido em seis meses. Ou seja, autorizamos uma venda sem saber o valor e um empréstimo sem saber se o juro é de 5% ou 50%.” Minc diz também que há outras alternativas, inclusive a de se usar a dívida que o Rio tem a receber de R$ 65 bilhões como contrapartida à União.

Cidades fluminenses atendidas por companhias privadas podem ser prejudicadas, já que é a Cedae que fornece a água tratada. Apostar no aumento das tarifas é o mesmo que comprar bilhete premiado. Na Bolívia, o arrendamento do abastecimento em Cochabamba para a norte-americana Bechtel, em 1999, levou a um tarifaço de 200% – e à Guerra da Água, vencida pela população, com a multinacional batendo em retirada.

O valor da venda da Cedae só pode ser entendido como um caminho para financiamento das campanhas em 2018, com o caixa 2 das grandes empreiteiras fechado. Tudo somado, chega-se à conclusão de Minc: “Isto não resiste na Justiça.”

Madrasta

A coluna, por mais de uma vez (em 2006 e 2011), já caracterizou que a Eletrobras é madrasta dos seus aposentados. Ao apagar das luzes de 2016, o diretor Administrativo, Alexandre Aniz, cristão novo na empresa (entrou com Temer), propôs uma drástica mudança de regulamento, através da Resolução 806/16, datada de 19 de dezembro e somente agora divulgada.

É claro que choverão diversas demandas judiciais. O que ninguém entende é o fascínio que Alexandre Aniz exerce sobre o seu padrinho, ministro Gilberto Kassab, e que estranhas razões conduzem o presidente da Eletrobras a aceitar docilmente as proposições do diretor.

Meu pirão primeiro

Doze entidades que participam do Conselho Deliberativo do Sebrae Nacional (CDN) enviaram uma carta ao presidente Michel Temer manifestando-se contrárias à proposta da medida provisória do Turismo, que retira recursos do Sebrae para criar a Agência Brasileira de Promoção do Turismo (Abratur), de promoção do turismo no exterior.

Segundo o documento, há quase 30 anos o Sebrae apoia pequenos negócios na área de turismo e, que, para 2017 estão previstos 149 projetos com investimentos diretos de R$ 78 milhões nas empresas do setor.

Se é assim tão eficiente, os empresários poderiam ser chamados a apoiar o Sebrae voluntariamente. Do jeito que é hoje, um percentual da folha de pagamento é destinado à entidade, junto com a contribuição a Senai, Sesi, Sesc e similares. Uma parte do Custo Brasil que, convenientemente, confederações e federações empresariais esquecem de combater, já que é este dinheiro que sustenta as entidades, com direito a mordomias que, fossem numa estatal, receberiam pesadas críticas.

Café amargo

O consumo global de café foi superior à produção em 2016, pelo terceiro ano consecutivo, de acordo com a Organização Internacional de Café (OIC). O consumo mundial alcançou a marca de 155,1 milhões de sacas no ano passado, para uma produção de 151,624 milhões.

O saldo é que o preço do produto segue em alta. No Brasil o Ministério da Agricultura estima que o valor bruto da produção de café será de R$ 22,86 bilhões.

Rápidas

Nesta terça-feira, a partir das 18 horas, será lançado, na Livraria Folha Seca, Centro do Rio de Janeiro, o livro A Outra Face de Sergio Moro, de autoria do sindicalista petroleiro Emanuel Cancella *** Os Bailinhos de Carnaval do Shopping Jardim Guadalupe (RJ) ocorrerão sábado, domingo e segunda-feira, das 16h às 20h *** O vice-prefeito do Rio de Janeiro e Secretário Municipal de Transportes, Fernando Mac Dowell, vai nesta terça à Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRio) para falar sobre os planos da Prefeitura para a mobilidade e abastecimento da cidade. O encontro será realizado às 10h *** A Netfarma contratou Flavia Baldan como gerente de Marketing *** As centrais sindicais se reunirão nesta terça, às 15 horas, com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. O tema a ser discutido será a reforma da Previdência.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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