26.2 C
Rio de Janeiro
sexta-feira, janeiro 22, 2021

Curvas fechadas

O problema na estrada que liga o Rio a Petrópolis chamou a atenção para o estado de conservação das rodovias entregues a concessionárias. Levanta também dúvidas sobre a saúde financeira dessas empresas, já que a Concer, que administra a via que segue até Juiz de Fora, paralisou há mais de um ano a duplicação da pista, deixando um túnel – onde ocorreu o problema de deslizamento de terra – pela metade, alega desavenças financeiras com a União. O balanço apresentado pela entidade que congrega as concessionárias, a ABCR, mostra que o setor, de modo geral, vai bem, obrigado.

As receitas com pedágio acumuladas desde 1995 vão a R$ 145,5 bilhões. Somadas a R$ 8,6 bilhões de “outras receitas”, chega-se a um total de R$ 154,1 bilhões. No lado, das despesas, temos: investimento (R$ 58,1 bilhões); gastos operacionais (R$ 48,6 bilhões); despesas financeiras (R$ 24,6 bilhões); pagamento ao poder concedente (R$ 13,8 bilhões); e impostos (R$ 26,2 bilhões), somando R$ 171,3 bilhões. A diferença é de cerca de R$ 17 bilhões, mas deve-se levar em conta que os investimentos pesam no início das concessões; depois, vão diminuindo, o que deixa o lucro para o final. Da mesma forma o pagamento ao poder concedente.

A ABCR nota que os investimentos de R$ 6,75 bilhões realizados em 2016 nas rodovias concedidas foram 3,2% inferiores ao volume aplicado em 2014. A entidade atribui a queda às dificuldades para a obtenção de licenciamentos ambientais e financiamento das rodovias da terceira etapa do programa de concessões federais, que levaram à paralisação dos investimentos previstos. “As concessionárias de rodovias participantes desta etapa estão preparadas para investir imediatamente cerca de R$ 20 bilhões se tais dificuldades forem equacionadas”, garante César Borges, ex-ministro dos Transportes que preside a ABCR.

Ladeira abaixo vão os investimentos da União. Em 2011, os gastos federais em infraestrutura rodoviária foram de R$ 11,21 bilhões; em 2016, já no Governo Temer, o volume investido praticamente retrocedeu ao nível de 2008, caindo para R$ 8,61 bilhões. Este ano, até o mês de junho, foram investidos apenas R$ 3,01 bilhões. Neste ritmo (os gastos no final do ano geralmente são maiores, devido à demora na liberação dos recursos), vamos voltar a 2007.

 

Colisão

A Casualty Actuarial Society – associação centenária composta por atuários especializados em ramos de seguros elementares – divulgou uma apresentação sobre a evolução do mercado de seguro de automóvel nos EUA nos últimos anos.

Francisco Galiza, da Rating de Seguros, destaca o crescimento na taxa de sinistralidade desse tipo de seguros. “Pelo menos, dois fatores explicam esse fato: um, é que as pessoas estão dirigindo mais, aumentando o risco. Esse comportamento pode ser explicado pela situação econômica mais favorável daquele país (por exemplo, mais empregos ou gasolina mais barata).”

O segundo fator, resume Galiza, é que, “na ocorrência dos sinistros, a severidade dos danos aumentou (por uma maior inflação médica ou por veículos mais sofisticados). O estudo está disponível em www.iii.org/sites/default/files/docs/pdf/cas-11072017.pdf

 

Rápidas

O Almoço do Empresário da Associação Comercial do Rio do dia 1º de dezembro terá palestra do prefeito de São Paulo, João Doria Jr. *** Os 100 Anos da Revolução Soviética serão lembrados em São Paulo no dia 24 próximo, às 19h, na sede do PT Nacional (Rua Silveira Martins, 132, Sé – São Paulo – SP) *** A historiadora Glaucia Cristina Candian Fraccaro apresenta na próxima quinta-feira, às 14h, na sede da FGV, no Rio de Janeiro, os principais pontos da sua tese de doutorado intitulada “Os Direitos das Mulheres – feminismo e legislação trabalhista (1917–1937)” *** Luiz Eduardo Soares, ex-secretário Nacional de Segurança Pública, é um dos nomes confirmados para participar, dia 17, no Rio, na sede da FGV, do seminário Caminhos para a Efetividade da Segurança Pública no Brasil *** A Receita Federal na 7ª Região Fiscal comemora nesta terça-feira, a partir das 14h, os 70 anos de inauguração do prédio da Alfândega do Porto do Rio de Janeiro, com lançamento de livro, exposição e mesa redonda *** A FGV Eaesp realizará dia 30, a partir das 8h30, seminário com empresários e acadêmicos para debater o panorama atual da logística reversa no Brasil frente às novas regulamentações. Informações e inscrições: celog@fgv.br

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

Artigos Relacionados

É hora de radicalizar

Oposição prioriza impeachment, mas sabe aonde quer chegar?.

Soja ameaça futuro do Porto do Açu

Opção por commodities sobrecarrega infraestrutura do país.

Grande produtor rural não paga impostos

Agronegócio alia força política a interesses do mercado financeiro.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas Notícias

Mercado reagirá ao Copom e problemas internos

Na Europa, Londres teve alta de 0,41%. Frankfurt teve elevação de 0,77%. Paris teve ganhos de 0,53%.

EUA: expectativa por novos estímulos fiscais traz bom humor

Futuros dos índices de NY estão subindo, mesmo após terem atingidos novos recordes históricos no fechamento do pregão anterior.

Ajustando as expectativas

Bovespa andou na quarta-feira na contramão dos principais mercados da Europa e também dos EUA.

Sudeste produz 87,5% dos cafés do Brasil em 2020

Com mais de 55 milhões de sacas a região é a principal responsável pela maior safra brasileira da história.

Exportação de cachaça para mercado europeu cresceu em 2020

Investimentos será de R$ 3,4 milhões em promoção; no Brasil, já cerveja deve ficar entre 10 e 15% mais cara em 2021.