O custo do quilowatt/hora da hidrelétrica do Rio Madeira – portanto, energia nova, e não usinas antigas já amortizadas – ficará em US$ 33 (cerca de R$ 80). Dá para se ter uma noção do lucro astronômico que terá Furnas e seus parceiros privados, já que no leilão de energia nova, no final do ano passado, os preços cobrados ficaram na casa de R$ 120/kWh, projetando novos aumentos recordes no bolso do consumidor.
Mães
Tramita na Comissão de Direitos Humanos do Senado um projeto de lei, de autoria da da senadora Patrícia Saboya (PSB-CE), que prevê a ampliação da licença-maternidade de quatro para seis meses em troca de benefícios para a empresa que aderir à proposta. Na opinião da advogada trabalhista Silvia Maria Munari Pontes, do Trevisioli Advogados Associados, o momento não é oportuno para implantação do projeto, devido a uma possível discriminação velada à mulher no mercado de trabalho. A advogada destaca que em relação à licença-maternidade, o Brasil está à frente de países como Estados Unidos, que dá o benefício por três meses, e Alemanha, que tem três meses e meio de licença. Já na Finlândia, o benefício pode chegar a três anos – só os primeiros meses são remunerados, mas a empresa é obrigada a manter a vaga da funcionária.
Papo cabeça
Um cliente da Vivo que, ainda em 2005, ligou para a empresa para esclarecer dúvidas sobre sua conta foi convocado por uma indefectível gravação a declinar os motivos do seu telefonema, para, supostamente, facilitar o atendimento. Depois de explicar por duas vezes suas razões, foi informado pela voz mecânica que o atendimento fora encerrado e instado a dar-lhe uma nota. Na segunda tentativa, adaptou sua resposta ao padrão da empresa e, indagado sobre suas razões, apontou motivos mais prosaicos: “Gostaria apenas de conversar com alguém, saber como é que vai ficar o tempo no Rio, só coisas da vida.” Ato contínuo, foi atendido por uma funcionária real, à qual expôs as razões que sonegara à empregada virtual.
Antigo e funciona
A virada de 2005 para 2006 confirmou uma tradição que já remonta há cerca de uma década: quem tenta desejar votos de feliz ano novo a parentes e amigos usando celulares das operadoras instaladas no país só consegue fazê-lo – após muitos apelos aos deuses – cerca de duas horas depois da meia noite. Aos milhares de brasileiros que insistem em fazer seus votos em tempo real restou um backup, tão antigo quanto funcional: o cartão telefônico. Esta coluna testemunhou casos em que, após pelo menos meia hora de espera em vão ao celular, os brasileiros conseguiram concluir suas ligações usando apenas um orelhão e o cartão telefônico. O único pré-requisito é que a ligação fosse para telefone fixo.
Babalorixás em recesso!
A promessa do ministro do Desenvolvimento, Luiz Furlan, de não mais fazer previsões para o câmbio, por não ter emplacado qualquer uma delas, é o tipo do serviço de utilidade pública que deveria ser seguido pelos palpiteiros de plantão, principalmente, os instalados no mercado financeiro e no seu entorno. Depois de preverem que o país cresceria, ao menos, 4,5% em 2005 e serem desautorizados por um avanço que chegará, no máximo, a 2,5%, continuar a sustentar projeções panglossianas é, no mínimo, desrespeito à inteligência do grande público.
Mas…
Apesar da promessa do ministro, nota do Ministério do Desenvolvimento sobre a balança comercial começa assim: “Mesmo com a valorização do real frente ao dólar (…)”
Perdido no Planalto
A última entrevista de 2005 do presidente Lula reafirmou um ponto fundamental: Lula não tem a menor noção de como vai se defender na campanha eleitoral sobre as acusações a respeito do escândalo do mensalão. Afinal, presidente que se diz esfaqueado por autores de atos gravíssimos, no mínimo, está sujeito à acusação de prevaricação, se não der nomes aos bois. A não ser, por óbvio, se os bois, ao serem nomeados, mugirem coisas desagradáveis.
















