Cesta básica sobe abaixo da inflação em todas as 17 capitais

Dieese calcula em R$ 7,1 mil o salário mínimo necessário para uma família, baseado no valor da cesta básica e itens definidos na Constituição.

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Cesta básica (Foto: Governo da Bahia/CC)
Cesta básica (Foto: Governo da Bahia/CC)

O valor do conjunto dos alimentos básicos aumentou em 17 capitais e diminuiu em outras nove localidades onde o Dieese, em parceria com a Conab, realiza mensalmente a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos. Em 12 meses, porém, o quadro foi diferente. A comparação do custo de dezembro de 2024 com dezembro de 2025, possível apenas nas 17 capitais com série histórica completa, mostrou elevação em nove municípios e diminuição em oito. Mesmo nas nove capitais com aumento em 2025, a alta dos preços da cesta básica ficou abaixo da variação da inflação medida pelo IPCA-15, que fechou o ano passado em 4,41% (o IPCA fechado de dezembro será divulgado nesta sexta-feira).

Destacam-se as altas em Salvador (4,04%), Belo Horizonte (2,40%) e Rio de Janeiro (1,57%). As reduções mais importantes foram observadas em Brasília (3,90%) e Natal (3,27%).

O preço médio do arroz agulhinha diminuiu em todas as capitais, e as quedas variaram entre 40,34% (Brasília) e 20,72% (Aracaju). O leite integral também baixou em todas as capitais, e as quedas chegaram a 13,23%. No caso do feijão, o preço caiu em 15 das 17 capitais, com destaque para Florianópolis (-45,73%).

São Paulo foi a capital onde o conjunto dos alimentos básicos apresentou o maior custo (R$ 845,95), seguida por Florianópolis (R$ 801,29), Rio de Janeiro (R$ 792,06) e Cuiabá (R$ 791,29). Nas cidades do Norte e do Nordeste, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores médios foram registrados em Aracaju (R$ 539,49), Maceió (R$ 589,69), Porto Velho (R$ 592,01) e Recife (R$ 596,10).

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Com base na cesta mais cara, que, em dezembro, foi a de São Paulo, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o Dieese estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário. Em dezembro de 2025, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.106,83 ou 4,68 vezes o mínimo de R$ 1.518. Em novembro, o valor necessário era de R$ 7.067,18 e correspondeu a 4,66 vezes o piso mínimo. Em dezembro de 2024, o mínimo necessário deveria ter ficado em R$ 7.067,68 ou 5,01 vezes o valor vigente na época, que era de R$ 1.412.

Desempenho da Cesta Básica no Rio de Janeiro

Em dezembro de 2025, o preço da cesta básica do Rio de Janeiro apresentou alta de 1,03% em relação a novembro e ficou em R$ 792,06. Foi a terceira cesta básica mais cara entre as capitais pesquisadas. Na comparação com dezembro de 2024, o valor acumulou alta de 1,57%.

Entre novembro e dezembro de 2025, seis dos 13 produtos que compõem a cesta básica tiveram aumento nos preços médios:

  • batata (24,10%)
  • banana (3,42%)
  • feijão preto (1,17%)
  • carne bovina de primeira (1,15%)
  • manteiga (0,80%)
  • pão francês (0,40%).

Outros sete itens seis apresentaram queda:

  • tomate (-5,13%)
  • leite integral (-3,40%)
  • açúcar refinado (-2,02%)
  • óleo de soja (-1,62%)
  • arroz agulhinha (-1,62%)
  • café em pó (-0,59%)
  • farinha de trigo (-0,20%).

Nos últimos 12 meses, entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, foram registradas elevações em cinco dos 13 produtos

  • café em pó (42,55%)
  • tomate (9,04%)
  • banana (8,87%)
  • pão francês (4,19%)
  • carne bovina de primeira (4,11%)

Os itens que apresentaram diminuição de preços foram:

  • feijão preto (-36,75%)
  • arroz agulhinha (-29,73%)
  • leite integral (-8,27%)
  • açúcar refinado (-6,03%)
  • farinha de trigo (-4,47%)
  • batata (-3,38%)
  • óleo de soja (-1,51%)
  • manteiga (-1,33%).

Em dezembro de 2025, o trabalhador do Rio de Janeiro, remunerado pelo salário mínimo de R$ 1.518, precisou trabalhar 114 horas e 47 minutos para adquirir a cesta básica. Em novembro de 2025, o tempo de trabalho necessário havia sido de 113 horas e 37 minutos. Em dezembro de 2024, quando o salário mínimo era de R$ 1.412, o tempo de trabalho necessário era de 121 horas e 30 minutos.

Matéria atualizada às 20h11 para acrescentar dados sobre preços abaixo da inflação

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