Custo da “desdolarização”

Reduzir o peso do dólar na dívida interna custou 5% do PIB, segundo estimativa do economista Edmar Bacha. “Se a parcela dolarizada da dívida pública tivesse sido mantida no mesmo nível que estava em 2002, hoje a relação dívida/PIB seria 5% menor. Isso por causa da enorme valorização do real que houve de 2002 para cá (se a proporção da dívida pública dolarizada em 2002 tivesse sido preservada, ela representaria um valor muito menor em reais, em razão da valorização da moeda brasileira)”, calcula o tucano que, providencialmente, esquece o custo de carregar essa pesada dívida nos anos FH. Além disso, prefere não discutir o ganho estratégico na redução da dolarização, se fixando apenas na perda financeira imediata. Bacha é professor do Departamento de Economia da PUC-Rio e consultor do Banco Itaú BBA.

Não pegou
Lei paulistana que torna obrigatório o uso de desfibrilador na cidade completa um ano neste sábado, mas ainda aguarda regulamentação para entrar em vigor. Enquanto isso, paradas cardíacas reversíveis com desfibriladores matam no Brasil 820 pessoas por dia – 299,3 mil por ano, denuncia o presidente do Comitê de Socorrismo da Agência Brasil de Segurança, Raul do Monte Carmelo. A lei, que obriga a existência de desfibrilador nos locais onde circulam mais de 1,5 mil pessoas por dia, deveria ter sido regulamentada 120 dias após a edição.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os problemas do coração são a principal causa mundial de mortes: 17 milhões de pessoas morrem a cada ano no mundo vítimas de doenças cardiovasculares. Segundo a OMS, a hipertensão afeta aproximadamente 20% da população mundial adulta. No Brasil, estima-se que há cerca de 20 milhões de hipertensos, o que representa de 15% a 20% da população adulta.

Presente
“A entrega das propostas para a licitação da Transpetro vai ser um presente de grego que eu recebo porque o dia 16 de janeiro é o meu aniversário. Eu não poderia ter um presente pior.” A afirmação é do secretário fluminense de Energia, Indústria Naval e Petróleo, Wagner Victer, para quem a forma como foi feita a licitação é um grande equívoco do ponto de vista econômico e legal. “Possivelmente, nas propostas que serão entregues, devido à redução da competição que foi estabelecida na fase de pré-qualificação, teremos valores absurdos, muito acima do que foram praticados na última concorrência que foi ganho pelo estaleiro Eisa, cujo contrato não foi assinado”.

Cabo seguro
Para reduzir os roubos de cabos e os prejuízos financeiros e operacionais, a SuperVia, concessionária dos trens urbanos no Rio de Janeiro, está implantando o projeto TData, equipamento desenvolvido pela própria empresa, em parceria com a ZGS Tecnologia. A idéia é enviar as informações ao longo da linha férrea através de fibra ótica, rádio digital e multiplex. Ao contrários dos cabos de cobre, estes materiais não têm interesse para os ladrões, que não poderão revendê-los. Os novos equipamentos já funcionam nos trechos de Del Castilho a Jacarezinho e de Santíssimo a Campo Grande. A estimativa é de que todos os ramais recebam esta tecnologia até o final do ano, com prioridade para os locais com maior índice de roubo.

Volta ao passado
Enquanto o saldo recorde da balança em 2005, de US$ 44,764 bilhões, seja motivo de comemoração, principalmente pela contribuição à redução da pressão sobre as contas externas do país, sua constituição traz sinalizações preocupantes sobre a inserção do Brasil no mundo globalizado. Ao mesmo tempo em que potências emergentes, como a China, ampliam a participação de bens e serviços de alto valor agregado nas suas vendas externas, ano passado, 85,78% – ou US$ 38,4 bilhões – do superávit comercial brasileiro, de US$ 44,764 bilhões, vieram do agronegócio.
Apesar da contribuição expressiva para o superávit, as exportações desse segmento – que participa de apenas 6% do comércio mundial de bens e serviços – que somaram US$ 43,6 bilhões, ano passado, responderam por apenas 36,85% das vendas totais do país, que alcançaram o recorde de US$ 118,309 bilhões, em 2005.
Ou seja, dez anos depois do então presidente FH proclamar seu desejo de enterrar a Era Vargas, seu genérico petista mantém a marcha batida iniciada pelo tucano rumo à República Velha.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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