Custo de vida desacelerou em São Paulo ao longo de 2023

Segundo Fecomércio, variação acumulada até novembro foi de 3,33%; classes mais baixas viram preços ficarem mais estáveis ao longo do ano

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Varejo na Rua 25 de março (Foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas)
Varejo na Rua 25 de março (Foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas)

O custo para viver na Região Metropolitana de São Paulo desacelerou ao longo de 2023, é o que mostra o levantamento do Custo de Vida por classe Social da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP). A variação nos preços foi de 3,33% considerando o acumulado entre janeiro e novembro do ano passado, patamar abaixo dos 5,77% do mesmo período de 2022.

As camadas baixas da população foram as que mais perceberam a inflação modesta ao longo de 2023. Para a classe E, os produtos e serviços subiram 1,9%, taxa que foi de 2,56% para a classe D e de 3,29% para a C. Nos estratos superiores, ao contrário, a aceleração foi mais forte: a classe B viu os preços do seu consumo médio crescerem acima da variação geral, em 3,69% e, para a A, a alta foi de 4,26%.

A explicação para isso está, sobretudo, nos alimentos: antes, vilões do custo de vida, principalmente durante a pandemia, eles estão mais estáveis agora por causa dos bons resultados do setor agropecuário brasileiro, pela redução das commodities no mercado internacional e pela regularidade do clima no país. Como esse é o grupo de produtos que pesa no bolso dos mais pobres com intensidade maior, a desaceleração dos preços fez com que o custo de vida dessas famílias ficasse menos pressionado.

Pelos números da federação, os preços dos alimentos se mantiveram basicamente os mesmos nos 11 meses de 2023 (0,1%) para a classe E, ao passo que subiu 3,32% para a classe A. Na média geral, o grupo subiu timidamente: 1,68%.

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A tendência de elevação de itens alimentares, notada nos últimos meses do ano passado, porém, é um fator preocupante. Mais ainda considerando que, na perspectiva da entidade, mesmo com uma melhora geral da economia e de uma inflação menos acelerada, os preços continuam elevados.

Não é à toa que outra categoria de preços cujo peso para as famílias de renda baixa é relevante – os transportes – aumentou significativamente ao longo do ano passado: 5,43%. O resultado se explica tanto pelos reajustes constantes na gasolina, que ficou 13% mais cara, quanto nas passagens de avião.

O custo da habitação, por sua vez, ajudou a segurar a elevação geral do custo de vida, ficando 2,38% maior no acumulado até novembro. De um lado, os materiais de construção civil baratearam ao longo do ano, como o cimento e o tijolo, por exemplo, além da conta de energia elétrica ter permanecido em uma bandeira intermediária: a verde. Por outro, serviços habitacionais, como o aluguel, a conta de água e de gás encanado, subiram significativamente.

O aumento mais expressivo da pesquisa foi nos serviços educacionais (7,3%), assim como no grupo de produtos relacionados à saúde (5,77%), que ficou mais caro por causa de variações tanto em medicamentos e produtos de higiene pessoal como nos serviços dos planos de saúde e em consultas médicas.

Em 2024, a federação espera que os preços continuem estáveis, muito por causa das expectativas de enfraquecimento da economia, que deve manter os preços das commodities sob controle e, com isso, impactar também na inflação.

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