Custo privatização

Privada dos poderes dos oráculos de Delfos, esta coluna, no entanto, se curva aos conselhos dos grandes economistas, que desconsideram previsões e sugerem que se trabalhe com grandes tendências, para advertir: a prevalecer os valores das tarifas e o festival de praças de pedágios que constam do edital do governo Lula  para privatizar novas rodovias, o Brasil muito, em breve, sofrerá os tremores de uma nova greve de caminhoneiros. Pelos valores do edital, numa viagem do Rio de Janeiro a Santa Catarina, o motorista terá pela frente, pelo menos, 15 pedágios. Se for um carro de passeio, isso lhe custará, ida e volta, cerca de R$ 130. Como, no Brasil, a grande maioria do transporte é rodoviário, uma viagem de caminhão, não sairá por menos do dobro disso.

Mão única
Apesar de cobrar um acréscimo no pedágio de pouco mais de R$ 0,10 por carro para construir recuos e pontos avançados de emergência ao longo da Ponte Rio-Niterói, a concessionária que administra a via se limitou a construir o recuo mais simples, ainda em terra firme. No meio da ponte, em vez de um posto que ficaria sobre o mar, a empresa limitou-se a ampliar o acostamento, onde mal cabe um caminhão, o que demandou apenas pintura e instalação de “olhos-de-gato”, o que um dia da arrecadação extra pagaria. O acréscimo é cobrado há três anos e não se vislumbra a época em que será extinto, muito menos quando se vai devolver aos usuários aquilo que é cobrado a mais por obra não realizada. A agência que deveria cuidar da concessão, a ANTT, faz de conta que está tudo certo.

Haja pneu
A concessionária Nova Dutra, que administra a principal rodovia federal – a Rio-São Paulo – recapeou vários pontos da pista, o que merece elogios, num tempo em que as concessionárias não cumprem suas obrigações. Mas a empresa usou asfalto abrasivo demais.

Rastro
Inexplicável deixar o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, fora dos relatórios das CPIs – dos Bingos ou dos Correios. Com exceção justamente da estatal que batizou a segunda comissão, todos os outros fatos envolvem empresas ligadas à Fazenda ou pessoas ligadas ao ministro.

Imagem permanente
Apostando no narcisismo crescente da sociedade contemporânea, já tem empresa vendendo o espelho com cabo!  A novidade faz parte do porfólio da empresa paulista Pentes Gaspar, que também fabrica pentes, escova e acessórios. Com formato compacto e vendido por preço médio de R$ 2,70, o espelho com cabo, literalmente, fica colado à imagem do seu dono.

Força
O senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) reforça as acusações contra Palocci. “Rogério Buratti foi quem bateu o martelo na assinatura do contrato (entre Gtech e Caixa). Por que, se ele nem era do governo? De onde vinha sua força nas negociações?”
O próprio senador responde: “Esse alguém era Antônio Palocci, coordenador da campanha eleitoral de Lula, coordenador da equipe de transição do governo e atual ministro da Fazenda. Por isso, não tenho dúvidas de que Palocci e Gtech têm tudo a ver e que Palocci tem que ser indiciado.”

“GOLvernança”
O vale-tudo em que foi transformada a epopéia de Romário para marcar o seu milésimo gol é alvo de piadas também no mercado financeiro. Operadores abriram uma bolsa de apostas para saber qual consultoria ou agência de risco vai se arriscar a auditar a contagem autoproclamada pelo veterano jogador. Não se sabe se KPMG – responsável pela contabilidade do finado Banco Nacional – e Ernest &Young – que cuidava dos balanços do extinto Econômico – vão ser escaladas.

Solidário
Quem quiser sambar no bloco Spanta Neném e, ao mesmo tempo, apoiar uma boa causa, basta comprar uma camiseta do projeto Pró Criança Cardíaca no ensaio de sábado na sede de remo do Flamengo, na Lagoa.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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