Aplicativos mantêm total controle sobre trabalho de entregadores

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), em todo o mundo, nos últimos dez anos, o número de plataformas digitais, em todos os setores, cresceu cinco vezes. Apesar de se concentrar ainda nos serviços de entrega, o trabalho por plataformas digitais vem ampliando a abrangência para outros setores e atividades, como educação, jurídico, serviços pessoais, logística e outros, sempre pagando baixos salários e impondo longas e exaustivas jornadas.

No Brasil, esse exército de trabalhadores sem carteira assinada e sem direito a proteção da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), vem sendo classificado como “empreendedores”. Na verdade, são motoristas, motoboys e entregadores de aplicativos sem direito a seguro-desemprego, aposentadoria, auxílio-doença ou acidente, Fundo de Garantia por Tempo de Serviço ou abono salarial do PIS/Pasep.

Para a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o caminho para esses empreendimentos – que ameaçam direitos e criam condições de trabalho cada vez mais precárias expondo à exploração selvagem do trabalho por empresas de tecnologia como iFood, Loggi e Rappi – foi facilitado por causa do desmonte dos direitos que começou depois do golpe de 2016, que destituiu a presidente Dilma Rousseff.

“A reforma Trabalhista fragilizou as formas de contratação, diminuiu o custo da demissão e tenta enfraquecer e até barrar a representação sindical”, afirma o secretário de Relações de Trabalho da CUT, Ari Aloraldo do Nascimento, citando apenas um exemplo de destruição de direitos após o golpe. A reforma Trabalhista, ressalta o secretário, foi aprovada pelo governo de Michel Temer (MDB-SP). Na sua avaliação, com a mão-de-obra barata, sem encargos sociais, as empresas de tecnologia, caso dos aplicativos, passaram a prosperar e explorar ainda mais os trabalhadores e trabalhadoras.

E, para além dos direitos, o controle da rotina de trabalho pelos aplicativos anula a autonomia dos trabalhadores e aumenta a produtividade – o lucro dessas empresas – já que a remuneração aos trabalhadores é irrisória, acrescenta a economista e pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia da Unicamp (Cesit/Unicamp), Marilane Teixeira.

“O trabalhador inicia a jornada e não pode interromper e voltar mais tarde. A empresa segue os passos pelo GPS. É como se fosse um capataz. Eles controlam metas, tempo de entrega e definem padrões de bonificação. São avaliados e sujeitos a punições e não podem contestar. É um controle é unilateral”, afirma a economista.

Segundo a CUT, propagandeada pelo mercado e pelos próprios aplicativos como uma forma de trabalho independente, em que o trabalhador faz seu próprio horário e, ele mesmo, gerencia sua atividade, a profissão nada mais é do que uma forma de exploração que leva esses trabalhadores aos limites de carga de trabalho, sem segurança, com total ausência de direitos e proteção social.

“Eles são cobrados pela rapidez na entrega, têm que atender aos padrões e regras dos aplicativos que, por sua vez, ignoram a realidade das ruas, ou seja, de como é realizar o trabalho. E se não conseguem cumprir as normas, são punidos com suspensão ou descadastramento do sistema.”

Randolpho De Souza
Editor de Seguros.

Artigos Relacionados

Aprovada entrega do IRPF até 31 de julho

Prazo atual é 31 de maio. Texto segue para sanção de Bolsonaro.

Dilma é absolvida pelo TCU na compra da refinaria de Pasadena

A decisão foi por unanimidade e contou com o voto do ministro indicado pelo presidente Jair Bolsonaro.

STF decide julgar no plenário a anulação de sentença de Lula

Julgamento prossegue nesta quinta-feira.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas Notícias

Jornalista agora pode ser MEI

Senado tentou incluir corretor de imóveis, publicitários e produtores culturais no projeto.

STF determina reintegração de excluídos do Bolsa Família

Ministro Marco Aurélio avaliou que Governo Federal estava descumprindo determinação.

Preços dos medicamentos voltam a subir em março

Segundo levantamento, resultado reflete agravamento da pandemia, colapso das unidades de saúde e depreciação cambial.

Planos devem autorizar exame de Covid de forma imediata

Antes da determinação da ANS, os planos podiam demorar até três dias úteis para garantir o atendimento ao pedido.

Cresce demanda árabe por café verde e solúvel do Brasil

No primeiro trimestre deste ano, país exportou 37% mais café à região; além dos grãos verdes, crus, países têm demandado mais produto solúvel.