CVM mostra preocupação com a falta de cuidados nos IPOs

Lançamentos recentes trazem uma série de fatos estranhos.

Acredite se Puder / 17:22 - 13 de ago de 2020

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Atualmente, dirigentes de 29 empresas que estão na fila, alegam que existe lentidão por parte da Comissão de Valores Mobiliários na concessão do registro e autorização para a realização de ofertas iniciais. Neste ano, o regulador só permitiu a realização do IPO de 9 empresas. Porém algo terrível pode acontecer e para evitar a CVM fez o alerta sobre pedidos mal feitos de registro de companhia aberta, numa possível indicação de que a onda de empresas brasileiras rumo ao mercado de ações pode estar acontecendo sem cuidados apropriados para este tipo de operação.

No final da semana passada, dois lançamentos aconteceram de maneira muito estranha. No das Lojas Quero-Quero foram captados quase R$ 2 bilhões. O fundo norte-americano Advent Brasil conseguiu se livrar de toda a sua posição. O estranho é que não houve a famosa troca de figurinhas, com dois fundos usando recursos dos investidores para ficar com parte dos IPOs. Apenas uma pessoa jurídica adquiriu pequena posição. O engraçado, e sem nexo, é que 22 pessoas físicas ficaram com a maior parcela da oferta.

A outra foi a da d-1000Via Farma, através de IPO pequeno, pouco mais de R$ 400 milhões. Nessa empresa, no entanto, talvez por falta de equipe especializada, não foi feita a alteração da relação de acionistas, permanecendo a Profarma como detentora de 100% das ações. Na semana anterior o Grupo Soma de Moda captou quase R$ 2 bilhões, sendo que participaram 6.870 pessoas físicas, 310 pessoas jurídicas e 284 institucionais, mas nenhuma casa de análise elaborou relatório.

A CVM ressalta que tem percebido diversas falhas no protocolo dos documentos encaminhados para o processo de registro de companhias abertas, como as notas explicativas referente a outros períodos e documentos em língua estrangeira traduzidos para o português em versão livre, não juramentado. Essas falhas podem ser facilmente detectáveis. Basta a CVM decidir que quem errou vai para o final da fila e espera.

 

Que confusos esses fundos MSCI

A partir de agosto, os fundos que têm o MSCI Brazil Index como referência precisarão vender ações da BrMalls e comprar as da Via Varejo, pelo seguinte motivo: a primeira entrou e a segunda saiu da carteira. A equipe de análise do Morgan Stanley calcula que o rebalanceamento gere uma pressão compradora com volume equivalente à média de meio dia de negociação das ações Via Varejo, ou US$ 146 milhões, enquanto a BrMalls pode sofrer uma pressão de vendas equivalentes à média de 1,8 dia de negociação dos papéis BrMalls, ou US$ 53 milhões. Por outro lado, houve revisão também no MSCI Global Small Caps, sendo que BrMalls entrou na carteira e Via Varejo foi excluída. O índice, no entanto, tem peso menor que o Global Standard. Mesmo com as mudanças, o peso de ações de empresas da América Latina no MSCI Global Standard se manterá em 7,9%.

A fatia individual de cada país da região dentro do MSCI EM Latin America Standard Index ficará como segue: Brasil com 65,1%, México com 21,1%, Chile com 7%, Peru com 3%, Colômbia com 2,2% e Argentina com 1,6%.

 

Quando o dinheiro da Caixa acabar

Para os analistas do Credit Suisse, o resultado da MRV deve ser considerado como neutro, apesar da receita recorde, pois a construtora segue com a lucratividade pressionada. Devido a isso, mantiveram a classificação “neutra” para as ações da MRV e também continua a ver um ambiente de margens sob pressão e uma perspectiva comercial mais desafiadora, “a partir do momento em que as condições especiais de financiamento da Caixa chegarem ao fim”. Concluindo, acham que o mercado não deve reagir à receita recorde porque ela já era esperada, uma vez que a empresa já havia divulgado a prévia operacional do segundo trimestre.

 

Ex-CEO da Wirecard na lista da Interpol

Jan Marsaleck, antigo CEO da alemã Wirecard, foi adicionado à lista dos mais procurados pela Interpol, a organização internacional de polícia criminal, depois do escândalo da contabilidade que envolveu milhares de milhões de euros da fintec germânica. Marsalek está em liberdade.

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