Dólar fecha a semana em queda de mais de 4%

O dólar despencava mais de 4% nesta sexta-feira (8), após o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, anunciar reforço na...

Mercado Financeiro / 20:52 - 8 de jun de 2018

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O dólar despencava mais de 4% nesta sexta-feira (8), após o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, anunciar reforço na atuação no mercado nos próximos dias e lembrar os agentes que a autoridade tem outros instrumentos para ampliar a liquidez. Às 16h53, o dólar recuava 5,52%, a R$ 3,7069 na venda.

Nos três últimos pregões, o dólar havia saltado 4,87%, encerrando a véspera em R$ 3,9258, maior nível desde 1º de março de 2016. O dólar futuro tinha baixa de 2,40%.

“O BC demorou a vir a público, deixando o mercado num ponto de tensão tão violenta que chegou muito perto de R$ 4... Mas foi só aparecer, dizer que estava a atento, já deu uma tranquilizada”, comentou o diretor da mesa de câmbio da corretora MultiMoney, Durval Correa.

Na noite de quinta-feira, Ilan informou que serão ofertados US$ 20 bilhões adicionais em swaps cambiais tradicionais —equivalentes à venda futura de dólares— até o fim da próxima semana. E acrescentou que, se necessário, o BC poderá fazer leilões de linha, venda de dólares com compromisso de recompra, ou até mesmo vender dólares das reservas no mercado à vista.

Ele ainda afastou a possibilidade de reunião extraordinária do Comitê de Política Monetária (Copom) para mudar a taxa de juros, e reforçou as mensagens nesta sexta-feira.

O mercado ficou mais nervoso nos últimos dias em meio a preocupações com a situação fiscal do país, após a greve dos caminhoneiros gerar impacto bilionário sobre as contas públicas.

A cena política também pesava, a poucos meses da eleição presidencial e sem que um candidato que o mercado considera mais reformista decolando nas pesquisas de intenção de voto. E essas preocupações ainda continuavam entre os investidores.

“As condições que levaram o dólar a esticar não mudaram... O BC conseguir tranquilizar, (mas) não significa que a moeda vai voltar a R$ 3,50”, afirmou Correa.

Nesta sessão, o BC já vendeu integralmente o lote de até 15 mil novos swaps, e também a oferta integral de até 60 mil contratos, dentro da nova estratégia de vender mais US$ 20 bilhões em swaps até a próxima sexta-feira. Dessa forma, já injetou US$ 10,306 bilhões neste mês no mercado.

Desde que começou a ofertar novos contratos de swap, no dia 14 de maio passado, o BC havia injetado no sistema até a véspera o equivalente a pouco mais de US$14 bilhões.

E ainda vendeu os 8.800 swaps para rolagem do vencimento de julho, já somando US$ 2,640 bilhões do total de US$ 8,762 bilhões que vence em julho. Se mantiver esse volume até o final do mês, rolará integralmente o total.

O cenário externo também continuava como uma luz amarela para os mercados, em meio a temores de altas de juros além do esperado nos Estados Unidos ainda este ano.

Na próxima semana, o Federal Reserve, banco central do país, volta a se reunir e as apostas majoritárias são de que ele promoverá a segunda alta de juros neste ano. A dúvida é se indicará que vai acelerar o passo até o final do ano ou fará apenas mais uma elevação até o fim do ano.

Juros elevados têm potencial de atrair à maior economia do mundo recursos aplicados hoje em outras praças financeiras consideradas de maior risco, como a brasileira.

Nesta sessão, o dólar operava em alta ante uma cesta de moedas e também divisas de países emergentes, como o rand sul-africano e o peso mexicano.

“A expectativa com o Fed e também com nova pesquisa de intenção de voto no final de semana seguram um pouco a correção do dólar”, afirmou o operador da mesa de câmbio de uma corretora local, ao citar a pesquisa Datafolha para as eleições presidenciais que deve ser divulgada no final de semana.

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