Estado deve bancar salários e empresas

Nos EUA, custo seria de 3,75% do PIB, metade da queda estimada para a produção.

A estimativa das entidades que representam o setor de bares e restaurantes é que ocorra uma queda de 80% no faturamento. Como ninguém tem uma margem de lucro nesta proporção, fica claro que faltará dinheiro para manter as contas em dia.

Uma empresa de contabilidade e tecnologia, a Roit, diz que tem recebido diariamente ligações de clientes querendo saber como podem encerrar as atividades, outros questionando o melhor caminho para demissão em massa de funcionários. “Somente uma destas empresas estima desligar mais de 400 colaboradores. A crise está surreal e muitas não aguentarão o período de quarentena, por não terem receita, nem caixa para aguentar”, disse Lucas Ribeiro, sócio-diretor da Roit.

A situação é igual em outros países, com alguns setores afetados de forma mais severa. (De cabeça pode-se citar aéreo, turismo e entretenimento.) Esperar que a crise passe e tudo volte ao normal beira a ingenuidade, pois o mundo já caminhava para recessão e crise financeira antes da pandemia. Para resgatar a economia, surge o velho, o dinossauro, o ultrapassado Estado Nacional.

A discussão vem crescendo lá fora e começa a ganhar corpo no Brasil. “Há uma solução radical e direcionada para as causas específicas da recessão global do coronavírus: os governos devem intervir como pagadores de última instância, o que significa que cobririam os custos salariais e de manutenção das empresas que enfrentam o fechamento. No contexto dessa pandemia, precisamos de uma nova forma de seguro social, que ajude diretamente trabalhadores e empresas”, defendem Emmanuel Saez e Gabriel Zucman, professores de economia da Universidade da Califórnia, Berkeley, em artigo publicado no jornal britânico The Guardian.

Segundo os professores, a ação estatal poderia impedir que uma recessão muito acentuada, mas que eles acreditam que será curta (a coluna tem suas dúvidas), se torne uma depressão duradoura.

Quanto custaria esse programa de pagador de última instância? Com base nas estatísticas de contas nacionais do setor, estimamos que, com um bloqueio nacional, até 30% da demanda agregada possa evaporar nos Estados Unidos nos próximos três meses, levando a uma queda de 7,5% no PIB anual”, calculam.

A compensação de trabalhadores ociosos e os custos necessários de manutenção de negócios envolveriam pagamentos do governo de cerca da metade desse total. O seguro-desemprego substitui cerca de 50 a 60% dos salários e os custos essenciais de manutenção das empresas são provavelmente menos da metade dos custos operacionais normais (por exemplo, aviões que não voam não queimam combustível). O custo total para o governo seria de cerca de 3,75% pontos do PIB, financiado através do aumento da dívida pública. A perda direta do produto resultante das medidas de distanciamento social seria efetivamente colocada na guia do governo, ou seja, socializada”, recomendam.

 

Consuloria ‘made in Brazil’

O consultor Luiz Affonso Romano, presidente da Associação Brasileira de Consultores (ABCO), expande a consultoria brasileira abrindo núcleo da entidade na Flórida (EUA), que será dirigido pelo brasileiro radicado em Miami André Vacarro. Nesta quarta-feira, conduziram o primeiro Café com Consultores da ABCO no exterior, por Skype, o qual contou com a presença de sete consultores, todos brasileiros residentes na Flórida.

Romano e Vacarro, pelo Laboratório da Consultoria e pela Nova Orbis, pretendem, pós coronavírus, organizar o 1º Curso de Desenvolvimento de Consultores nos EUA. Aqui no Brasil, Luiz Affonso Romano ministrou mais de 80 cursos.

 

Efeitos colaterais

Sem novela e sem futebol, a dúvida é o que acontecerá mais após o fim do confinamento: uma explosão de divórcios ou um baby boom?

 

Rápidas

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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