Dados de cartórios podem dar transparência à Covid

O número de mortes confirmadas decorrentes do coronavírus no Rio de Janeiro chegou a 224 nesta terça-feira, uma alta de 42 óbitos, ou 23%. Há ainda 121 mortes em investigação. São 3.410 casos confirmados (inclusive o governador Wilson Witzel); neste caso, o número cresceu apenas 5,5%. Em São Paulo, a alta foi de 14% no número de mortes, 87, para 695. Os casos confirmados se aproximam de 10 mil: são 9.371, alta de cerca de 5,5% como no Rio. Os números são contestados por especialistas. Diante da falta de testes, acreditam em uma subnotificação elevada; os casos seriam ao menos 12 vezes maiores do que os confirmados oficialmente.

Em todos os países há subnotificação, mas em escala bem menor. No Reino Unido, desde 2005 há estatísticas sobre o número de mortos, por qualquer causa. O coronavírus levou esta relação para o nível mais alto nestes 15 anos, cerca de 40% acima da média. Na semana encerrada em 3 de abril, quase uma em cada quatro mortes (22%) teve como causa a Covid-19. Na semana encerrada em 27 de março, este percentual era de apenas 5%. Em Londres, a situação é mais grave: metade dos óbitos envolveram o coronavírus.

Os cartórios do Brasil são informatizados e registram todas as mortes. A divulgação desses dados poderia dar não só alguma transparência, mas também uma noção mais realista do que está ocorrendo no país.

 

Fake, o tetorno

A respeito da nota “Fake”, publicada aqui ontem, o deputado Carlos Jordy (PSL-RJ) enviou o seguinte esclarecimento: “Em nenhum momento o deputado federal Carlos Jordy falou ou publicou em rede social que o arrendamento do Hospital Oceânico custou R$ 58 milhões. Jordy fez referência ao valor do contrato com uma organização social pelo período de seis meses. Como cidadão e parlamentar, Carlos Jordy considera que o valor contratual de R$ 58 milhões está muito acima do preço de mercado, por isso fará representação ao Ministério Público para que sejam apuradas suspeitas de irregularidades.”

Para o leitor julgar, segue o texto publicado pelo deputado no Twitter (mantida a grafia original): “O coronavírus está sendo utilizado p/ justificar muita falcatrua, mas isso aqui é demais. O hospital está à venda por 45 milhões, mas a prefeitura de Niterói faz contrato c/ a ONG Viva Rio p/ usar 1/3 dos leitos no valor de 58 milhões. Representarei ao MP p/ q apure esse absurdo!” Abaixo da mensagem, ele ainda retuitou o texto: “Prefeitura de NITERÓI RJ arrendou por 6 meses um hospital privado de 140 leitos ao custo de 58 milhões. A propriedade estava à venda por 45 milhões e apenas 40 leitos foram equipados. A ONG VIVA RIO ligada ao PCdoB é quem está executando o serviço. Quem vai investigar?”

Bem, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro instaurou, em 26/3, procedimento para apurar as condições de operação e gestão de hospital na Região Oceânica de Niterói. Em 13/4, expediu novo ofício à Prefeitura de Niterói requerendo informações sobre a contratação da OS Viva Rio.

A coluna não precisava de assessoria, bastava recorrer à memória ou ao Google, para publicar que Carlos Jordy é deputado federal, e não estadual, como erroneamente informou.

 

Novo normal

O Ministério da Economia espera que a crise passe para retomar a “agenda de reformas”. Até no exterior já se admite que, sem abrir mão de alguns anéis, os dedos estão ameaçados. Como diz um amigo, “se voltarmos à normalidade, teremos desperdiçado uma boa crise”.

 

Rápidas

O presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT/RJ), desembargador José da Fonseca Martins Junior, é o convidado da presidente nacional do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), Rita Cortez, para uma conversa na live desta quarta, às 17h, no perfil do Instagram @iabnacional. O tema será “O Judiciário frente à pandemia” *** BVA Advogados promove agenda de transmissões ao vivo #RecuperaBrasil com empresários, empreendedores e especialistas de diversas áreas, de segunda a quinta, às 20h, no perfil @bvalaw. Nesta quarta a live é com Diego Barreto, CFO e VP de Estratégia do iFood *** A Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem (Fidi) busca agentes administrativos, técnicos em radiologia (tomografia), auxiliares de enfermagem e enfermeiros para atuarem temporariamente em suas unidades da rede pública de São Paulo. Acessar fidi.org.br e buscar “Trabalhe Conosco” até 30 de abril.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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