Dados preliminares indicam que 90% dos ambulantes perderam faturamento

Levantamento feito pela UFF vai aferir a atividade do comércio informal em Niterói.

A gente sempre vê notícias na TV de que o comércio piorou ou melhorou, mas ninguém nunca foi na minha barraca perguntar como estavam as vendas. Trabalhamos na informalidade, sem garantias, e com o fechamento na pandemia fomos os mais prejudicados”. Este questionamento do presidente licenciado da Associação dos Ambulantes de Niterói (Acanit), Fernando Carvalho, motivou uma parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF) para descobrir como anda o comércio informal na cidade que já foi capital do Estado do Rio de Janeiro.

Inspirado nas pesquisas financiadas pelas entidades empresariais a respeito do faturamento mensal do comércio, o levantamento do Projeto UFF nas Ruas pretende criar uma série histórica mensal que possa aferir o ritmo da atividade do comércio ambulante na cidade. Dados preliminares, cedidos em primeira mão ao Monitor Mercantil, apontam que cerca de 90% dos ambulantes entrevistados registraram queda no faturamento diário ao longo de agosto, primeiro mês de reabertura após os fechamentos provocados pela pandemia.

O tamanho do impacto negativo no comércio informal de Niterói chama a atenção dos pesquisadores em razão da importância cada vez maior do mercado informal na renda das famílias brasileiras. Thiago José Silva, pesquisador da área de Trabalho do Programa de Pós-graduação em Sociologia e Direito da UFF, explica que a cidade ainda ocupa uma posição privilegiada na região metropolitana do Rio: “Niterói é uma das poucas cidades no estado onde a Prefeitura implementou um programa de renda básica municipal, que tem dado suporte às famílias destes ambulantes e ampliado o poder de compra da clientela. Se por aqui a situação das vendas do comércio ambulante é grave, não temos dúvidas de afirmar que no restante do país a situação seja alarmante.”

 

Livros, pra quê?

A Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) argumenta, a respeito da proposta do governo de mudança tributária, que aumentará a taxação sobre livros, que, nos últimos 10 anos, Governo Federal e estados deixaram de arrecadar em tributos cerca de R$ 3,5 bilhões em ICMS devido ao desvio de finalidade de papel imune, pelos cálculos da Ibá.

O papel imune, sem incidência de impostos, benefício garantido pela Constituição, deveria ser utilizado para imprimir livros, jornais e periódicos, mas foi “desviado para impressão de folders, catálogos e outros materiais”, segundo a Ibá.

Como pode-se notar, a discussão da retaxação [sic] ou não de tal tipo de papel é totalmente pertinente e não podemos escolher o caminho da avaliação moral, e sim da discussão racional do tema.”

O debate racional começa entendendo a importância de livros e – por que não – jornais e revistas para a cultura. Entendendo que, quanto mais caros, mais distantes estarão da população mais pobre, perpetuando uma história de exclusão.

Se todo desvio fosse resolvido com exclusão, não haveria mais política fiscal. Cabe à Receita criar os mecanismos para fiscalizar, sem necessidade de criar obrigações acessórias, pois já existe a DIF Papel Imune para prestar contas do uso. Basta fiscalizar. Jogar a criança fora junto com a água suja nunca foi uma opção sábia.

 

Chama o ladrão

Chamar os Estados Unidos para explorar a Amazônia é algo como o dono de uma empresa convidar o diretor financeiro que está metendo a mão no caixa para os dois fazerem isso juntos.

 

Rápidas

Nesta sexta-feira, o Instituto dos Advogados do RS (Iargs) realizará uma mesa aberta intitulada “Eleições e pandemia na visão da advocacia”, ao vivo no Canal do Youtube do instituto, das 15h às 17h *** Fernanda Montenegro homenageia os educadores no vídeo Escola que sente, do Laboratório Inteligência de Vida – LIV *** Nesta quinta-feira, às 19h, os pré-candidatos a covereadores pelo coletivo A Liga batem papo sobre a Aldeia Maracanã e sua importância histórica, com a participação de Carlos Doethiró Tucano, ex-cacique da Aldeia, Igor de Vetyemy, arquiteto e urbanista, e Marize Vieira-Pará Rete, professora de História. Ao vivo no Facebook @aligario2020 *** A Federação das Câmaras de Comércio Exterior, Fecomércio RJ e CNC realizarão nesta quinta-feira um webinar com o vice-presidente Hamilton Mourão sobre o contexto político-econômico do Brasil.

 

 

 

 

 

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigos Relacionados

Bolsonaro invade TV Brasil

Programação foi interrompida 208 vezes em 1 ano para transmissão ao vivo com o presidente.

FMI: 4 fatores ameaçam inflação

Fundo acredita que preços deem uma trégua no primeiro semestre de 2022, mas...

Pandora Papers: novos atores nos mesmos papéis

Investigação mostra que pouco – ou nada – mudou desde 2016.

Últimas Notícias

Seven Tech: Mais de 2,5 milhões de cartões de crédito até 2023

Com operações em seis países e presença em três continentes (Europa, África e América Latina), o Seven Tech Group, que nasceu como Software house...

Indústria de fundos está pronta para investimentos sustentáveis

É hora de a própria indústria de fundos, por meio de iniciativas de autorregulação, preencher o gap regulatório que ainda existe em torno dos...

Índice da B3: Empresas com melhores práticas no mercado de trabalho

A B3, bolsa do Brasil, e a consultoria global, Great Place to Work, anunciaram nesta terça-feira a criação de um novo índice com foco...

Comissão debate venda da Oi Móvel para outras operadoras

A Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados promove audiência pública nesta quinta-feira (21) para tratar da venda da Oi Móvel...

CVM: Acordo de R$ 300 mil após autodenúncia de infração

O Colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) analisou, em reunião nesta terça-feira, propostas de Termo de Compromisso dos seguintes Processos Administrativos (PA)...