De 10 provedores de acesso à Web 9 oferecem fibra óptica aos clientes

Segundo a TIC Provedores 2020, 35% das empresas do setor estão presentes em algum Ponto de Troca de Tráfego do país.

Nove em cada dez provedores de acesso à Internet no Brasil disponibilizam fibra óptica aos seus clientes. A constatação é da TIC Provedores 2020, pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) divulgada nesta quarta-feira pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), responsável por sua condução. Segundo o levantamento, que está em sua 4ª edição, o crescimento de empresas no país que ofertam essa forma de conexão em relação ao último levantamento, de 2017, foi de 13 pontos percentuais (saltou de 78% das empresas que declararam acessos para 91%). Rádio (73%) e cabo UTP (46%), que também estão entre as tecnologias mais usadas, apresentaram redução de 11 e 5 pontos percentuais, respectivamente, no mesmo período.

“O volume de tráfego Internet vem aumentando e é importante que o provedor ofereça fibra óptica para dar conta de demandas, proporcionando assim uma conexão mais rápida e estável. A pesquisa identificou que a maioria das empresas, de todos os portes e em todas as regiões, oferece essa opção. Isso não quer dizer que todo mundo no Brasil esteja conectado via fibra óptica, mas que a maior parte dos provedores tem capacidade de ofertá-la ao cliente final”, afirma Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br.

Outro aspecto importante identificado pelo estudo foi uma maior participação de provedores em algum dos Pontos de Troca de Tráfego – PTTs (ou Internet Exchange – IX, em inglês). Os PTT são pontos da infraestrutura da rede Internet em que vários sistemas autônomos (AS – Autonomous System em inglês) se interligam para trocar tráfego. Cerca de 2.442 empresas do setor (35% das empresas que declararam acessos) participam de algum PTT (ou IX), o que representa um aumento de 89% em relação ao levantamento anterior. Nesse quesito, os provedores que têm maior quantidade de acessos se destacam. Entre os que apresentam de 5 mil a 45 mil acessos, 72% participaram de um PTT (ou IX). Já entre os que contam com mais de 45 mil acessos a proporção chega a 100%.

A pesquisa revelou, contudo, a persistência de algumas desigualdades regionais: empresas baseadas no Sudeste (46%) e no Sul (39%) estão mais presentes em algum PTT (ou IX) do que as das regiões Nordeste (25%), Norte (26%) e Centro-Oeste (22%).

“O aumento da presença de provedores em um PTT colabora para melhorar o tráfego da Internet como um todo. E ainda há boa margem para crescimento, pois o estudo concluiu que uma parcela considerável de provedores de pequeno porte ainda está fora dessa infraestrutura”, pontua Barbosa.

“Estima-se que haja atualmente 12.826 provedores de Internet no Brasil, com prevalência de microempresas e atuando em, no máximo, cinco municípios. Os esforços do CGI.br e do NIC.br em traçar um panorama do setor são de extrema relevância para a proposição de políticas que visem ao crescimento da infraestrutura Internet e à universalização do acesso no País” completa Marcio Nobre Migon, coordenador do CGI.br.

Evolução do IPv6

A modalidade de entrega de serviço mais utilizada em 2020 entre as empresas que declararam acessos foi o NAT IPv4 (81%), em patamar semelhante ao IPv4 puro (81%). Apesar de ainda não predominante, a utilização do IPv6 apresentou forte evolução: na edição anterior da pesquisa, o IPv6 era usado por cerca de 922 provedores, número que aumentou para aproximadamente 3.102. Isso corresponde a 44% dos provedores que utilizam a versão mais atual do Protocolo Internet.

A 4ª edição da TIC Provedores traz indicadores inéditos sobre ataques de negação de serviços (DDoS). Em 2020, 26% das empresas que declararam acessos afirmaram ter sido alvo desse tipo de ataque, havendo incidência superior entre as de maior porte.

A medida posta em prática com mais frequência para evitar, detectar ou tratar os DDoS foi o uso de técnicas de roteamento para implementação de black hole ou sink hole, mencionada por 84% dos provedores independentemente do porte.

Em relação às consequências geradas pelos ataques, 51% afirmaram que seguiram operando, mas apresentado lentidão para os clientes, e 35% disseram que chegaram a paralisar totalmente os serviços. Esses dois impactos foram os mais relatados pelos provedores de vários portes, o que demonstra que os ataques são fatores de preocupação para a resiliência da rede de todas as empresas, independentemente do tamanho.

Presença online

Em função da pandemia e do consequente distanciamento social, mais do que nunca, as empresas do segmento tiveram de marcar presença no ambiente digital. Outra novidade desta edição da pesquisa foi a observação feita no que diz respeito à atuação online do setor de provimento de acesso. Em 2020, já a maioria dos provedores (84%) possuía website, com destaque para os localizados no Sudeste (90%) e Sul (87%).

Pouco mais de dois terços dos provedores que declararam acessos (69%) afirmaram que comercializaram serviços usando a rede. A maior parte, 60%, revelou ter vendido produtos e serviços por meio de aplicativos de mensagem instantânea, e 51% disseram ter pago anúncios na Internet – proporção que cresce de acordo com o aumento no número de acessos do provedor, chegando à totalidade nos grandes provedores.

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