De olho na Eletrobras, setor privado não investe

Ação da estatal vale quase metade do que valia há 11 anos.

A discussão sobre a privatização da Eletrobras parece ignorar que tanto o modelo mercantil, quanto o setor privado “tiveram uma performance pífia e exerceram um papel repleto de problemas que fragilizou a estatal”, alerta o engenheiro Roberto Pereira D’Araujo, diretor do Instituto Ilumina.

Ao anunciar a privatização da Eletrobras na década de 90, explica D’Araujo, os investimentos em novas usinas foram paralisados. A razão estrutural do racionamento que houve na época foi esse desinteresse. Após o apagão, no período de 1999 até 2004, a expansão chegou a ser formada de 70% de térmicas.

Os dados sobre o mercado livre, de 2003 até 2012, mostram que esse grupo de consumidores, que já representa 30% do total, não investiu em expansão nem para suas próprias necessidades. “Dada essa outra ausência de investimentos, outra expansão apressada de térmicas foi implantada e, mais uma vez, de 2008 até 2013 a expansão chegou a registrar 70% da expansão em térmicas”, afirma o especialista.

D’Araujo acrescenta outro dado que depõe contra a venda: em janeiro de 2010, uma ação da Eletrobras (ELET3) valia R$ 21, equivalente a US$ 11,80. Hoje, vale R$ 36, mas em dólar a cotação caiu para US$ 6,5, quase a metade do que valia há 11 anos.

Nesta sexta-feira, parlamentares, representantes do governo, especialistas e dirigentes sindicais debateram, na Câmara dos Deputados, os efeitos da Medida Provisória 1031/21, sobre a privatização da Eletrobras. A MP é considerada inconstitucional pelo PT e Psol.

O pesquisador do Grupo de Economia da Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro Ronaldo Bicalho avaliou que a privatização da Eletrobras é uma medida radical e extemporânea e, por fim, ultrapassada. “Ninguém hoje no mundo acredita que a transição energética será feita pelo mercado”, disse.

A diretora do Ilumina Clarice Ferraz alertou ainda que a privatização da Eletrobras está sendo discutida antes de definição sobre o marco regulatório do setor diante das mudanças climáticas e das novas formas de energia limpa e renovável.

Leia também:

Três perguntas: a desestatização da Eletrobras e os seus esqueletos

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