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sábado, janeiro 16, 2021

De SwissLeaks a Panama Papers

A decisão tomada pelo Governo do Panamá de excluir o grupo Odebrecht, acusado de pagar US$ 59 milhões em subornos para obter contratos, de futuras licitações no país pode ser debitada na conta daqueles que acreditam que a implosão de uma importante empresa brasileira exportadora de serviços é um efeito colateral de pouca importância. Pior que perder contratos é perder moral. O Panamá não é exatamente um exemplo de transparência e ética. O maior escândalo deste ano foi o do Panama Papers (cuja investigação vai sendo tocada na mesma velocidade com que a força-tarefa da Lava Jato apura denúncias contra o tucanato), que coloca o país como paraíso fiscal, no centro de um esquema de montagem de empresas para fraudar o fisco e a lei de outras nações.

Já o maior escândalo do ano passado foi o SwissLeaks, esquema de lavagem de dinheiro que movimentou mais de US$ 100 bilhões de 106 mil clientes do HSBC em Genebra. Apesar de as robustas denúncias mostrarem a presença de corruptos, sonegadores e criminosos, o banco se livrou pagando a bagatela de US$ 43 milhões ao Ministério Público suíço para encerrar o caso. (No Brasil, a CPI acabou em pizza e a Receita demonstra pouco empenho em punir alguém). Pois é a Suíça, que ainda lava mais branco, que se coloca no papel de acusador da Odebrecht, uma eficiência que não fez questão de demonstrar no SwissLeaks.

Para finalizar, é bom lembrar que a primeira denúncia de pagamento de propina na Petrobras foi com a holandesa SBM. Um ex-executivo da empresa denunciou o esquema, na Holanda, desencadeando as investigações. Só que, ao contrário do que acontece com a Petrobras e a Odebrecht, investigadas pela Suíça e pelos EUA com a colaboração – de legalidade no mínimo questionável – de autoridades brasileiras, a apuração se concentrou no país-sede da SBM, sem participação de brasileiros. A multinacional holandesa apenas fechou acordo de leniência no Brasil, pagou multa à Petrobras e já voltou a ser fornecedora da estatal – enquanto empreiteiras brasileiras seguem na lista negra.

Sede

A China iniciou o transporte por trem de água potável engarrafada da região do Tibet para o interior do país. São 1,89 mil toneladas divididas em 35 vagões, que percorrerão 4,5 mil quilômetros em seis dias. O Tibet, muitas vezes chamado de Torre de Água da Ásia, tem abundantes recursos hídricos. Produziu mais de 400 mil toneladas de água natural potável em 2015, mas, por causa do alto custo de transporte, é difícil atingir o mercado interno, assinala a agência de notícias Xinhua. O plano é elevar a produção anual para 5 milhões de toneladas nos próximos cinco anos.

Acesso a água é um problema sério na China. Há dois anos, iniciou-se o desvio do líquido do sul para o norte, que beneficiou mais de 11 milhões de moradores em Beijing. Atualmente, o projeto oferece cerca de 3,4 milhões de metros cúbicos de água diariamente à capital.

Filho feio

Qualquer tentativa de salvar a Oi não pode excluir investigação sobre atos tomados por ex-executivos e pelos acionistas. Qual foi o resultado para a empresa de sucessivas fusões e cisões? E quanto se gastou no pagamento de juros sobre capital próprio?

Dinheiro manda

O que a ONU vai fazer diante da decisão de Israel de desafiar a determinação votada semana passada e expandir os assentamentos em território palestino? Em outras ocasiões, com outros atores, a entidade mundial adotou boicotes econômicos.

Não foi a Dilma

A Toshiba anunciou um impacto negativo de alguns bilhões de dólares na aquisição de uma companhia norte-americana pela Westinghouse, subsidiária da japonesa na área de energia nuclear. O gasto na compra supera em muito o valor da empresa.

Rápidas

O coronel RR Manuel Cambeses Jr., habitual colaborador deste MM, foi reeleito para a vice-presidência do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil (IGHMB), para o biênio 2017–2018. O general Márcio Tadeu Bettega Bergo assumiu a presidência da entidade, em substituição ao general Aureliano Pinto de Moura, que presidiu o IGHMB por 12 anos consecutivos *** O Ministério do Turismo pediu ao da Educação mais vagas para qualificação profissional. No início de 2016, foram solicitadas 75 mil vagas, porém a oferta não chegou a 7% desse número, ficando em 5 mil em todo o país *** A Organização Internacional do Café (OIC) destaca que a recente recuperação dos preços do café “sofreu uma inversão significativa” que pode ser atribuída em grande parte a perspectivas de melhores condições climáticas verificadas nas regiões produtoras no Brasil e Vietnã, e também à valorização do dólar norte-americano em relação à moeda brasileira nos últimos meses. Segundo a Organização, esses dois fatos abrandaram preocupações do mercado cafeeiro mundial como a possível redução da oferta de café *** A CCR RodoAnel estima que 694 mil veículos utilizarão o Trecho Oeste do Rodoanel no período da Operação Ano Novo, entre 30 de dezembro e 2 de janeiro. Já a CCR ViaOeste espera cerca de 474 mil pelo Sistema Castello Raposo.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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