Debandada

O aumento dos juros decretado pelo Copom, depois de a equipe econômica passar a semana entoando loas aos fundamentos da política econômica tucana, lembra a história do toureiro que, após atiçar o touro, sai correndo da arena, alegando não querer massacrar o bicho. Como todos os manuais de economia ensinam, juro é o preço pago pelo risco de adiar o consumo. Assim, ao elevar a taxa básica (Selic) em 0,5 ponto percentual, o Copom revelou toda a insegurança que lhe invade a alma, provocada pelas conseqüências sobre a dependente economia brasileira do acirramento da crise argentina.
A reação, ontem, dos investidores com a paulada na Bovespa e a alta do dólar, somada aos vários indicadores que sinalizam as dificuldades crescentes de financiamento do irresponsável déficit externo parido pelo tucanato, revelam que, mais uma vez, os mercados preferiram acreditar no touro que no toureiro.

Modelo
Para o presidente nacional do PT, deputado federal paulista José Dirceu, FH usou a piora do cenário econômico para tentar pacificar sua base aliada e abafar a campanha pela CPI da Corrupção. Dirceu considera que muito pior é a crise de credibilidade do governo e sua política econômica. “FH chora sobre o leite derramado, pois a crise econômica não vem apenas da crise política. Vem do modelo econômico que o governo adotou, de dependência do capital externo, por causa do aumento das dívidas externa e interna e pela ausência de política industrial e de comércio exterior. Já a crise política brasileira, tem origem na corrupção que está sendo denunciada por integrantes do próprio governo FH”, atacou.

A todo vapor
A demanda nas áreas de energia e petróleo fez a Rolls-Royce escolher o Rio de Janeiro para sede de seus escritórios no Brasil. A empresa fabrica turbinas que equipam de aviões a usinas de energia elétrica, além de ter aumentado a presença no setor naval, onde forncerá barcos de apoio para a Petrobras. Será mantida em São Paulo o setor de manutenção. A Rolls-Royce é a fornecedora de turbinas para os jatos regionais Embraer ERJ-145/140/135.

Omissão
Durante audiência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, com a presença do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) criticou a ausência de uma política de desenvolvimento capaz de acabar com a miséria e a fome que afetam 30 milhões de brasileiros. Diante do silêncio de Fraga, Simon lembrou ser autor de projeto que eleva a base salarial no país, pela fixação de um limite entre o maior e o menor salário. “Sugeri que o mais alto salário não poderia ser 20 vezes maior que o menor salário mas, infelizmente, a proposta não foi adiante no Congresso, apesar de existir em diversos países”, argumentou o senador.

Pitaco
Como chutômetro não é exclusividade da equipe econômica, esta coluna palpita que, depois do tombo de ontem, a Bovespa deve experimentar alguma alta hoje, dentro do movimento de montanha russa que tenha marcado as bolsas.

Prevenção
A dúvida é pertinente: afinal, quando desembarcou no país, Domingos Cavallo passou sobre o tapete desinfetante usado para evitar a propagação no país da vaca louca?

Acelerando
A Sul América Seguros fechou 2000 confirmando a liderança do setor, com 20,1%, seguida pela Bradesco, que ficou com 17,3%. Esse números mostram que não só a Sul América cresceu (em 1999 tinha 18,3% do mercado) como a Bradesco caiu (tinha 18,9% no ano retrasado). A maior queda foi no ramo de automóveis. Em 1999 a Bradesco faturou R$ 1,05 bilhão no segmento e em 2000 ficou com R$ 983 milhões. A situação se inverte na sul América: passou de faturamento de R$ 889 milhões em 1999 para R$ 1,14 bilhão no ano passado, no ramo de autos. O mercado de seguros passou de R$ 20,3 bilhões para R$ 23 bilhões. A Sul América faturou R$ 4,6 bilhões.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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