Decidir bem é sinônimo de vencer

Opinião / 12:27 - 18 de fev de 2003

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Uma das principais características comuns aos vencedores é a sua capacidade de tomar decisões. Muito poucas pessoas sabem o grau de importância da forma e dos critérios com os quais elas tomam decisões em sua vida. Menos pessoas ainda percebem que são as pequenas decisões do dia-a-dia que determinam seu sucesso ou seu fracasso. Um dos piores erros que se pode cometer é tomar uma decisão para se livrar de um problema. Exemplo disso é a pessoa que está fazendo o curso de mestrado e, num determinado momento, se indispõe com o orientador, que por sua vez está passando por uma situação difícil. Na emoção do momento de mais rispidez, ela decide abandonar a pesquisa para não ter de conversar com a pessoa que está tendo dificuldade. Resultado: acaba se prejudicando por interromper algo que era importante para a sua carreira. Tomar a decisão simplesmente para se livrar de um problema, muitas vezes pode desviar a pessoa do rumo que teria de seguir para conquistar seu objetivo, impedindo, muitas vezes, um salto qualitativo na carreira profissional. Outras vezes, a pessoa obriga-se a agir e não se dá o tempo necessário para pensar. É o caso da empresa que está passando por uma crise financeira. O dono resolve fazer um empréstimo para saldar a dívida com os credores, sem ponderar se terá condições de arcar com o peso representado pelo empréstimo no futuro. Talvez nesse momento o melhor fosse procurar alguém para conversar e ajudar a pensar e analisar antes de decidir. Mas ele prefere agir intempestivamente. Uma decisão tomada pela pressão do "tenho que fazer" é comum nas pessoas impulsivas. Olhando mais profundamente, vemos que os que agem precipitadamente não tomam uma decisão. Eles simplesmente são reativos. E a tendência é que, no futuro, acabem se envolvendo num problema ainda maior. Tanto as pessoas que tomam a decisão para se livrar do problema, quanto as que tendem a agir por causa da pressão têm dificuldade de pensar para encontrar a melhor solução. É necessário perceber que tudo feito sob a pressão do estímulo, do problema e da necessidade de decisão é o que vai determinar os resultados da empresa, os resultados da vida. Grandes líderes são aqueles que conseguem pensar, independentemente do tamanho da pressão a que estão submetidos, e conseguem fazer as melhores escolhas, tomando decisões corretas, ponderadas e racionais. Eles sabem que boa parte do que ganham em suas empresas corresponde à sua capacidade de pensar e de resistir às chamadas "situações limite". Resolvi escrever esse artigo depois de um fato que aconteceu recentemente. Fui chamado por um empresário para ajudá-lo a resolver um problema. No começo da conversa percebi que ele estava extremamente agitado. Ele me apresentou a situação e ficou claro para mim que o problema inicial era o menor de todos. As maiores dificuldades começaram a partir de suas atitudes impulsivas. A sua irritação levou-o a ofender seu sócio e demitir o gerente geral. Seu medo levou-o a desfazer um contrato importante que ele julgou prejudicial para a empresa. Sua agitação fez com que falasse para toda a sua equipe do seu medo com o futuro. Tudo isso porque não teve a disciplina para analisar a situação antes de começar a agir. As suas perguntas nervosas em nossa conversa pareciam ter a intenção de obter uma solução pronta para resolver seus problemas, mas, na verdade, a maior dificuldade era a sua agitação, que o impedia de refletir sobre suas opções. Pense em quantas vezes complicamos uma problema fácil com ações impulsivas. Como resolver e mudar esse hábito? Não existe fórmula mágica para que isso aconteça. É preciso ter disciplina para organizar o seu pensamento e analisar as causas e conseqüências das suas opções. Iniciativas simples podem compor o método correto para ser bem sucedido na tomada de decisões. Um exemplo é avaliar com calma a situação. Em primeiro lugar, é preciso ter claros quais são os fatores de pressão que se está enfrentando. Depois, quais são as opções viáveis. Se não conseguir analisar tudo isso sozinho, peça ajuda. A pessoa não precisará, necessariamente, ser um profundo conhecedor do assunto. Às vezes, basta ser alguém que não esteja envolvido emocionalmente com o problema. Nesses momentos de maior tensão, a emoção pode atrapalhar. Com o diagnóstico claro da situação, as possíveis opções ordenadas na cabeça e o parecer de alguém isento, as chances de tomar a decisão correta serão infinitamente maiores. Roberto Shinyashiki Médico psiquiatra, com pós-graduação em Administração de Empresas (MBA USP), escritor, consultor e presidente da Editora Gente e do Instituto Gente.

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