Declaração de Berlim: antídoto contra direita

Acadêmicos defendem, na Declaração de Berlim, nova política econômica, com mais Estado e voltada para a população

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Rob Johnson, presidente do Inet, assina a Declaração de Berlim
Rob Johnson, presidente do Inet, assina a Declaração de Berlim (foto reprodução)

As movimentações políticas na Europa motivam análises sobre as escolhas das populações, em especial o crescimento de partidos conservadores ou reacionários. No final de maio de 2024, um conjunto de importantes acadêmicos, reunidos no Fórum Nova Economia, divulgou a Declaração de Berlim, em que pedem uma nova política econômica, para “combater a perda de confiança nas democracias liberais com uma política industrial ativa, uma redução da desigualdade e uma globalização mais bem gerida”.

“Este sentimento de impotência foi desencadeado por choques decorrentes da globalização e das mudanças tecnológicas, agora amplificados pelas alterações climáticas, pela IA e pelo choque inflacionário”, afirma o documento. “Décadas de globalização mal gerida, o excesso de confiança na autorregulação dos mercados e a austeridade esvaziaram a capacidade dos governos de responder eficazmente a tais crises.”

O que é necessário agora, defendem os acadêmicos, é um novo consenso político que aborde os motivos profundos da desconfiança das pessoas, em vez de se concentrar apenas nos sintomas ou de cair na armadilha dos populistas que fingem ter respostas simples.

É preciso “abordar as desigualdades de rendimento e de riqueza que são reforçadas através da herança e do automatismo do mercado financeiro, seja através do reforço do poder dos mal pagos, da tributação adequada dos rendimentos e da riqueza elevados, ou da garantia de condições iniciais menos desiguais através de instrumentos como uma herança social.”

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Qualquer tentativa de recolocar os cidadãos e os seus governos no comando contribuirá para restaurar a confiança na capacidade das nossas sociedades para resolver crises e garantir um futuro melhor. “Precisamos de uma agenda para que o povo reconquiste o povo.”

Entre os líderes da Declaração de Berlim estão Dani Rodrik, Mariana Mazzucato, Thomas Piketty, Gabriel Zucman, Rob Johnson, Pascal Lamy e Laura Tyson. Em 8 de julho, o documento tinha 359 assinaturas.

Sem influência

Se a coluna acreditasse em pesquisas, diria que a da Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira, mostra a cada vez maior insignificância da mídia que já foi chamada de grande.

Para ficar num exemplo: apesar de os jornalões baterem pesado em Lula, apenas 1/3 dos entrevistados acreditam que foram as falas do presidente a principal razão pelo aumento do dólar; e 2/3 concordam com as críticas de Lula à política de juros do Banco Central.

Aliás, a maior parte dos pesquisados (64%) nem tomou conhecimento das críticas…

Rápidas

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